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Beckenbauer tem considerações interessantes sobre a saída de Klopp do Dortmund

O grande assunto do futebol alemão na semana passada foi o anúncio da saída de Jürgen Klopp. Depois de sete anos no Borussia Dortmund, o técnico deixará os aurinegros ao fim desta temporada, e a notícia, embora compreensível, pegou a quase todos de surpresa. Franz Beckenbauer, ídolo e presidente honorário do Bayern de Munique, também tem suas considerações sobre a decisão de Klopp. Afirmou que entende o técnico por experiência pessoal, focando seu discurso principalmente na observação de que o trabalho de um treinador muitas vezes tem prazo de validade.

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Em declarações publicadas pela NBC Sports, Beckenbauer admitiu a curiosidade em saber qual o destino de Klopp na próxima temporada e revelou sua torcida pela permanência do técnico no futebol alemão. “Espero que ele permaneça na Bundesliga. Todo o mundo está se pergutando (para onde ele vai). Não será para o Bayern de Munique, porque temos um excelente treinador em Pep Guardiola, mas acho que o restante dos clubes ficaria muito feliz de ter o interesse de Jürgen Klopp, de tê-lo”, observou.

Para Beckenbauer, a atual temporada do Dortmund, que em boa parte da campanha foi assombrado pela possibilidade de rebaixamento e por derrotas atrás de derrotas, foi o sinal claro de que, uma hora, as palavras de um técnico não surtem mais efeito na cabeça de seus comandados: “Entendo ele pessoalmente, porque sete anos sendo o técnico do mesmo time é um tempo muito, muito longo. Chega uma hora em que você usa a mesma tática de motivação, mas os jogadores não estão mais escutando como quatro ou cinco anos antes. Foi assim que o Borussia jogou nesta temporada. Ele (Klopp) percebeu que era muito, muito difícil levá-los de volta à atuação de antes, então foi aí que ele disse: ‘Ok, fiz muito nos últimos sete anos, mas agora está acabado'”.

“Foi o mesmo comigo quando treinei a seleção alemã por seis anos. Depois de seis anos, eu descobri que, não, não havia mais motivação. E, antes que todos percebessem que não estava mais motivado, eu disse: ‘Não, eu me demito. Parei, foi minha decisão. A mesma coisa com o Jürgen Klopp”, completou, comparando sua própria experiência na década de 1980 com a do técnico do Dortmund. “Espero que ele assuma seu próximo desafio na Bundesliga. Porque precisamos dele, é um excelente treinador e, como sabemos, é também um cara excelente. Tem um ótimo caráter”, concluiu.

Críticas pesadas ao Bayern e a Dante

Inevitavelmente, a conversa de Beckenbauer com a imprensa chegou aos comentários que o Kaiser fez após a derrota do Bayern para o Porto, por 3 a 1, na partida de ida das quartas de final da Champions League. Tricampeão da competição nos anos 1970, o ex-zagueiro reconheceu ter sido muito duro nas críticas, mas explicou de onde vinha tamanha frustração. “Sim, eu cometi um erro, eu sei. Mas eu estava tão bravo. Com dez minutos, você perdendo por 2 a 0. Eram quartas de final de uma Champions League, e eles cometeram tantos erros individuais. Nunca vi isso antes. Vendo os passes, eles tocavam a bola e não tinha ninguém para receber. Pensei que tivessem tomado remédio para dormir. Sério, parecia isso. O Porto foi muito mais rápido e teve mais força de vontade”, analisou.

Talvez o maior alvo da revolta de Beckenbauer tenha sido o brasileiro Dante. O alemão desculpou-se por ter dito que o beque parecia jogar com botas de esqui. “Sinto muito pelo comentário das botas de esqui (para Dante). Mas ele é brasileiro, e brasileiro, para mim, significa técnica… e Pelé. Isso é brasileiro para mim. Não desse jeito, entregando facilmente a bola”, queixou-se.

A intenção de Beckenbauer de se desculpar foi boa, mas, sincero como é o Kaiser, acabou parecendo mais uma extensão da crítica. Completamente justificada, diga-se, visto o jogo péssimo feito pelos bávaros na semana passada. Para o Bayern, é bom que o resultado nesta terça, na Allianz Arena, seja bem melhor. Do contrário, haja costas largas para aguentar a chuva de críticas que o time teria pela frente partindo de um de seus maiores ídolos.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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