Bundesliga

Dortmund não desiste e busca virada contra o Leverkusen em jogo insano

Haaland decide marcando duas vezes em partida com desfecho polêmico na BayArena

Quando dois grandes se enfrentam, o melhor cenário de todos é o de uma partida imprevisível. E foi exatamente isso que Bayer Leverkusen e Borussia Dortmund entregaram na BayArena, neste sábado, pela quarta rodada da Bundesliga. Os aurinegros venceram por 4 a 3 e mostraram poder de reação após estarem perdendo por grande parte do duelo.

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A palavra-chave para os comandados de Gerardo Seoane é eficiência. Até aqui, na Bundesliga, os Aspirinas conseguiram duas vitórias marcando quatro gols em cada. O desafio, claro, era bem maior para o Bayer, que mesmo como mandante, teria o sempre perigoso Dortmund como adversário em um duelo de ataques assustadores. Quando rivais tão parecidos se encaram, o resultado quase sempre é bem empolgante.

Futebol quase inconsequente

Demorou menos de dez minutos para sair o primeiro gol: Florian Wirtz, novo candidato a melhor do time do Leverkusen, marcou o seu. Foi uma descida rápida e letal, surpreendendo a defesa do Dortmund, que parecia um tanto lenta. Os visitantes, por sinal, levaram como uma ofensa o gol logo cedo. Assumiram o controle em campo e infernizaram a bem postada linha defensiva dos mandantes. Era, portanto, questão de tempo para o empate. 

Ele veio com Erling Haaland, de cabeça, após boa jogada de Thomas Meunier. E foi essa a tônica do clássico: domínio amarelo, mas contragolpes elétricos do Leverkusen, do jeito que o povo gosta, com times que não tinham medo de atacar e nem de serem atacados. A alternância de poder era evidente. Jude Bellingham teve um gol anulado pelo VAR por uma falta no início do lance, mas quem saiu para o intervalo em vantagem foi o Bayer, que achou um belo gol aos 45 minutos nos pés de Patrik Schick, batendo no cantinho da meta de Gregor Köbel.

O Dortmund já perdeu pontos demais no campeonato para quem tem tantas ambições, ainda que estejamos apenas na quarta rodada, e sem o esperadíssimo jogo contra o Bayern de Munique. O revés inesperado diante do Freiburg há algumas semanas colocou uma pressão excessiva nas costas do elenco, que não podia se permitir perder mais uma vez. Na segunda etapa, Marco Rose deu o famoso all in e deixou o time ainda mais ofensivo. Sacou Axel Witsel e botou Donyell Malen para atormentar o Bayer. Ao perder poder de marcação no meio-campo, sua equipe ficou vulnerável. Mas a jogada deu certo para Rose, ainda que com muito sofrimento.

Vai ter chiadeira

A coisa começou a mudar quando o contestado Julian Brandt resolveu aparecer para o jogo. O ex-Bayer empatou tudo na volta do intervalo com um golaço no canto superior de Lucas Hradecky. O que o Dortmund parecia estar esperando era mais um golpe em sua retaguarda: o lépido Moussa Diaby se enfiou entre os defensores e pegou um rebote para colocar os donos da casa à frente.

Pouco mais de 15 minutos depois, os aurinegros buscaram a igualdade em uma cobrança de falta de Raphael Guerreiro, quase como numa tacada de golfe no ângulo da meta dos Aspirinas. Faltavam quase vinte minutos no relógio e ninguém sabia o que poderia acontecer. Aí, para jogar um ar ainda mais tenso de dúvida em tamanho espetáculo, a arbitragem de Daniel Siebert entrou em cena: durante um lance em que o zagueirão Odilon Kossounou protegia a bola, seu braço erguido no rosto de Marco Reus acabou gerando um pênalti bastante controverso. Houve certo excesso do de Kossounou, mas a torcida ficou na bronca. O VAR interferiu e Siebert resolveu assinalar a penalidade: Haaland bateu e virou para o Dortmund, pela última vez. Já virou rotina ver o gigante norueguês salvando o dia.

Uma partidaça como essa certamente não precisava de uma polêmica para estragar a boa sensação causada pelo futebol apresentado. Mas serviu para equilibrar ainda mais as coisas no âmbito da classificação. O Dortmund se mantém no pelotão superior com 9 pontos e derruba o Bayer para o quinto posto (o Bayern pode ultrapassar se vencer o RB Leipzig). Ambos seguem de perto o líder Wolfsburg, que atropelou e segue com 100% de aproveitamento. 

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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