Bundesliga

Dez anos depois, 20 motivos que tornam inesquecível o Dortmund campeão da Bundesliga 2010/11

No início da última década, o Borussia Dortmund era um dos clubes mais legais de se acompanhar em toda Europa. Existiam muitos motivos para se sentar diante da TV e assistir aos aurinegros: o espetáculo da torcida, um futebol ofensivo, jovens talentosíssimos, um treinador genial que começava a surgir. E em 30 de abril de 2011, o BVB deu mais motivos para que os olhos do mundo se voltassem ao Signal Iduna Park: depois de nove anos, o clube reconquistou a Bundesliga. Uma campanha impecável, que eternizava com todos os méritos o que acontecia dentro e fora de campo.

O título da Bundesliga 2010/11, afinal, possui um quê de conto de fadas. O Dortmund praticamente renascia, depois de beirar a bancarrota poucos anos antes. O clube se reergueu num projeto calcado na torcida e que dependia de um trabalho minucioso na montagem do elenco, apostando em sangue jovem. Entre promessas criadas na base e outras descobertas em vários cantos do planeta, o BVB reunia nove jogadores com 22 anos ou menos entre os 13 que disputaram mais de mil minutos no campeonato. À frente daquela garotada, Jürgen Klopp, no terceiro ano de um projeto transformador – ao clube e à sua carreira.

Aquele Borussia Dortmund faria mais. Conquistaria o bicampeonato da Bundesliga, numa campanha ainda melhor que a anterior, e alcançaria a final da Champions após 16 anos de hiato. Pela idade dos envolvidos, dava até para imaginar um sucesso mais duradouro, mas as vendas de muitos daqueles talentos e também o declínio precoce de parte dos destaques encurtou os planos. A Bundesliga de 2010/11, de qualquer forma, serve de marco inicial a um período inesquecível no Signal Iduna Park. Abaixo, recordamos 20 motivos que fazem daquela temporada tão especial.

O Signal Iduna Park em 30 de abril de 2011 (Foto: Imago / One Football)

– O renascimento do Dortmund

O Borussia Dortmund se restabeleceu como uma força na Bundesliga na virada do século. O bicampeonato nacional em 1994/95 e 1995/96 seria complementado pela histórica conquista da Champions League em 1996/97. Aquele time repleto de medalhões teria um prazo de validade mais curto, mas o BVB voltou ao topo em 2001/02, com outra equipe célebre que também seria vice na Copa da Uefa. Porém, o sucesso em campo não significava uma boa gestão. A entrada do clube no mercado de ações em 2000 prometia expandir as receitas, mas a verdade é que as dívidas se tornaram massivas naquela década, na casa dos €100 milhões, e a má gestão dos recursos, com gastos desenfreados, afundou os aurinegros. O risco de falência era real, com a necessidade de vender propriedades e cortar salários. Foi preciso realizar até mesmo um empréstimo de €2 milhões junto ao Bayern de Munique para pagar licenças. Enquanto isso, presidente e diretor renunciaram, com as chegadas de Reinhard Rauball e Hans-Joachim Watzke para salvar o barco em 2005.

Nesta época aconteceu a venda dos naming rights do então chamado Westfalenstadion, rebatizado como Signal Iduna Park. Sem que o Dortmund conseguisse garantir o dinheiro oferecido pela participação nas copas europeias, com campanhas medianas na Bundesliga, destaques como Tomás Rosicky acabaram vendidos para fazer dinheiro. As arquibancadas cheias acabavam evitando um cenário pior, diante do rombo. A equipe sentia os impactos da crise e, declinando pouco a pouco, chegou a correr riscos de rebaixamento entre 2006/07 e 2007/08. Nada indicava uma recuperação rápida e os tempos gloriosos, tão recentes, iam ficando no passado. Era necessário buscar um novo caminho.

A aposta do Dortmund para esta revolução tinha nome e sobrenome: Jürgen Klopp. O treinador vinha de um trabalho excepcional à frente do Mainz 05, promovendo uma equipe historicamente modesta à elite do futebol alemão. Em sua contratação, os aurinegros entregavam as chaves do Signal Iduna Park ao novo comandante. Havia uma alta expectativa desde já. Quando ocorreu o anúncio, o chefe-executivo Hans-Joachim Watzke previu: “Acho que uma época empolgante vai começar agora”. Mais do que um técnico de vanguarda, Klopp já era reconhecido por sua personalidade carismática. Seria o homem certo para injetar energia no BVB. Ver a reconquista da Bundesliga apenas três anos depois de sua chegada representa muito, ainda mais observando a crise financeira e esportiva que o clube havia encarado pouco antes.

Klopp e a torcida no jogo do título (Foto: Imago / One Football)

– A prova cabal dos méritos de Klopp

O processo não seria automático, claro, mas os sinais de que a ascensão aconteceria vieram logo. A primeira campanha com Klopp, na Bundesliga 2008/09, seria bem mais estável. O Dortmund permaneceu o tempo todo na parte superior da tabela e, se não teve forças para brigar por títulos, ao menos conseguiu terminar numa satisfatória sexta colocação. A equipe estava em reconstrução e, até pelas limitações nos cofres, o treinador precisava fazer limonada com poucos limões. As estrelas passavam longe do Signal Iduna Park naquela época, enquanto o intuito era realmente construir uma espinha dorsal jovem que pudesse render por mais tempo.

