África

Tudo pronto

A princípio, o Al Ahly tem tudo sob controle para, no mínimo, repetir, no Mundial de Clubes que se inicia nessa semana, a campanha feita em sua última participação no torneio, em 2006, quando ficou com o terceiro lugar. Na ocasião, a preparação foi bastante semelhante à realizada desta feita, com o clube chegando com antecedência ao Japão e sem o clima de euforia que cercou a equipe no ano anterior. Dessa forma, o treinador Manuel José certamente estará livre de perguntas um tanto quanto presunçosas como aquela que o indagou em 2005 em torno de quem utilizaria o uniforme principal na decisão: o Liverpool ou seu time?

O mesmo poderia se repetir nesta edição, já que o também inglês Manchester United veste, assim como os Reds, camisas vermelhas e chega, obviamente, como favorito ao título. Porém, tamanha foi a blindagem feita pela diretoria e a comissão técnica que, ao longo de sua preparação, nenhuma declaração mais forte foi feita pelos jogadores e se observou à predominância de um discurso bastante humilde, pouco condizente com o status que a equipe possui dentro do país e em todo o continente africano.

Talvez isso tenha sido motivado não só pelo fracasso retumbante de três anos atrás, mas também pela queda de rendimento que a equipe apresentou após a conquista da Liga dos Campeões. Nos últimos três jogos pelo campeonato egípcio, os Vermelhos só venceram uma vez, empatando e perdendo as outras duas partidas. Nada de outro mundo, mas resultados pouco comuns para uma equipe de sua estirpe e que, mesmo que não se mostrem preocupantes a essa altura, o impediram de alcançar a liderança do torneio.

Não bastasse essa clara quebra de concentração, agitou os bastidores do clube, em menor grau, as especulações envolvendo a saída de jogadores. Casos de Gomaa e Aboutrika, que tiveram seus nomes ligados ao futebol estrangeiro, mas que, dificilmente, deverão concretizar tais transferências. Quem, por outro lado, já deu adeus ao grupo e nem sequer foi relacionado para o Mundial foi o volante tunisiano Anis Boujelbene, que deverá retornar ao seu país. Uma perda notável, já que o experiente jogador atuava no sistema de rotação da equipe.

Não será, no entanto, essa notícia que abalará a confiança do Ahly, que estréia na competição contra o Pachuca neste sábado. O horário da partida, às 2 e 45 da madrugada de sexta para sábado, não é dos mais legais, porém, valerá a pena ficar acordado até essa hora. Em campo, acompanharemos a disputa para ver quem enfrentará a LDU nas semifinais e, ainda, uma tentativa de revanche dos mexicanos, que nos outros dois confrontos contra africanos na história torneio, saíram de campo como perdedores.

Enquanto isso, no Zamalek …

Quando o Al Ahly entrar em campo no Mundial de Clubes, podem ter certeza: no Egito, muita gente estará torcendo contra o clube. Não só pelo fato de a federação egípcia adiar rodadas e mais rodadas por conta da presença do time no torneio, mas também por causa de inveja. Isso mesmo. Os torcedores do arqui-rival Zamalek, em especial, têm ainda mais motivos para nutrir tal tipo de sentimento, afinal de contas, a equipe já vem há alguns anos numa draga que não a deixa de jeito algum.

Muito disso também em virtude do despreparo de seus dirigentes, que promoveram um troca-troca incrível na presidência nos últimos tempos, e ainda arruinaram o cofre da equipe. Se fora de campo a situação já não anda muito boa, dentro também não está lá tão melhor assim. Para se ter uma idéia, mesmo com dois jogos a mais no campeonato egípcio, o Zamalek está abaixo do Ahly na tábua de classificação, numa condição vergonhosa que resultou, na semana passada, na demissão do treinador Reiner Hollman.

Sem Zaki, negociado com o Wigan-ING, e com Shikabala suspenso pela FIFA e Gamal Hanza em má fase técnica, restaram poucas alternativas para que Hollman pudesse tirar o clube do buraco em que ele se enfiou nesta década. Vinha sendo feita uma aposta pelos jogadores da base, porém, como se sabe, estes precisam do apoio dos mais velhos para render melhor em campo. E isto é o que não vem acontecendo, com atos de indisciplina envolvendo os atletas que deveriam servir como exemplo para esses jovens. Triste realidade a do Zamalek.

Crise na RD Congo

Até segunda ordem, está suspensa a disputa da Linafoot, o campeonato nacional congolês, no ano que vem. Estourou uma polêmica nesta semana no país, envolvendo a desistência de participação no torneio de diversas equipes. A princípio, os motivos alegados pelos clubes foram a crise econômica global, que inviabilizaria as viagens aéreas tão necessárias entre uma cidade e outra ao longo do certame. Os valores teriam ficado caros demais e proibitivos para os times.

Nos bastidores, porém, circula a informação de que esse movimento liderado, entre outros, pelo tradicional TP Mazembe possui como raiz a insatisfação de parte das equipes com o modo com que a federação local vem gerindo as finanças da entidade, de forma pouco atenta para com a necessidade das equipes. Com isso, elas decidiram, numa assembléia, segundo se comenta, iniciar esse movimento que coloca, desde já, em risco a realização da Linafoot em 2009.

Uma das evidências que aponta para a hipótese do motim ter sido mesmo ocasionado pelos desmandos dos dirigentes foi o fato de, pouco tempo atrás, o TP Mazembe ter anunciado seus planos para a próxima temporada, bastante ambiciosos. De acordo com o comunicado feito pelo clube na oportunidade, com a intenção de faturar o tricampeonato da Liga dos Campeões, o time aumentaria seus investimentos para a competição em dois milhões de euros, chegando à soma total de cinco. Ora, quem está em dificuldades financeiras não se atreve a gastar tanto assim? Tendo isso em conta, fiquemos no aguardo de maiores detalhes a respeito desse episódio.

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Equipe Trivela

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