Bundesliga

20 gols que dimensionam a qualidade de Uwe Seeler entre os maiores centroavantes da história

Tão preciso quanto explosivo, Seeler marcou mais de 500 gols na carreira e se eternizou como uma lenda no futebol alemão

Uwe Seeler fez dos gols a sua arte no futebol. O capitão honorário da seleção alemã estufou as redes das mais diversas maneiras e gravou números imponentes ao longo de sua carreira. Foram 541 tentos como jogador profissional, 496 deles só pelo Hamburgo, o clube de sua vida. Os maiores títulos que conquistou pelos Dinossauros sempre tiveram seus lances decisivos. Já pela Mannschaft, anotou pelos menos dois gols em cada uma das quatro Copas do Mundo que disputou. Ainda hoje figura na lista de 10 maiores artilheiros da equipe nacional. Pelo Campeonato Alemão, com 404 tentos no total, está à frente de qualquer outro futebolista, juntando também a era pré-Bundesliga.

Nesta quinta-feira, Seeler faleceu aos 85 anos. Seu legado permanece intacto pela idolatria eterna no Hamburgo e pela adoração que se espalhou por toda a Alemanha. Com uma carreira que se encerrou há mais de 50 anos, em 1972, as testemunhas oculares de seu talento são escassas. Os vídeos, no entanto, representam a sua capacidade como um centroavante letal. Desta maneira, selecionamos 20 gols que ajudam a dimensionar as suas virtudes.

A arte

Seeler adorava executar uma bicicleta. Tinha consciência de seu chute, domínio do espaço, ótima impulsão. Tentou fazer gol assim em Copa do Mundo e até em Copa Pelé, quando já passava dos 50 anos. A mais bonita de suas pinturas acrobáticas aconteceu na Bundesliga, pelo Hamburgo. Matou no peito e mandou uma bola que ainda ganhou altura para superar o goleiro, morrendo no ângulo.

Os voleios

O arsenal de acrobacias de Seeler também incluía voleios. A qualidade com que batia na bola com o peito do pé, aliás, é para poucos. Até por isso confiava tanto em seus chutes de primeira. O lance mostra o centroavante pressionado e caído, mas ele ainda consegue executar o tiro indefensável.

A impulsão

Se alguém disser que Seeler tinha mola nas chuteiras, num modelo especial, dá para acreditar. Porque a forma como o centroavante decola é única. Não era alto e, pior, era pesado. Mas tinha uma maneira de atacar os cruzamentos, saltando para frente, que tornava suas cabeçadas fulminantes. Como alguém ia pará-lo dentro da área, nesse escanteio? Bola nas redes, claro.

A cabeçada

Seeler pairava no ar, mas também prevalecia pelas pancadas que conseguia desferir de cabeça. Era um exímio cabeceador, com testadas firmes e tantas vezes saindo do alcance do goleiro. O atacante aproveitava essa explosão para que também se transformasse em força pelo alto.

A canhota

O melhor pé de Seeler era o direito. Foi ele que se transformou até em estátua no Volksparkstadion. Porém, não dá para chamar o pé esquerdo de ruim. Não era o preferido para as tentativas mais difíceis, mas se adaptava à urgência e oferecia também uma qualidade elevada. Se dois adversários bloqueavam a direita, a canhota decidia com facilidade.

O improviso

Centroavante gosta de fazer gol de qualquer jeito. Até sentado, se precisar. Seeler tinha um equilíbrio fantástico, pela forma como girava ao redor de seu centro de gravidade e ainda executava ótimos chutes. Prova disso veio no chamado “Gol do Século”, pelo Campeonato Alemão de 1959/60, conquistado pelo Hamburgo. O atacante caiu na disputa com o goleiro e, no chão, de costas para o gol, dá a pedalada que entra no canto.

A noção de espaço

Até parecia que Seeler enxergava coisas que nenhum outro jogador em campo conseguia ver. Tinha o desenho da área medido milimétricamente em sua cabeça. Conseguia estipular os espaços e encontrar atalhos. Assim deslocava a todos ao seu prazer, com um toque na bola. Lance perdido na linha de fundo? Não quando o craque tira da cartola um golaço por cobertura.

Os giros

Como centroavante, Seeler tantas vezes atuava de costas para o gol. Era parte de seu ofício ver as jogadas e também prepará-las aos companheiros para o pivô. Porém, os marcadores não podiam se descuidar. Os giros do camisa 9 eram até mais letais. Bastou um toque para o domínio e saiu a chicotada de pé direito, em que nem derrubado o artilheiro foi contido.

