Bundesliga

O tradicional Magdeburgo comemorou o acesso e também o título na terceirona alemã

Campeão da Recopa Europeia de 1974, o Magdeburgo sobe um ano depois de lutar contra o rebaixamento

A segunda divisão do Campeonato Alemão ganhará o reforço de um clube tradicionalíssimo na próxima temporada. Neste domingo, o Magdeburgo comemorou o acesso na terceirona e também o título. Os alviazuis eram uma potência na antiga Alemanha Oriental, com três títulos da liga e sete da copa, além do auge com a conquista da Recopa Europeia de 1973/74 em cima do Milan. Apesar do respeitável histórico, após a unificação do país o FCM quase sempre militou entre a terceira e a quarta divisão. A única passagem pela segundona tinha acontecido em 2018/19, com o rebaixamento imediato. Já a nova promoção não deixa de ser surpreendente, considerando que o time lutou contra o rebaixamento na temporada passada.

O atual Magdeburg surgiu oficialmente em 1965, mas era apenas uma reorganização do Aufbau Magdeburg, clube importante da Alemanha Oriental que tinha apoio do setor da construção civil. Os alviazuis acumularam seus primeiros títulos na década de 1960 e viraram a principal equipe do país nos anos 1970, época que renderia também um feito imenso com a Recopa Europeia. Porém, o FCM perdeu sua força na segunda metade dos anos 1980 e sofreria um desmanche no início da década de 1990. Com isso, o time foi apenas o décimo colocado na última edição da Oberliga, que determinaria o destino dos times alemães-orientais na integração com a Bundesliga. Teria que iniciar sua trajetória na liga unificada a partir da terceira divisão.

Com as dificuldades financeiras geradas pela transição ao capitalismo e pelo fim do apadrinhamento do governo comunista, o Magdeburgo oscilou entre a terceira e a quarta divisão na virada do século. Os alviazuis ainda assim teriam uma campanha para se orgulhar na Copa da Alemanha de 2000/01, quando eliminaram Colônia e Bayern de Munique (meses antes da conquista da Champions), até a queda nas quartas de final para o Schalke 04. O choque de realidade viria na temporada seguinte, com um rebaixamento causado pela falta de dinheiro para bancar as contas. Em 2006, a inauguração da MDCC Arena pela prefeitura garantia uma boa estrutura de apoio ao FCM. Todavia, o time bateu na trave algumas vezes na terceirona e caiu novamente para a quarta divisão em 2012. O retorno ao terceiro nível viria em 2015.

A partir de então, o Magdeburgo fez campanhas respeitáveis nas divisões de acesso. Foram dois anos brigando pela promoção, até que a subida inédita à segunda divisão ocorresse em 2018. Os alviazuis mantiveram uma média de 20,2 mil espectadores por jogo na segundona, mas caíram de imediato com a penúltima posição. O retorno à terceirona foi difícil, com campanhas na parte inferior da tabela e inclusive o risco de rebaixamento, até que o FCM realmente deslanchasse na atual temporada, com a volta do público às arquibancadas se combinando à recuperação.

O Magdeburgo passou o campeonato inteiro de 2021/22 na zona do acesso e sustenta a liderança desde a sétima rodada. As derrotas ainda foram um pouco frequentes no início da campanha, mas, a partir de novembro, os alviazuis só perderam um dos 20 jogos disputados pela liga. A vantagem na tabela se consolidou e algumas vitórias emblemáticas foram conquistadas, como o 5 a 2 sobre o Munique 1860. Nas últimas semanas, apesar de alguns tropeços, a comemoração se tornou questão de tempo. O FCM chegou a emplacar um emocionante 5 a 4 contra o Verl na rodada anterior. Já neste domingo, a festa veio com os 3 a 0 para cima do Zwickau, outro representante da antiga DDR.

A conquista do acesso representa uma redenção ao técnico Christian Titz. Antigo comandante da base do Hamburgo, foi ele quem assumiu os Dinossauros no inédito rebaixamento em 2018. Depois passaria por Rot-Weiss Essen, até assumir o Magdeburgo em fevereiro de 2021. Na época, o time se encontrava na zona de rebaixamento da terceirona e se via em situação complicada. Seria ele responsável por uma guinada de 29 pontos conquistados em 33 possíveis, que até levou a equipe para a metade de cima da tabela. Tal ascensão não parou por aí e se refletiu também na atual campanha.

O grande craque do Magdeburgo é o meia Baris Atik, de 27 anos. Formado no Hoffenheim, o alemão de origem turca chegou à MDCC Arena em janeiro de 2021. Ajudaria bastante na fuga do rebaixamento e agora vive um ano demolidor. São 18 gols e 20 assistências em 34 aparições pela liga. Nomes como o centroavante Lukas Schuler e o ponta Jason Ceka também são importantes à alta produção ofensiva do FCM, que anotou 73 gols na campanha. O capitão é o zagueiro Tobias Müller, no time desde a passagem anterior pela segundona.

O acesso do Magdeburgo ainda vem com um simbolismo bonito: o feito acontece uma semana depois da morte de Joachim Streich, maior artilheiro da história do clube e lenda do futebol da Alemanha Oriental. A celebração se mistura ao tributo. E a memória de Achim será ainda mais honrada com um crescimento sustentável dos alviazuis, que faça jus à enorme história da instituição e também à sua engajada torcida.

De resto, a terceira divisão do Campeonato Alemão ainda deve premiar outros clubes tradicionais. O atual segundo colocado é o Kaiserslautern, que briga pelo acesso direto com o Eintracht Braunschweig, em terceiro. O Munique 1860 é o quarto, mas com chances remotas de alcançar os playoffs de acesso. A nota triste fica para o Türkgücü Munique, que precisou abandonar a competição por problemas financeiros.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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