Bundesliga

Os irmãos Bender decidiram não abandonar o futebol e voltaram ao clube no qual começaram, na nona divisão alemã

Aos 32 anos, os gêmeos se despediram da Bundesliga no Bayer Leverkusen e retornaram ao time no qual jogaram até os dez anos de idade

Os irmãos Lars e Sven Bender se despediram da Bundesliga na última temporada, mas não abandonaram o futebol de vez. Os gêmeos seguirão nos gramados, longe do nível profissional, de volta agora ao pequeno clube onde iniciaram suas trajetórias. Ambos assinaram com o TSV Brannenburg e defenderão o clube na nona divisão do Campeonato Alemão, equivalente aos níveis distritais da Baviera. Apesar do histórico de lesões, aos 32 anos, os irmãos poderão dar sua contribuição para que os nanicos elevem suas perspectivas.

Os irmãos Bender nasceram em Rosenheim, cidade do distrito de mesmo nome, no sul da Baviera. Ambos cresceram ali perto, em Brannenburg, e atuaram na equipe local até os dez anos de idade. Somente depois disso é que ambos buscaram times maiores. Defenderam por três anos o Unterhaching e realmente deslancharam nas categorias de base do Munique 1860. Pelos celestes, aliás, a dupla conquistou títulos nacionais entre os juvenis e passou a ser convocada para as seleções menores.

A família Bender permaneceu no Munique 1860 até 2009, quando os dois jogadores de 20 anos se transferiram da segunda divisão para a elite nacional. Enquanto Sven assinou com o Borussia Dortmund, Lars defendeu o Bayer Leverkusen. O caminho dos dois voltou a se cruzar em 2017, quando Sven mudou-se para a BayArena, depois de anos vitoriosos no Signal Iduna Park. Ambos também compartilharam os vestiários da seleção em alguns momentos, em especial nos Jogos Olímpicos de 2016, quando eram as referências na equipe que terminou com a medalha de prata no Rio de Janeiro. O excesso de contusões, entretanto, atravancou suas carreiras e acelerou a despedida em alto nível para 2020/21.

A nova escolha dos irmãos Bender mostra como a ideia deles não era largar o futebol de vez, mas sim apenas a pressão do alto nível e a exigência física. Nem mesmo o Munique 1860, onde surgiram, fez parte dos planos. Os gêmeos estarão em casa no Brannenburg e poderão elevar o patamar do clube onde atravessaram grande parte de suas infâncias. Os dois chegaram ao TSV quando tinham apenas quatro anos, até a mudança aos dez. Entretanto, depois de se tornarem nomes famosos na Bundesliga, continuavam frequentando a agremiação e auxiliavam a organizar competições para garotos.

“Eles queriam contribuir com algo à base do futebol, por isso voltaram. Era normal vê-los no clube antes, mesmo quando ainda eram profissionais”, contou Marc Wolf, diretor do Brannenburg, em entrevista à revista Kicker. Inclusive, o dirigente revelou que os gêmeos estão mais do que adaptados ao futebol amador: “Eles já colocaram uma caixa de cerveja nos vestiários. É claro, carregam os gols de vez em quando e ajudam com o cortador de grama se necessário”.

Os Bender já estrearam com a camisa do Brannenburg no último domingo, formando a dupla de volantes do time. Ajudaram sua equipe a vencer por 5 a 2 o ASV Flintsbach, rival local, diante de 450 espectadores nas arquibancadas. Os gêmeos foram inscritos na federação bávara já no início de julho e treinaram com o restante do elenco durante as últimas semanas, mas mantiveram a informação em sigilo desde então. Foi apenas neste domingo que a notícia circulou pela Alemanha, com ambos já vestindo a camisa alviazul.

O objetivo do Brannenburg neste momento, mais do que o acesso, é restabelecer suas atividades depois do período inativo por conta da pandemia. De qualquer maneira, dá para ter grandes ambições com dois jogadores notáveis da Bundesliga, que podem contribuir para o alto nível em campo e pela própria influência aos mais jovens. Que os níveis profissionais estejam bem distantes, a mera honra de contar novamente com os Bender já serve de conto de fadas na nona divisão alemã.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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