A segunda temporada de Klopp, em 2009/10, guardou um pouco mais de desconfiança. A equipe não começou bem a Bundesliga, com somente uma vitória nas primeiras sete rodadas. Chegou a ser goleada pelo Bayern por 5 a 1 e a derrota no clássico contra o Schalke deixou os aurinegros apenas uma posição acima da zona de rebaixamento. O time, além do mais, seria eliminado pelo modesto Osnabrück na Copa da Alemanha. A recuperação aconteceu ainda no primeiro turno, quando uma série invicta de 12 partidas levou o Dortmund à zona de classificação à Liga Europa. Ficaria por ali até o fim, fechando o campeonato na quinta colocação.

O Dortmund não ganharia tantos reforços assim para 2010/11, embora algumas adições pontuais tenham sido importantes. Mais notável foi a continuidade que existiu nos aurinegros. Havia uma certeza de que Klopp era o homem certo à missão e os laços se estreitaram com o passar dos anos. Naquele momento, a prioridade era incutir uma mentalidade vencedora no grupo e estabelecer um padrão de jogo. Foi o que aconteceu, com o BVB ganhando consistência e emendando vitórias. Talentos promissores logo explodiram. Klopp não impunha limites ao seu jovem grupos e, logo, ficou comprovada sua enorme capacidade como diretor de orquestra. Não era apenas uma figura engraçada ou um técnico de time pequeno. Ele seria a face da retomada de um dos clubes mais tradicionais da Alemanha, fazendo muito com pouco.

Os jogadores festejam com a Muralha Amarela (Foto: Imago / One Football)

– Os garotos e a qualidade na captação de talentos

O Dortmund que conquistou a Bundesliga 2010/11 tinha a menor média de idade entre os campeões nacionais no país. Durante um clássico contra o Bayern, Klopp escalou uma equipe com média de 22,3 anos, a menor já registrada em uma partida da competição até então. Havia muita responsabilidade do treinador nisso, não só por extrair o melhor futebol de uma série de prodígios, mas também por incutir uma dose cavalar de confiança. E, indo além do comandante, o próprio Dortmund realizava um trabalho fantástico para aprimorar os pratas da casa e também vasculhar opções no mercado.

O elenco do Dortmund que conquistou a Bundesliga em 2010/11 tinha dez jogadores projetados nas categorias de base do clube. Oito deles tinham sido promovidos a partir da chegada de Klopp, cinco deles naquela mesma temporada. Nuri Sahin era um prodígio já conhecido, ganhando as primeiras chances como titular aos 16 anos, a partir de 2005. Mas outras crias da casa se tornariam fundamentais, num trabalho de formação que serviria de parâmetro a muitos clubes. Mario Götze se alçou como projeto de craque naquele momento, se firmando no 11 inicial aos 18 anos. Da mesma forma, Marcel Schmelzer seria dono da posição por anos.

Mas não era apenas por causa da base que o Dortmund se tornou tão forte com Klopp. A observação no mercado de transferências era um diferencial. Nas três primeiras temporadas com o treinador, o BVB não gastou mais que €30 milhões totais. Para efeito de comparação, foram desembolsados €50 milhões apenas na temporada do título em 2001/02, com €110 milhões totais contando também os dois anos anteriores. Tudo bem que, naquela época, Amoroso chegou como artilheiro da Serie A e Rosicky era uma sensação no Sparta Praga. Depois disso, os negócios se tornaram bem mais modestos – e não menos cirúrgicos.

Ao todo, 17 jogadores da equipe campeã foram contratados a partir de 2008, oito deles mais frequentes entre os titulares. Patrick Owomoyela e Mohamed Zidan eram raros medalhões, mas pouco utilizados. A primeira fornada de reforços incluiu a vinda de Neven Subotic, atleta de Klopp no Mainz. Na segunda, o Dortmund buscaria os gols de Lucas Barrios no Colo-Colo, assim como pinçou o promissor Sven Bender do Munique 1860 e descobriu no Rot-Weiss Ahlen o coringa Kevin Grosskreutz. Já na terceira temporada, a do título, a contratação mais cara de Klopp era o jovem goleador do Lech Poznan chamado Robert Lewandowski, que não custou mais do que €4,75 milhões. Veio na mesma época de Lukasz Piszczek, então no Hertha, e de Shinji Kagawa, revelação do Cerezo Osaka. Juntos, todos eles valiam o mesmo preço que o Bayern pagou em Mario Gómez em 2009. Em campo, valeram bem mais.

A festa do título (Foto: Imago / One Football)

– Um futebol de tirar o fôlego

No papel, o time do Borussia Dortmund não era o mais empolgante antes do início da Bundesliga 2010/11. Ficava difícil querer comparar esse grupo de jovens, muitos ainda desconhecidos do grande público, com alguns concorrentes estrelados. “Com a manutenção da base do Bayern de Munique e as contratações de impacto feitas por outros rivais, porém, o título parece improvável para os aurinegros, embora eles certamente tenham potencial para buscar uma vaga na Liga dos Campeões”, avaliava, na época, o Guia do Campeonato Alemão aqui da Trivela – assinado pelo amigo Pedro Venancio.

