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O Hamburgo fez a sua parte, mas não podia contar com uma virada incrível do Heidenheim para garantir o acesso à Bundesliga

Os Dinos venceram o Sandhausen e viram a vaga direta escapar nos acréscimos da outra partida

Ninguém pode reclamar de tédio na rodada final do futebol alemão neste fim de semana. Depois de uma decisão infartante com jogos paralelos entre Bayern e Dortmund, foi a vez de Hamburgo e Heidenheim duelarem loucamente pela segunda vaga direta para a Bundesliga. Neste domingo (28), o Heidenheim bem que tentou matar seus torcedores do coração, mas conseguiu o tão sonhado final feliz.

Existem várias similaridades entre a decisão do campeão da primeira divisão e dos promovidos na segunda. Embora não valesse título, a parada desse domingo na 2.Bundesliga envolvia um gigante, o Hamburgo, que tenta com muito custo voltar à elite nacional. E os Dinos entraram em campo sabendo exatamente o que precisavam: vencer o já rebaixado Sandhausen, fora de casa, e torcer por um tropeço do rival Heidenheim, que ocupava a segunda colocação da tabela. Se isso acontecesse, o HSV comemoraria a vaga direta para estar entre os principais clubes do país após cinco anos.

A cronologia dos fatos foi particularmente dramática neste caso. Vacinado após os eventos de sábado, o Hamburgo cumpriu com a sua parte e venceu, por 1 a 0, mantendo tudo absolutamente sob controle. Isoladamente, a vitória não era suficiente, como já dito, por conta da situação do Heidenheim, que enfrentava o Jahn Regensburg no mesmo horário, também fora de casa. Aos três minutos de jogo, o Hamburgo abriu o placar com Jean-Luc Dompe, o que garantiu certa tranquilidade à sua torcida.

Melhor ainda quando o desenganado Regensburg começou a aprontar. O empate em 0 a 0 era bom para o HSV, que abraçava a segunda colocação. O Heidenheim demorou para mostrar sinais de interesse pelo resultado, sendo dominado pelo adversário. Na segunda etapa, a coisa se complicou em cinco minutos, com uma dobradinha de Prince Osei-Owusu, que castigou os visitantes com dois gols relâmpago. Acuado, o Heidenheim se deu conta de que a postura relaxada custou caro. Seus poucos torcedores que viajaram à Continental Arena, em Regensburg, viram passar um filme na mente, uma borussiada fenomenal. Eles tinham tudo a favor e estavam jogando fora de maneira bizarra.

Em Hamburgo e Sandhausen, o clima foi de otimismo para a euforia. Seria muito difícil, afinal, que o Heidenheim conseguisse virar o placar jogando tão mal e demonstrando tanto abatimento pela circunstância. Muita gente esfregou as mãos, fez selfie, olhou no relógio e bocejou. A redenção do HSV estava desenhadinha. No cronômetro dos dois estádios, estava marcado o minuto 58. Tudo bom, tudo bem, mais uma reviravolta extraordinária estava em curso.

Os roteiristas do futebol alemão, no entanto, resolveram mudar alguns trechos da trama. O Regensburg vacilou e concedeu um gol contra, com Benedikt Saller, diminuindo a vantagem para o Heidenheim para 2 a 1. Ainda seria necessária uma virada para que os visitantes conseguissem o objetivo do acesso. A bola ainda era muito pobre para pensar nisso. E o tempo foi passando lentamente. Em Sandhausen, nada acontecia. Até que o árbitro apitou para colocar fim ao confronto. Sandhausen 0, Hamburgo 1, para o êxtase da comissão técnica dos Dinos, que invadiram o gramado em grande número para celebrar. Seus representantes, na arquibancada, também entraram na onda. O fim do inferno estava próximo e o gigante poderia enfim ser brindado com uma presença entre os seus iguais.

Dois dias de jogo, mais acréscimos

Só tinha um problema: o jogo em Regensburg teve 11 minutos de acréscimo. O que significava, na crueldade dos fatos, que mesmo vencendo, o Hamburgo ainda tinha de aguardar o desfecho da partida do Heidenheim para descobrir seu destino. E em 11 minutos muita coisa pode acontecer. Aos 93′, pênalti para o Heidenheim: Jan-Niklas Beste marcou, não se perca nas contas: 2 a 2, ainda dava Hamburgo.

Era hora do abafa. O relógio já jogava contra e o Heidenheim só pensava no terceiro gol, era o único jeito. A torcida do Regensburg já estava quase erguendo bandeiras do Hamburgo nas cadeiras, como forma de apoio ao time, que sentiu o peso de participar da briga pelo acesso, ainda que por alguns instantes. A vida real era diferente daquele recorte, porém: o time da casa já entrou na rodada fadado a disputar a terceira divisão em 2023-24.

Unhas foram roídas, dedos ficaram em carne viva. O futebol é maravilhoso, emocionante, vez ou outra pode destruir nosso emocional, mas faz parte. É a vida. E a vida é assim: uma hora você está bem, outra hora pode estar arrebentado no chão. Não dá para saber ou controlar o que vai acontecer em seguida. Uma pessoa pode estar doente, de cama, e de repente perceber que consegue se levantar normalmente para retomar a normalidade. Não existe um horário redondo em que a saúde bata à porta, pode ser que a gente precise tomar as rédeas, em vez de esperar que ela venha.

Quando o cronômetro do senhor Sören Storks marcava 99 minutos, a narrativa mudou por completo. Depois de um verdadeiro bumba-meu-boi na área, o Heidenheim encontrou a salvação nos pés de Tim Kleidienst, que pegou um rebote e emendou um chute baixo para balançar as redes do Regensburg. Ninguém em campo acreditou muito no que aconteceu, mas o gol valeu. Muitos atletas do Heidenheim ficaram aflitos ao se darem conta de que conseguiram reverter o cenário. Os jogadores mandantes, por outro lado, se envolveram demais na história. Jan Elvedi, por exemplo, entrou de carrinho e cometeu uma falta feia logo após o gol da virada, sendo temporariamente expulso. O VAR chamou o árbitro, que reviu o lance e apenas deu amarelo ao defensor.

Os nervos já estavam em ordem quando os momentos finais vieram. No descer das cortinas de uma temporada inesquecível para o futebol alemão, nas suas duas divisões principais, o Heidenheim riu por último e ainda ficou com o título ao vencer o Regensburg por 3 a 2. Tudo porque o Darmstadt, que já estava garantido na elite, perdeu por 4 a 0 para o Greuther Furth e terminou em segundo lugar.

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O que o Hamburgo precisa fazer agora

É evidente que o golpe emocional foi forte para o Hamburgo, mas ainda não está tudo perdido. O time de Tim Walter enfrentará o Stuttgart em dois jogos de play-off para decidir sua vida. É natural que os Dinos cheguem com uma agitação maior, até por terem vencido o último confronto, enquanto os suábios escaparam no detalhe de um empate contra o Hoffenheim.

A realidade do jogo de promoção não é novidade para o HSV: em 2022, a equipe teve a chance de enfrentar o Hertha para subir e acabou superada no jogo de volta, por 2 a 0, em casa, depois de ter vencido a primeira partida. A escapada do Hertha não durou por muito tempo, já que os berlinenses caíram nesta temporada, como lanternas da Bundesliga.

O primeiro dos dois confrontos entre Hamburgo e Stuttgart será na próxima quinta-feira (1), enquanto a decisão fica para a segunda-feira (5), às 15h45. Depois de tudo o que vimos no futebol alemão nesse fim de semana, é quase obrigatório acompanhar esse jogo.

Foto de Felipe Portes

Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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