Alemanha

Após parada cardíaca dentro de campo, atacante alemão volta a atuar com desfibrilador no corpo

Quão longe você iria para seguir fazendo o que ama? Para Daniel Engelbrecht, de 24 anos, o caminho que estava disposto a percorrer era longo. O atacante do Stuttgart Kickers sofreu um ataque cardíaco, em julho do ano passado, durante partida contra o Rot-Weiss Erfurt, pela terceira divisão alemã, e por pouco não morreu, sendo salvo ainda no campo pelos médicos. Quase um ano e meio depois, após passar por quatro cirurgias, Engelbrecht pode voltar a campo, no domingo passado, e, apesar da derrota de seu time por 1 a 0 para o Ravensburg, saiu como o grande vitorioso do confronto.

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Para poder retomar sua profissão, Engelbrecht passou por quatro procedimentos cirúrgicos para implantar um desfibrilador automático sobre seu peito, logo abaixo da camada da pele. O aparelho monitora o pulso do atleta e, se preciso, emite choques para restabelecer o ritmo cardíaco em caso de parada cardiorrespiratória. As cirurgias foram feitas em dezembro do ano passado, mas apenas agora o atacante estava realmente pronto para voltar aos gramados.

Aos 31 minutos do segundo tempo do jogo com o Ravensburg, Engelbrecht foi colocado em campo pelo técnico Horst Steffen. Ao mesmo tempo feliz e cauteloso, o atacante teve um momento único em sua vida e demonstrou completa consciência da sorte que teve. “Antes da partida, o medo havia voltado, é claro. Acho que eu nunca conseguirei me livrar dele. Mas poder estar no gramado para outro jogo profissional é uma sensação indescritível. Foi realmente um grande passo para mim. Tenho sorte de ainda estar vivo. Outros, em situação similar, morreram”, comentou, em entrevista ao jornal Süddeutsche Zeitung.

“Depois do diagnóstico, ninguém realmente acreditava que eu conseguiria retornar. Isso torna ainda mais legal que eu possa dizer que estou de volta”, completou Engelbrecht.

A superação demonstrada pelo alemão fica ainda mais impressionante após ouvirmos o relato do jogador sobre o período pelo qual passou desde que caiu no gramado durante aquela partida fatídica contra o Rot-Weiss. Limitado pelas precauções que precisava ter e afetado pelos remédios que precisava tomar, aguentou o calvário pois tinha grandes expectativas – alcançadas – sobre o que o esperava ao fim dele.

“O ano passado foi o pior da minha vida. Não podia fazer nada, praticar esportes, fazer algum esforço, certamente não podia passar por nenhum estresse. Tive que viver a vida de alguém de 80 anos. Por causa dos medicamentos, eu ficava constantemente cansado e, ainda assim, não conseguia dormir direito à noite. Houve fases em que eu tinha que tomar tantos remédios que eu sofria alucinações. Quando eu acordava à noite, via pessoas andando pelo meu quarto ou sentando sobre a cama, a meu lado. Foi tão ruim que eu não conseguia mais dormir por conta própria”, contou.

A história de Engelbrecht é, de fato, impressionante e emocional, um exemplo de perseverança. Mas é uma exceção. A nova história, que passa a escrever agora, só é possível pelo acompanhamento médico que tem tido e pelas técnicas desenvolvidas pela medicina, possibilitando seu retorno. Graças aos médicos que o atenderam em campo e àqueles profissionais que o trataram desde então, o atacante pode dizer que nasceu não pela segunda, mas pela terceira vez.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).
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