O Bayern de Munique, para começar, era vice da Champions e tinha levado o título anterior na Bundesliga. O time de Louis van Gaal reunia Philipp Lahm, Mark van Bommel, Bastian Schweinsteiger, Franck Ribéry, Arjen Robben, Miroslav Klose, Mario Gómez e Thomas Müller, apenas para ficar em alguns nomes. O Wolfsburg, campeão dois anos antes, ainda tinha Edin Dzeko e Grafite, com a adição de Mario Mandzukic. O Bayer Leverkusen havia repatriado Michael Ballack, num meio-campo com Arturo Vidal. O Schalke segurava Manuel Neuer no gol, além de Raúl e Klaas-Jan Huntelaar no ataque. O Hamburgo trazia Ruud van Nistelrooy e Zé Roberto, enquanto o Werder Bremen tinha Claudio Pizarro e Torsten Frings.

Se individualmente o Dortmund não se sugeria (ao menos antes da temporada) um candidato tão claro ao título, essa história seria diferente quando a Bundesliga começou. Afinal, o jogo coletivo dos aurinegros esteve muito à frente dos adversários naquela temporada. O rock’n’roll de Jürgen Klopp se tornava mais afinado. Ainda não seria uma equipe tão avassaladora ofensivamente, com o total de gols abaixo do que se viveria nas temporadas seguintes. Mesmo assim, o estilo de jogo vertical e de enorme pressão sem a bola começava a se consagrar no Signal Iduna Park. Naquela época, garantindo até mais segurança defensiva, algo chave para que o BVB deslanchasse rumo à Salva de Prata.

Um diferencial naquele Dortmund era combinar um meio-campo de operários e virtuosos. Sven Bender e Nuri Sahin se complementavam muito bem na cabeça de área. Já na trinca de meias do 4-2-3-1, Klopp podia contar com variações que reuniam jogadores mais técnicos como Shinji Kagawa e Mario Götze, mas que também se valia do trabalho incansável de Kevin Grosskreutz e Jakub Blaszczykowski, assim como injetava poder de finalização com Robert Lewandowski recuado por ali. Havia uma sintonia clara e uma solidariedade que mostrava como o BVB podia controlar os espaços e aplicar seu jogo. A velocidade servia como um fator central ao sucesso dos aurinegros. E isso transformava o time num dos mais legais de se assistir na época.

A emoção da torcida (Foto: Imago / One Football)

– A arrancada insana no primeiro turno

O Borussia Dortmund começou a temporada 2010/11 com derrota. Os aurinegros receberam o Bayer Leverkusen no Signal Iduna Park e viram os Aspirinas saírem com a vitória por 2 a 0. Tranquillo Barnetta e Renato Augusto construíram o resultado ainda no primeiro tempo. O revés fez Klopp prometer que seu time não mais perderia naquela temporada. Suas palavras não se cumpriram até o final, mas duraram o primeiro turno quase inteiro. Nas 15 rodadas seguintes, o BVB conquistou 14 vitórias e sofreu apenas um empate. Assim, pavimentou seu caminho ao título logo cedo. A arrancada, aliás, apaziguou decepções paralelas. O BVB caiu na segunda fase da Copa da Alemanha, perdendo nos pênaltis para o Kickers Offenbach, então na terceira divisão. Já na Liga Europa, o time ficou na fase de grupos, superado por Sevilla e Paris Saint-Germain. Nada que gerasse turbulências o suficiente, diante da arrancada no Campeonato Alemão.

Aquele momento brilhante guardou vitórias de peso. Para começar, o Dortmund derrotou Stuttgart e Wolfsburg, times que haviam levado a Salva de Prata pouco antes. Depois, ganharam o clássico contra o Schalke. Na sétima rodada, bateram também o Bayern de Munique. Mas o jogo mais emblemático daquele primeiro turno aconteceu na décima rodada, contra o surpreendente Mainz 05. O BVB até havia assumido a liderança ao vencer o Colônia e emendar o sétimo triunfo consecutivo. Porém, no compromisso seguinte, empatou com o Hoffenheim e permitiu que o Mainz tomasse a dianteira, com 24 pontos em 27 possíveis. O time de Thomas Tuchel empolgava, num duelo que tinha conotações tão especiais a Klopp, de volta à velha casa.

Dentro da Opel Arena, o Dortmund não se intimidou com uma equipe que tinha nomes como André Schürrle, Lewis Holtby, Paul Caligiuri, Christian Fuchs e Adam Szalai – além de Bo Svensson, atual treinador do Mainz. Com um gol em cada tempo, os aurinegros ganharam por 2 a 0 e subiram à primeira colocação, para não sair mais. Götze abriu o placar num lindo lance individual e, por mais que o Dortmund criasse as melhores chances, dependeu de um pênalti defendido por Roman Weidenfeller no início do segundo tempo. Só depois que Barrios matou o jogo, com assistência de Götze. Depois disso, o BVB ainda venceria mais seis partidas seguidas, abrindo 11 pontos de vantagem após 16 rodadas. Somente no último duelo do primeiro turno que o time perdeu novamente, batido pelo Eintracht Frankfurt de Theofanis Gekas por 1 a 0.

