Faltavam menos de duas horas para o início do jogo entre Alemanha e Holanda, em Hanover, nesta terça-feira, quando o amistoso foi cancelado por razões de segurança. O jogo começaria às 20h45 (17h45, no horário de Brasília), mas às 19h21 um anúncio informou que a partida não seria disputada. Uma medida preventiva por uma ameaça de bomba. A polícia alemã encontrou um objeto suspeito em volta do estádio, o que fez todos os funcionários evacuarem imediatamente o estádio, assim como o público que começava a entrar no local e a imprensa que faria a cobertura do evento.
Segundo o chefe de polícia de Hannover, Volker Klume, foi encontrado um objeto “com a intenção de ser armado dentro do estádio” antes da evacuação ser confirmada. “Nós recebemos uma informação depois que o primeiro objeto foi encontrado que outro ataque havia sido planejado. Nós tivemos que levar a sério”, afirmou Klume. Mais tarde, a informação era que a polícia encontrou um carro-bomba disfarçado de ambulância nas proximidades da HDI-Arena, segundo reportado pela emissora alemã DW. A informação, porém, foi desmentida pelo Ministro do Interior da Baixa Saxônia, Boris Pistorius. “Ao contrário do que foi relatado, não foram encontrados explosivos”, afirmou em coletiva de imprensa.
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O Ministro do Interior da Alemanha, Thomas De Maiziere, também participou da coletiva de imprensa e também negou que as autoridades tenham encontrado explosivos dentro do estádio. “As indicações de perigo no jogo de hoje cresceram tanto no curso da noite que nós urgentemente recomendamos o cancelamento do jogo”, afirmou De Maiziere. A medida foi tomada em conjunto com o presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), Reinhard Rauball, e com o Ministro do Interior da Baixa Saxônia, Boris Pistorius, que ressaltou o risco: “Manter o jogo seria irresponsável”. De Maiziere informou que a informação sobre a possibilidade de atentado veio do exterior. “A informação veio de uma fonte no exterior. A estação central de trem foi fechada depois que alguns serviços foram parados”, informou ainda o ministro.
Nenhuma das autoridades presentes quis entrar em detalhes sobre as ameaças de fato encontradas. “Há um alto risco para a Alemanha e para a Europa”, disse o Ministro do Interior da Alemanha. “Foi uma decisão extremamente difícil cancelar a partida e isso foi feito depois de recebermos diversas informações sobre uma ameaça concreta”, afirmou Maiziere. “Eu peço compreensão para o cancelamento da partida. Nesta situação, a prioridade é a segurança das pessoas”. Ainda segundo De Maiziere, não foi feita qualquer prisão.
Havia bloqueios nas ruas e avenidas que levavam ao estádio. Esse procedimento de segurança é comum em jogos internacionais, como vimos na Copa do Mundo no Brasil, em 2014. Nenhum torcedor tinha autorização para entrar na área delimitada pelas autoridades de segurança em volta da HDI-Arena, onde seria realizado o jogo. Com todo o esquema de segurança, a polícia acabou liberando a passagem de torcedores e jornalistas depois do bloqueio, minucioso.
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Evacuação do estádio foi tranquila
Havia pouca gente no estádio, mas o locutor informou para quem estava lá para “rapidamente voltar para casa”. Em entrevista à DW, o chefe de polícia disse que “havia um dispositivo para ser detonado dentro do estádio”. Às 21h12, horário local, a polícia informou ter encontrado um objeto suspeito na estação de trem central de Hannover.
A polícia também instruiu para que as pessoas “fossem embora sem pânico”. Pouco mais de mil tinham passado pelos portões do estádio de Hanover. Torcedores levavam velas para uma vigília em memória das vítimas em Paris, depois de fazer o ritual na prefeitura da cidade. A informação divulgada é que os explosivos foram plantados por radicais islâmicos. A polícia alemã ainda não deu mais detalhes.
A seleção da Alemanha estava a caminho do estádio no momento que foi tomada a decisão do cancelamento do jogo. Segundo a Federação de Futebol Alemã (DFB), o time foi levado a um local seguro não revelado. A seleção holandesa também estava a caminho da HDI-Arena, mas voltou ao hotel quando soube do cancelamento da partida.
Trens e o transporte público em geral tiveram o seu funcionamento interrompido e autoridades pediram que os torcedores voltassem a pé e “em pequenos grupos”. Segundo a repórter Sarah Wiertz, do DW, que está em Hanover, os torcedores não demonstraram pânico ao saírem do estádio. Todos deixaram o estádio e os jornalistas foram colocados em uma área segura.
Na véspera da partida, o técnico Joachim Löw afirmara que o amistoso em Hanover era uma “mensagem de liberdade e de democracia”. Já o comandante holandês, Danny Blind, declarou que “o jogo é um sinal de unidade, de não se esconder em meio ao terror”. Mensagens que não serão passadas. O que fica, neste momento, é que o terror venceu esta batalha, impedindo o jogo.
A chanceler Angela Merkel e diversos ministros do seu governo eram esperados em Hanover para assistir ao jogo e prestar solidariedade. A presença dos governantes no estádio também seria simbólica de que a vida continua. É importante lembrar que a Alemanha era adversária da França durante os ataques em Paris, na última sexta-feira.
Segundo a DW, a situação estava calma perto das 21h, horário local, quando os carros de polícia andavam ao redor do estádio e o ambiente era de tranquilidade.
Bundesliga ameaçada de adiamento?
Na coletiva de imprensa, Rauball deixou dúvidas no ar. “Nós estamos pensando nisso”, afirmou o dirigente. “Este é um dia triste para a Alemanha e para o futebol alemão”.
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