A facilidade em explorar a área

Os zagueiros tinham que se preocupar com a pequena área, onde Seeler ganhava deles por baixo e pelo alto. Mas, se o pagode estivesse congestionado, o artilheiro encontrava outras brechas. Buscar a bola não era muito problema, pela qualidade do chute. Um mero descuido e o camisa 9 se descola para dar um tapa direto na gaveta.

A precisão

Algumas finalizações de Seeler até pareciam teleguiadas. O atacante tinha uma grande eficiência nas finalizações e, até por isso, sua média de gols é tão impressionante. Uma abertura de longe basta para que ele acerte o canto inferior e faça o goleiro saltar em vão.

A potência

Seeler tinha um chute tão bom que, muitos de seus gols, vinham também quando buscava o jogo fora da área e arriscava de longe. A força de seus disparos encurtava o caminho até o fundo das redes. Não à toa, afundava os goleiros sempre que necessário, sem distância para decidir.

A categoria

Seeler não precisava espancar a bola para marcar seus gols. Quando necessário, ele também a acariciava nas finalizações. Dependia de como a situação do jogo se apresentava ao artilheiro. O goleiro saiu mal e a área está cheia de gente? Que tal tentar uma parábola perfeita por cobertura? Nada que se apresentasse como problema ao talento e à imaginação do goleador.

A frieza em espaços curtos

Seeler costumava ser bem menor que os marcadores. Nada que o impedisse de se enfiar em espaços reduzidos e resolver. Tinha o raciocínio rápido, assim como grande agilidade nos movimentos. Mesmo cercado, o camisa 9 faz o giro e prepara o arremate. Dispara o canhotaço quando dois marcadores já tentavam bloquear. Caixa. Frieza enorme.

O domínio

A bola pesada também não era problema para Seeler. O craque conseguia domá-la muito bem. Fazia grudar em seu pé. Nesse lance, o controle acontece mesmo em velocidade e com a marcação apertando. O gatilho é bastante rápido, para bater no canto do goleiro.

O posicionamento

Nesta lista de gols de Uwe Seeler, certamente o tento abaixo não é o mais bonito. Porém, mostra um atacante sempre atento, para aproveitar o rebote do goleiro e se esfolar num carrinho. Esse gol encaminhou a classificação da Alemanha Ocidental para a Copa de 1966, numa virada contra a Suécia dentro do Rasunda. E também marcou a volta por cima do centroavante, sete meses depois de romper o tendão de Aquiles. Até por isso, ele considerava seu gol mais importante. Pisou torto e fez.

A coragem

Seeler não tinha problemas em meter a cabeça na trava da chuteira do zagueiro. Em atuar nas condições mais adversas. Queria é fazer gol. Dar um peixinho na neve? Nada de frescura ao matador, que transformava as adversidades em suas vantagens.

A tranquilidade

Seeler é o cara que, em seu primeiro jogo como profissional, marcou quatro gols. Não se intimidava com qualquer tipo de ocasião. Não à toa, apareceu tantas vezes em grandes momentos, balançando as redes em quatro Copas do Mundo. Em seu primeiro Mundial, já deixou eternizado este golaço.

A aceleração

Tal qual Gerd Müller, Seeler não era um velocista, até por seu tipo físico. Mas ia de 0 a 100 muito rápido, com uma aceleração excepcional. Isso dava muito trabalho aos zagueiros, nas bolas longas visando o centroavante. Neste lance, além de tudo, ele ainda manda um chute cruzado perfeito com a canhota para estufar o barbante.

O drible em velocidade

A maioria das jogadas de Seeler acontecia na faixa central do campo. Isso não quer dizer que não se aventurasse mais pelos lados e também curtisse uma de ponta de vez em quando. Tinha qualidade para deixar os defensores comendo poeira. É o que faz nesse tento, em plena final da Copa da Alemanha, quando arranca diante do marcador e bate por baixo do goleiro, para completar sua tripleta.

O instinto (e a sorte)

Mesmo os grandes craques precisam de sua pitada de sorte. E, ao comentar seu gol contra a Inglaterra na Copa de 1970, Seeler não negava que deu sorte ao chegar às redes. O atacante acerta uma cabeçada com a nuca, de costas para o gol, correndo para trás. Ainda assim, deixa o goleiro vendido. Tem muito de instinto de artilheiro aí também. Afinal, a sorte não deixa de ser uma aposta bem feita no que tem probabilidades mínimas. E as probabilidades quase sempre favoreciam o craque.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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