Klopp é lançado para o alto (Foto: Imago / One Football)

– Bayern amassado em casa e fora

Se o Dortmund foi a sensação da Bundesliga 2010/11, o Bayern de Munique pode ser considerado como a grande decepção. Mesmo com a excelente temporada anterior, o time de Louis van Gaal não repetiu o mesmo nível de desempenho. O desgaste da Copa do Mundo parecia pesar e nem todos os astros renderam o esperado. Arjen Robben, além do mais, passou um tempo no estaleiro lidando com uma de suas infindáveis lesões. O BVB ganhou os compromissos contra os bávaros nos dois turnos – o que só tinha acontecido antes em duas temporadas, 1965/66 e 1991/92, e se repetiria apenas em 2011/12. A supremacia no Klassiker, aliás, é um dos traços mais marcantes daquele período vitorioso dos aurinegros.

No primeiro turno, o Dortmund aproveitou os espólios do péssimo início de campanha do Bayern. Os bávaros visitaram o Signal Iduna Park no nono lugar, com oito pontos conquistados em seis rodadas. E perderam para os aurinegros, por 2 a 0. O Bayern teve as melhores chances do primeiro tempo, mas foi na segunda etapa, diante da Muralha Amarela, que o Dortmund construiu o resultado. Barrios marcou o primeiro num chute desviado e Sahin ampliou num golaço de falta. Ainda quase veio o terceiro, mas Barrios carimbou a trave. Já no segundo turno, o líder BVB visitou a Allianz Arena com uma vantagem de 13 pontos em relação aos rivais, na terceira colocação. A diferença aumentou um pouco mais, com o triunfo aurinegro por 3 a 1. Barrios abriu o placar e Luiz Gustavo empatou, mas aos 18 já saía o segundo, com Sahin batendo de fora da área. No segundo tempo, a Lei do Ex fecharia o caixão, numa cabeçada certeira de Hummels.

A trave até envergou (Foto: Imago / One Football)

– Contra o badalado Schalke, um feito maior

A temporada de 2010/11 guarda boas lembranças ao Schalke 04, ainda mais se comparada às penúrias atuais. Aquele foi o último grande ano na Veltins Arena, com a caminhada até as semifinais da Champions e o último título na Copa da Alemanha. Os Azuis Reais contavam com um timaço, estrelado por Raúl, mas que também via despontar nomes como Neuer, Huntelaar, Rakitic, Höwedes e Draxler. Porém, na Bundesliga, o desempenho foi fraco e o Schalke terminou no 14° lugar, quatro pontos acima da zona de rebaixamento – o que levou Felix Magath a ser demitido, substituído por Ralf Rangnick já na reta final da campanha. Olhando para a tabela final, o Dortmund riu por último.

É preciso ponderar que, nos anos anteriores, o lado forte da rivalidade era o de Gelsenkirchen. Enquanto o Schalke vivia sua bonança e contratava astros internacionais, o Dortmund contava suas moedas. Uma das maiores alegrias dos aurinegros durante a seca tinha sido exatamente atrapalhar o título dos rivais, com a memorável vitória na penúltima rodada em 2006/07. Quatro temporadas depois, seria a vez do BVB vencer para buscar sua taça. No primeiro turno, dentro da Veltins Arena, o time de Klopp ganhou por 3 a 1. Aquele seria um jogo especial para Kagawa, que fez os dois primeiros gols. Quem também não se esquece é Lewandowski, que marcou seu primeiro tento pela Bundesliga. Só no fim Huntelaar descontou. Com quatro derrotas nas quatro primeiras rodadas, o Schalke era lanterna. Já no segundo turno, no meio da tabela, os Azuis Reais se contentaram com o empate por 0 a 0 no Signal Iduna Park.

O Signal Iduna Park (Foto: Imago / One Football)

– Superando o Leverkusen, a principal ameaça

A vitória dentro do Signal Iduna Park na primeira rodada não tinha sido por acaso. De fato, o Bayer Leverkusen foi o principal perseguidor do Borussia Dortmund. Os Aspirinas eram treinados por uma velha raposa do futebol alemão: Jupp Heynckes, que parecia relegado ao ostracismo, mas recuperou seu moral na BayArena – e logo depois voltaria ao Bayern de Munique para viver a melhor temporada da carreira. Em campo, o Leverkusen também era forte o suficiente. Ballack era a estrela da companhia, recém-trazido do Chelsea, enquanto Sami Hyypia usava a braçadeira de capitão. O time contava com atletas da seleção, a exemplo de Rene Adler, Simon Rolfes e Stefan Kiessling. Arturo Vidal e Renato Augusto eram talentos em ascensão.

Aquele triunfo por 2 a 0 no Signal Iduna Park deixou o Dortmund mordido para o reencontro no segundo turno. E o resultado na BayArena seria importante não apenas pela revanche ou por ser um confronto direito, mas também porque o BVB havia perdido a rodada anterior, antes da pausa de inverno. Se o Leverkusen ganhasse, a diferença se reduziria para sete pontos. Não foi o que ocorreu. Os aurinegros cravaram o triunfo por 3 a 1 na casa dos adversários. Grosskreutz foi o inesperado herói com dois gols, enquanto Götze complementou o vareio estabelecido nos dez primeiros minutos do segundo tempo. Kiessling descontou no fim. “Eles jogam um futebol elegante, imaginativo e apaixonado”, sentenciaria Heynckes, após o revés. Ao longo do segundo turno, o Leverkusen até somou mais pontos que o BVB, mas derrotas para Bayern e Colônia na reta final atrapalharam as pretensões dos Aspirinas.

