Bundesliga

Musiala conduziu uma vitória essencial ao Bayern, que fica marcada pelo anúncio da saída de Hansi Flick

Bayern derrotou o Wolfsburg num jogo movimentado na Volkswagen Arena e, logo depois, Flick confirmou sua despedida ao término da temporada

O Bayern de Munique fazia uma partida fundamental para sua temporada neste sábado, dentro da Volkswagen Arena. Depois da eliminação na Champions League diante do Paris Saint-Germain, os bávaros precisavam derrotar o embalado Wolfsburg, para evitar qualquer pressão do RB Leipzig no topo da tabela da Bundesliga. A missão foi cumprida até com mais segurança que o esperado. Punindo os erros dos adversários, Jamal Musiala conduziu o triunfo por 3 a 2, ainda que os Lobos não tenham deixado de lutar pelo empate. E se o eneacampeonato parece mais concreto, com a vantagem retomada de sete pontos, este jogo pode servir de marco no Bayern: depois do embate, Hansi Flick confirmou que deseja mesmo deixar o clube ao fim da temporada.

O Bayern precisava juntar os cacos em relação à queda na Champions e seguia com vários desfalques. A equipe escalada foi praticamente a mesma que entrou em campo contra o PSG no meio de semana, exceção feita a Jamal Musiala na vaga de Kingsley Coman. E o garoto seria um diferencial desde os primeiros minutos. A partida até começou equilibrada, com o Wolfsburg imprimindo um ritmo forte e Manuel Neuer precisando salvar o Bayern diante de Ridle Baku. No entanto, os bávaros logo se imporiam, com o primeiro gol aos 15. Alphonso Davies fez uma jogadaça pela esquerda. Mesmo travado, a bola sobrou com Musiala. O prodígio chutou prensado e venceu Koen Casteels, mandando no contrapé do goleiro.

Nove minutos depois, o Bayern já aproveitou para ampliar a diferença. Em nova jogada iniciada por Musiala, David Alaba cruzou e Casteels falhou ao tentar pegar o cruzamento em dois tempos. A bola sobrou viva a Eric Maxim Choupo-Moting, que emendou às redes. Os bávaros seguiram melhores, com muita ação pelas pontas. Leroy Sané era outro que tentava bastante, mas sem pontaria, como de costume nesta temporada. O Wolfsburg só voltou ao jogo com 35 minutos. Thomas Müller saiu jogando errado e permitiu o contra-ataque, em que Xaver Schlager serviu mais um tento do artilheiro Wout Weghorst. O centroavante recebeu na esquerda e deu um tapa perfeito para tirar de Neuer.

O problema é que o Wolfsburg mal comemorou, com o terceiro gol do Bayern saindo de imediato, aos 37. Mais uma vez, Musiala desequilibrou. Müller fez o cruzamento depois de uma jogada pela direita e o garoto subiu para cabecear no canto, retomando a tranquilidade dos bávaros. Os Lobos vinham de cinco jogos sem sofrer gols em casa, mas a efetividade dos visitantes era tremenda. O time da casa ainda tentou descontar de novo antes do intervalo, sem sucesso.

O segundo tempo começou com o Bayern dando pinta de que poderia golear, com uma bola de Musiala salva em cima da linha. Contudo, aos nove minutos, o Wolfsburg marcou seu segundo tento. Paulo Otávio cruzou no primeiro pau, onde Maximilian Philipp apareceu diante de Neuer e concluiu. Os bávaros controlavam um pouco mais o ritmo, mas precisavam tomar cuidado. Weghorst assustou de novo aos 21, num lance no qual acabou marcado o impedimento. Ainda que o time de Hansi Flick continuasse chegando ao ataque, não tinha a mesma contundência, e ficava no limite do empate. Os Lobos eram diretos na frente e, lutando sempre, de novo estiveram a um triz com Jérôme Roussillon, que bateu para fora aos 39. No fim, o Bayern cozinhou o resultado, mas viu mais um jogador se lesionar, com a saída de Lucas Hernández nos acréscimos.

Vitória garantida, o Bayern pareceu dar um passo firme para o título, depois do tropeço contra o Union Berlim. Hora para Hansi Flick anunciar sua saída, mesmo com a renovação de contrato recente até 2023. O adeus era previsto, e não exatamente pela eliminação na Champions League, na qual a queda não pode ser creditada ao treinador. Flick vinha de longos atritos com o diretor Hasan Salihamidzic, insatisfeito com a política de contratações e com a falta de reforços mais renomados ao elenco. Antes do reencontro com o PSG, o anúncio de que Jérôme Boateng não teria seu contrato renovado, à revelia do técnico, foi a gota d’água. E com a possibilidade de se tornar o sucessor de Joachim Löw na seleção alemã, após o sucesso como assistente em 2014, a confirmação de seu desejo neste sábado não surpreende.

“Depois de uma análise cuidadosa, gostaria de encerrar meu contrato ao final da temporada. Esse é o fato. Não quero dar motivos, eles foram discutidos internamente. Era importante que a equipe soubesse disso por mim, porque já existem muitos rumores. Tenho uma ligação forte com este elenco”, comentou Flick, à Sky. “Meu futuro não está claro, não existe nenhuma discussão sobre isso. Logicamente, a seleção é uma opção que todo treinador deve considerar. Mas devo digerir tudo primeiro, as últimas semanas não foram fáceis. É por isso que o processo de falar com o clube e com o time foram extremamente importantes hoje”.

Hansi Flick assumiu o Bayern interinamente na temporada passada, após a saía de Niko Kovac, e transformou o time em uma máquina de vencer. Conquistou a Tríplice Coroa e entrou para a história, mas os sinais de queda vieram nesta temporada. Ainda que as condições fossem ótimas para se recuperar na próxima Champions, a falta de clima interno pesou mais, assim como as portas abertas na seleção. Apesar disso, Flick deixa seu nome entre os maiores treinadores que o Bayern já teve. E deve somar seu segundo título no Campeonato Alemão, o nono seguido dos bávaros.

Restando mais cinco rodadas para o término da Bundesliga, o Bayern chega aos 68 pontos conquistados. Volta a abrir sete de vantagem sobre o RB Leipzig, que tropeçou nesta sexta e só empatou com o Hoffenheim. Já o Wolfsburg permanece seguro na zona de classificação à Champions, com 54 pontos. Os Lobos também sustentam sete pontos de folga no G-4, embora aguardem o resultado do Borussia Dortmund no domingo, contra o Werder Bremen.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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