Esperava-se que a direção do Borussia Dortmund se sentasse com Lucien Favre para discutir o futuro do técnico em janeiro de 2021. Entretanto, a goleada humilhante por 5 a 1 sofrida contra o Stuttgart no sábado (12), a maior derrota em casa dos aurinegros em mais de uma década, acelerou o processo. Neste domingo (13), o clube anunciou a demissão do treinador suíço.

Com a queda de Favre, seu assistente, Edin Terzic, assume o comando da equipe até o fim da atual temporada, tendo Sebastian Geppert, técnico do sub-17, e Otto Addo, diretor das categorias de base, como seus assistentes.

Diretor-executivo do BVB, Hans-Joachim Watzke agradeceu a Favre por seu trabalho nos últimos dois anos e meio, “em que ele e sua equipe terminaram em segundo lugar (da Bundesliga) duas vezes. Sem dúvida alguma, Lucien Favre é um grande profissional e uma grande pessoa”.

Favre assumiu o comando do Borussia Dortmund em 2018, um ano mais tarde do que o clube pretendia. Os aurinegros haviam tentado recrutar o suíço em 2017, após a saída de Thomas Tuchel para o PSG, mas tiveram inicialmente uma recusa do treinador. A opção por Peter Bosz naquela temporada não deu resultado, o técnico foi demitido no meio da campanha, e Peter Stöger terminou a Bundesliga 2017/18 à frente da equipe.

A principal missão de Favre ao chegar ao BVB era colocar ordem na defesa do time. Teve certo sucesso nisso inicialmente, mas colecionou decepções já em sua primeira temporada ao cair nos jogos grandes, sobretudo contra Bayern de Munique e Schalke 04. Na Champions League, foi eliminado pelo Tottenham e caiu também na Copa da Alemanha, diante do Werder Bremen.

Depois de uma primeira metade de segunda temporada repleta de frustrações, com o time criando oportunidades e marcando gols lá na frente, mas sucumbindo na defesa e entregando pontos importantes, Favre conseguiu dar uma resposta no primeiro semestre de 2020. Solidificou a defesa ao adotar uma nova formação, indo de uma variação entre 4-2-3-1 e 4-3-3 para um 3-4-3, mas mesmo esta solução não durou muito. Caiu para o Bayern nos confrontos diretos pela Bundesliga, foi novamente vítima do Werder Bremen na Copa da Alemanha e, por fim, foi eliminado da Champions League passada pelo PSG.

A direção do Dortmund foi paciente em meio a este período, mas o treinador iniciou a temporada atual já sob muitas críticas por parte da torcida. “Confortável” em sua escolha de sistema, o suíço não mostrou evolução tática ou de desempenho, contando muito com a qualidade individual de seu talentoso elenco para conquistar várias de suas vitórias.

A derrota para o Bayern de Munique na Supercopa da Alemanha, especialmente pela maneira como aconteceu, com o treinador tirando de campo Reus e Haaland no momento em que buscava a virada para colocar os garotos Reinier e Reyna, e por fim o 5 a 1 deste fim de semana contra o Stuttgart pesaram bastante na avaliação do fracasso deste início de terceira temporada.

Os excelentes trabalhos de Favre no Borussia Mönchengladbach e no Nice não podem ser esquecidos, mas seu insucesso no Dortmund parece desenhar claramente o patamar a que pertence o treinador suíço. Favre terá mercado, mas dificilmente será em alguma equipe de ponta das grandes ligas europeias e deve isso à sua própria limitação, escancarada em sua incapacidade de fazer funcionar um grupo tão talentoso como este BVB.