Subotic desaba no gramado (Foto: Imago / One Football)

– Um segundo turno sem sobressaltos e a festa do título

O Borussia Dortmund foi superior no primeiro turno, somando 11 pontos a mais que seu desempenho no segundo. De qualquer maneira, não é que a metade final da campanha botou em xeque a conquista dos aurinegros. A menor vantagem da equipe no returno foi de cinco pontos. A questão é que os empates se tornaram mais frequentes. O BVB até venceu Wolfsburg e Bayern no início do segundo turno. Sofreria sua segunda derrota contra o Hoffenheim, único time que não venceu naquela campanha. Além disso, empates contra Mainz e Hamburgo tiraram um pouco do embalo em abril, mas nada que tenha atrapalhado verdadeiramente o sono de Klopp.

Faltando cinco rodadas, o Dortmund voltou a abrir oito pontos de vantagem ao derrotar o Freiburg por 3 a 0. O título já poderia ter vindo em 23 de abril, quando os aurinegros visitaram o lanterna Borussia Mönchengladbach. Os Potros, que protagonizariam uma fantástica fuga liderada por Marco Reus e Marc-André ter Stegen, ganharam dos líderes por 1 a 0. Assim, o jogo decisivo aconteceria na antepenúltima rodada, dentro do Signal Iduna Park. Do outro lado, estava o Nürnberg, que fazia uma boa campanha e desfrutava do talento de Ilkay Gündogan na meiuca. Nada que tenha barrado o Dortmund. A vitória por 2 a 0 selou a glória. Barrios marcou o primeiro num rebote e, de cobertura, Lewandowski fez a torcida explodir de vez antes do intervalo. Para ajudar, o Colônia bateu o Leverkusen por 2 a 0 e terminou de fazer o serviço, ao ampliar novamente para oito pontos a diferença na tabela. Segundo o próprio Klopp, seus jogadores até perderam a concentração durante o segundo tempo, com as notícias do outro jogo e a empolgação nas arquibancadas.

O apito final guardou uma erupção no Signal Iduna Park. O momento inesquecível a qualquer membro daquele timaço. O Dortmund reconquistava a Bundesliga depois de nove anos, e todos os méritos estavam expressos. E a história era ainda mais profunda pelo próprio contexto, de um clube que temeu o pior, mas se consolidava para desfrutar novamente o sucesso. A Salva de Prata ainda não foi entregue, mas os jogadores se contentaram com um troféu de mentirinha. Klopp era o mais ensandecido, tomando um banho de cerveja. Grosskreutz teve seu cabelo raspado por Felipe Santana, Kuba carregava Sahin com a perna engessada, Dedê era lançado para o alto. Até a trave envergou com os jogadores em cima, numa tarde sem fim. Na penúltima rodada, o BVB perdeu na visita ao Werder Bremen. A comemoração se completou na rodada final, em casa, com os 3 a 1 sobre o Frankfurt. Os aurinegros fechavam a campanha com 75 pontos, sete a mais que o segundo colocado, o Bayer Leverkusen – e dez a mais que o Bayern, apenas o terceiro.

Klopp tomou um banho de cerveja (Foto: Imago / One Football)

E sobre a ressaca do primeiro título, vale relembrar a impagável história contada por Klopp, no documentário do Amazon Prime: “Não recordo de muita coisa que tenha sentido. Estava realmente bêbado, algo que deu para notar em algumas entrevistas. Mas eu me lembro de uma coisa, não tenho certeza se falei antes com alguém. Eu acordei em um caminhão dentro de uma garagem, depois daquela noite. Estava sozinho. Eu me lembro disso, mas não tenho nem ideia do que aconteceu nas horas anteriores. Assim que saí do caminhão, entrei em um grande pátio de fábrica e vi a silhueta de um homem. Era Aki Watzke. Assobiei e vi que ele diminuiu o passo. Éramos as únicas pessoas naquele enorme espaço”.

Segundo Hans-Joachim Watzke, diretor executivo do Dortmund, Klopp estava “acabado”, mas sempre se divertia. Ambos saíram do local e precisavam se dirigir às celebrações do título, mas as ruas estavam fechadas justamente por causa do cortejo aos jogadores. Poucos carros passavam por ali. Conseguiram parar uma caminhonete e o motorista, um rapaz de origem turca, inicialmente se negou a dar carona. Só aceitou depois que o dirigente tirou dinheiro do bolso e ofereceu €200 pela viagem ao centro da cidade.

“Aki se sentou na frente e eu fiquei atrás, batendo minha cabeça. Ouvi um cacarejo e pensei que estava sonhando, mas a caçamba estava cheia de galinhas”, rememorou Klopp. “Então precisamos atravessar os bloqueios nas ruas. Aki gritava pela janela e as pessoas diziam: ‘Oh, Herr Watzke! Passe, por favor!’. Mas não me lembro de muito mais”. Watzke ainda revelou que o motorista carregava três novilhos que tinham acabado de sair do abate, algo que o treinador sequer percebeu. No final, puderam se juntar à festa.

