Bundesliga

Liga Alemã alerta: “Houve intenções claras em suspender as regulações financeiras na Uefa”

“Investidores sem intenção de retorno” queriam acabar com regulação financeira na Europa, mas liga alemã defende regras mais rígidas

Há uma tentativa de derrubar as regulamentações financeiras na Europa, segundo informou um dirigente da Deutsche Fussball Liga, a DFL, liga de futebol alemão que gerencia as duas primeiras divisões do país. Marc Lenz, responsável por estratégia corporativa e relações internacionais da DFL e trabalhou anteriormente na Uefa, e relatou que em 2020 houve tentativa de retirar qualquer regulação financeira, algo que foi liderado por “investidores sem intenção de retorno”, sem citar nomes, mas ainda assim, deixando no ar quem são.

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“Se um investidor coloca € 100 milhões no clube, só € 25 milhões podem ser usados para jogadores e custos de transferências no período de três anos dentro do regulamento atual. Os € 75 milhões restantes devem ir para desenvolvimento de jovens, infraestrutura ou projetos de financiamento. Mas as novas ideias permitiriam custos totais sem limite, desde que cobertos por dinheiro de investidores. Nós rejeitamos isso estritamente”.

DFL classifica tentativa de tirar as regulações como “oportunista”

“Nós nunca comunicamos isso abertamente, mas em 2020 tivemos um papel de liderança em garantir que o Fair Play Financeiro ainda existisse como está. Houve intenções claras em suspender as regulações, com o que consideramos ser uma explicação oportunista da pandemia e dos problemas de liquidez”, afirmou Lenz. Para os clubes da Bundesliga, há uma questão sobre competitividade econômica e esportiva, tendo em conta a regra do 50+1”.

“Há uma discussão acontecendo sobre a reforma do Fair Play Financeiro”, revelou Lenz. Escrevemos sobre isso recentemente com o estudo de um teto salarial e uma taxa de luxo. “Se você olhar puramente para o custo com salários na Alemanha e no exterior, você pode ver claramente quem está agindo racionalmente e quem não está. Conforme a definição da Uefa, temos um custo racional de 54% (de gastos de receitas em salários), em outras ligas está bem acima de 70%. Um teto salarial com limite de 70% seria drástico para alguns”.

Investidores que querem retorno e os que não querem

Para Lenz, há uma distinção que precisa ser feita: a dos investidores que querem retorno e aqueles que não querem. “Os investidores que esperam retorno, frequentemente na Inglaterra, preferem que haja uma regulação de custos porque seus bolsos não são infinitos. Eles querem ser competitivos, mas eles fazem isso dentro de uma estrutura razoável. Mas há investidores que não esperam retorno. O seu interesse é relaxar ou abolir as atuais regulações limitadoras”, explicou o dirigente.

Lenz não citou nomes de clubes, mas ficou claro que ele estava falando de investidores como os de Manchester City e Paris Saint-Germain, que tem como donos a família real dos Emirados Árabes e do Catar, respectivamente. “A DFL apoia medidas para fortalecer a estabilidade financeira mais uma racionalidade de custos, bem como sua implementação e sanção escrita. A DFL rejeita propostas de desregulamentação e liberação de fundos de investidores”, diz a DFL, segundo a Kicker.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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