Weidenfeller, o capitão (Foto: Imago / One Football)

– A glória para Weidenfeller e Kehl

Um dos jogadores que mais mereciam aquela conquista era Roman Weidenfeller. O goleiro chegou ao Dortmund exatamente em julho de 2002, após o título da Bundesliga, e teria que esperar nove anos até sua própria glória. Sucessor de Jens Lehmann, o camisa 1 trazido do Kaiserslautern se manteve como titular durante a maior parte desse tempo – e tantas vezes acabava subestimado, pelo alto nível que exibia. No fim, 2010/11 selou o tão aguardado reconhecimento. Weidenfeller sofreu apenas 21 gols em 33 partidas disputadas, com 14 partidas sem buscar a bola no fundo das redes. Pegou inclusive um pênalti naquela campanha, contra Eugen Polanski, no importante embate com o Mainz 05 durante o primeiro turno. Aos 29 anos, seu lugar na galeria de lendas estava assegurada, usando a braçadeira de capitão na entrega da Salva de Prata.

Ao seu lado, outro dentre os mais antigos no elenco era Sebastian Kehl. O meio-campista foi trazido do Freiburg em janeiro de 2002 e virou titular na reta final daquela conquista de 2001/02. Porém, mais do que a fidelidade em tempos de vacas magras, o veterano de 30 anos precisou enfrentar diversos dramas pessoais pelas frequentes lesões. A temporada 2010/11 ainda não veria o meio-campista saudável, disputando só seis partidas naquela campanha, com uma ruptura no tendão de Aquiles e uma cirurgia no joelho. Mas, como uma liderança expressa nos vestiários e uma voz ativa ao lado de Klopp, teria sua redenção. No bicampeonato, recuperado, daria uma contribuição bem maior em campo.

Dedê é lançado para o alto (Foto: Imago / One Football)

– Uma despedida especial para Dedê

O grande símbolo do Borussia Dortmund naqueles tempos, entretanto, era Dedê. O lateral permanece como um dos jogadores mais queridos do Signal Iduna Park. O brasileiro não era necessariamente o mais habilidoso, mas sempre exibia uma enorme entrega e um respeito à camisa. Parte do clube a partir de 1998, não o abandonou em meio às dificuldades. E, em 2010/11, acabou se tornando o grande elo com a geração de 2001/02. Aos 32 anos, o veterano já vinha perdendo espaço gradualmente para Marcel Schmelzer desde a chegada de Klopp e disputou somente quatro partidas na campanha do título. Um deles foi exatamente a rodada final contra o Eintracht Frankfurt, quando entrou no segundo tempo e recebeu o máximo carinho dos aurinegros. Merecia. Aquele foi seu último jogo oficial pelo clube. Dedê encerrou a carreira no Eskisehirspor e voltou para um jogo de despedida no Signal Iduna Park em 2015, diante de 80 mil torcedores. O Dortmund de 2010/11 tinha ainda outros dois brasileiros: o zagueiro Felipe Santana e o meia Antônio da Silva, opções recorrentes entre os reservas.

A comemoração (Foto: Imago / One Football)

– Um sistema defensivo imutável

O Dortmund tinha uma equipe titular que raras vezes variava. O sistema defensivo, sobretudo, sofria poucas alterações e correspondia à solidez da equipe que sofreu apenas 22 gols. Roman Weidenfeller, Lukasz Piszczek, Mats Hummels, Neven Subotic e Marcel Schmelzer somaram pelo menos 31 partidas cada um. Schmelzer, aliás, foi o único atleta que disputou absolutamente todos os minutos daquela campanha. O lateral tinha raízes profundas no Signal Iduna Park, trazido do Magdeburg ao Dortmund Sub-19 em 2005. Ganhou as primeiras chances como profissional com Klopp e virou uma das referências daquela equipe. No fim daquela campanha, o lateral fez parte da seleção ideal votada pela revista Kicker. Outro que merece destaque é Sven Bender. O volante teria uma carreira muito prejudicada pelas lesões, mas, naquele momento, aos 21 anos, viveu sua melhor temporada. Foram 31 partidas, sempre providenciando uma enorme proteção na cabeça de área.

Hummels admira o troféu de papelão (Foto: Imago / One Football)

– A explosão de Hummels

O maior talento da zaga daquele Borussia Dortmund era Mats Hummels. Filho do coordenador da base do Bayern, o zagueiro parecia não ser levado a sério pelos bávaros e, nos primeiros anos de carreira, disputou só um jogo pela Bundesliga. Ficava claro como, para progredir, tinha que trilhar seu próprio caminho. Chegou de início por empréstimo ao Dortmund, disputando a metade final da temporada 2007/08. Virou uma figura importante com Klopp, ganhando a titularidade em 2009/10, o que o alçou à seleção e ao time ideal do campeonato naquela edição da Bundesliga. Mas nada comparado ao ápice em 2010/11. Segundo a pontuação da revista Kicker, Hummels foi o melhor jogador daquela temporada. O beque exibia uma qualidade técnica imensa, seja para dar combate, seja para construir a partir de trás. Formava uma dupla memorável com Neven Subotic, um zagueiro igualmente acima da média, mas mais durão. Juntos, foram uma das bases ao sucesso. Hummels ainda marcou cinco gols na liga, além de dar a assistência para Lewandowski no gol que definiu o título.

Kuba carrega Sahin (Foto: Imago / One Football)

– O ápice de Sahin

Nuri Sahin sempre foi tratado como uma pérola pelo Borussia Dortmund. O descendente de turcos nascido na cidade de Lüdenscheid chegou ao BVB em 2001 e, quatro anos depois, já aparecia no time profissional. Tinha apenas 16 anos quando estreou, se tornando o mais jovem a disputar uma partida da Bundesliga, em recorde só quebrado por Youssoufa Moukoko. Tudo bem que o período de dificuldades do Dortmund abria mais espaço à base, mas o garoto logo brilharia e viraria titular. Sahin ainda seria emprestado ao Feyenoord, antes de se tornar o esteio da equipe de Jürgen Klopp. Era um meio-campista criativo, de ótimos passes, e que também se projetava para definir. Sua temporada em 2009/10 tinha sido muito boa. Porém, em 2010/11, o camisa 8 foi sublime. Aos 21 anos, Sahin viveu seu melhor futebol. Foram seis gols e oito assistências do volante, que brilhou em algumas partidas vitais, em especial nas duas contra o Bayern. Jogava e fazia o time jogar. Com uma lesão no joelho, Sahin não participou dos últimos quatro jogos. E, depois de ser vendido ao Real Madrid, nunca mais seria o mesmo. Prova de seu auge, foi eleito pela Kicker o melhor jogador daquela Bundesliga, ficando também em terceiro na pontuação da revista.

Kagawa e sua medalha (Foto: Imago / One Football)

– A descoberta de Kagawa

Shinji Kagawa despontou num momento difícil do Cerezo Osaka, que disputava a segunda divisão do Campeonato Japonês. O meia encadeou três edições seguidas na segundona, crescendo gradativamente. E seu desempenho quando o time selou a promoção foi surreal, com 27 gols e 16 assistências. Ainda ficou mais alguns meses na J-League, mas em 2010 ele aceitou a proposta do Dortmund – que pagou apenas €350 mil pelo negócio, graças a uma cláusula que facilitava a saída à Europa. A Bundesliga tinha um amplo histórico de jogadores asiáticos. Kagawa pode ser considerado o mais impactante deles, pela forma como protagonizou o BVB no bicampeonato. Seu primeiro turno de 2010/11, em especial, foi fantástico. O novato de 21 anos dava imensa dinâmica com sua movimentação e sua qualidade técnica na faixa central. O meia contribuiu com oito gols na sequência de 15 jogos de invencibilidade dos aurinegros. Só perdeu espaço porque sofreu uma fratura no pé com a seleção, se ausentando durante quase todo o segundo turno. Mesmo assim, entrou na seleção do campeonato escolhida pela Kicker, e seria o melhor do time durante o bi em 2011/12.

Dedê carrega Götze (Foto: Imago / One Football)

– Um fenômeno chamado Götze

A revelação da temporada, sem dúvidas, se chama Mario Götze. O meia era tratado com esmero na base do Dortmund desde os oito anos de idade. Klopp promoveu sua estreia na Bundesliga em novembro de 2009 e ele disputou cinco jogos na temporada, revezando seu tempo com o time sub-19. Seu talento não era exatamente um segredo, eleito o melhor jogador do Europeu Sub-17 em 2009, além de receber por dois anos consecutivos a Medalha Fritz Walter – importante condecoração entregue pela federação às promessas das seleções de base. Em 2010/11, Götze foi efetivado no elenco principal do BVB. Logo virou titular e um dos protagonistas. O garoto de 18 anos recém-completados costumava participar em qualquer uma das posições na trinca de meias, mas geralmente era utilizado pela direita. A prova que estava pronto veio no jogo que valia liderança contra o Mainz, com gol e assistência no triunfo por 2 a 0. Depois disso, não deixou mais o 11 inicial, titular em todos os compromissos até o fim da campanha. A capacidade de finalização do prodígio, consagrada na final da Copa de 2014, rendeu seis gols. Mas o que realmente fez a diferença foi sua visão de jogo e os passes açucarados, com 15 assistências no total. Seria mais um na seleção de melhores da Kicker, além de receber o prêmio Golden Boy.

Grosskreutz e seu cabelo na festa (Foto: Imago / One Football)

– A locomotiva Grosskreutz

Nascido na região e torcedor do clube desde a infância, Grosskreutz chegou a passar pelo Borussia Dortmund nas categorias de base. Ficou por lá apenas poucos meses, dispensado por ser muito magro. Então, o meia assinou com o Rot Weiss Ahlen, passou um tempo nos juvenis e depois ajudou o clube a conquistar o acesso à segundona alemã. Foi assim que atraiu novamente a atenção dos aurinegros e foi contratado em 2009 como profissional. O “magricela” de outrora agora era praticamente uma locomotiva, com muita fisicalidade pelo lado esquerdo. Ajudou demais em 2010/11, fixo como meia, embora depois tenha se consagrado como um coringa do BVB. O camisa 19 passava longe de ser o jogador mais técnico do elenco, mas era um dos mais dedicados. E se tornaria imprescindível, decidindo em vários momentos. Aos 21 anos, Grosskreutz atravessou sua temporada mais efetiva, com oito gol e sete assistências. Seria o melhor em campo no confronto direto com o Leverkusen no segundo turno, importantíssimo na caminhada, com dois gols e uma assistência.

Lewandowski fez o gol do título (Foto: Imago / One Football)

– Kuba, Lewa, Piszczek: o trio polonês

O Borussia Dortmund está ligado à comunidade imigrante desde seus primórdios. Desta maneira, os laços com a Polônia estão enraizadas no clube, já que muitos trabalhadores do país se mudaram ao Vale do Ruhr em busca de empregos na indústria metalúrgica e nas minas de carvão. Dentro de campo, tal relação se reavivaria em meados dos anos 2000, com Ebi Smolarek. O atacante foi um símbolo das vacas magras, com um gol na vitória sobre o Schalke que tirou o título aos rivais em 2006/07. Na temporada seguinte, a diretoria pinçou outro reforço polonês: Jakub Blaszczykowski, do Wisla Cracóvia. Kuba unia velocidade e muita dedicação, logo virando um nome recorrente no time de Klopp.

Smolarek já tinha saído quando Kuba ganhou dois compatriotas nos vestiários em 2010/11. Lukasz Piszczek disputou três temporadas no Hertha e chegou ao Dortmund sem custos, aos 25 anos, após o rebaixamento dos berlinenses. Já a maior aposta era em Robert Lewandowski, de 21 anos. O centroavante estourou ainda na segundona polonesa e, comprado pelo Lech Poznan, por duas vezes figurou entre os principais artilheiros da primeira divisão. O centroavante era um talento bruto, mas que valia a aposta um pouco mais alta que o comum. Outros clubes o observavam, afinal, com negociações frustradas rumo a Blackburn e Genoa.

Dos três, Piszczek foi o mais importante no título de 2010/11. O lateral começou a ser usado como ponta, até ganhar o posto do rodado Owomoyela no início do primeiro turno. O camisa 26 iniciaria uma era no lado direito da defesa, com muito vigor físico e capacidade no apoio. Foram sete assistências naquela Bundesliga. Kuba somou menos minutos em campo que na temporada anterior. Com a ascensão de Götze, o meia geralmente era uma alternativa a partir do banco. Servia como uma injeção de energia na equipe. Lewandowski era outro que atuou menos. Durante o primeiro turno, o centroavante permaneceu na reserva de Lucas Barrios. Suas aparições como titular aumentaram no segundo turno, com a lesão de Kagawa. O camisa 7 passou a ocupar a posição central na trinca de meias, se aproximando de Barrios como um segundo atacante. Foram oito gols, incluindo o que selou o título. Na temporada seguinte Lewa realmente estourou, quando Barrios se lesionou e ele tomou conta do ataque.

Barrios escalou a trave (Foto: Imago / One Football)

– Os gols de Barrios

Barrios não deixou saudades no futebol brasileiro, sem convencer no Palmeiras e no Grêmio. O Dortmund, no entanto, preserva boas memórias do paraguaio. O clube resolveu apostar no atacante após uma boa passagem pelo Colo-Colo. O jovem chegava para firmar parceria com o compatriota Nelson Haedo Valdez e superou as expectativas em sua primeira temporada, com 19 gols em 2009/10. O nível caiu um pouco na temporada seguinte, mas os 16 tentos assinalados em 2010/11 ainda deram grande contribuição ao título. Barrios não era tão dinâmico quanto seus companheiros, mas, aos 25 anos, auxiliava bastante por sua presença física e pelo oportunismo. Também tinha sua participação na criação, com seis assistências aos companheiros que vinham de trás. O problema é que perdeu espaço para Lewandowski na campanha seguinte e não teria como competir com o craque em ascensão. Assim, preferiu logo arrumar as malas e ganhar dinheiro no Guangzhou Evergrande a partir de 2012.

A atmosfera de 30 de abril (Foto: Imago / One Football)

– A massa apaixonada

Não dá para fazer uma lista exaltando o Borussia Dortmund sem citar, é claro, a sua torcida. A massa aurinegra é uma grande responsável por transformar o BVB num dos clubes mais fascinantes do mundo. E aquela conquista de 2010/11 significava o fim do sofrimento para o merecido regozijo. Os torcedores foram também essenciais ao reerguimento do clube nos anos anteriores, lotando o Signal Iduna Park a cada partida e fornecendo uma parte fundamental das receitas. O futebol elétrico praticado pelo time de Klopp parecia se tornar ainda mais intenso com o rugido da multidão. Tanto é que, naquela campanha, o time venceu 12 dos 17 compromissos como mandante – só derrotado mesmo na primeira rodada. Foram míseros oito gols sofridos em seus domínios, com 35 marcados. O espetáculo da Muralha Amarela emoldurava o timaço. E a apoteose de 30 de abril de 2011 certamente está entre os dias mais inesquecíveis a uma torcida tão apaixonada. Duas semanas depois, durante a entrega do troféu, teve até mosaico especial.

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Quase todas as fotos acima (exceção à de Kagawa) são do jogo do título, contra o Nürnberg. Abaixo, uma coleção de imagens da entrega da taça contra o Eintracht Frankfurt, duas semanas depois.

(Foto: Imago / One Football)
(Foto: Imago / One Football)
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B (Foto: Imago / One Football)
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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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