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Procura-se treinador

Pressão, muita pressão. E não estamos falando da África do Sul, que faz o seu grande teste antes do Mundial na Copa das Confederações, em junho. Nessa mesma região do continente, outro país também convive com o nervosismo de imprensa e torcedores, desconfiados do papel que a sua equipe fará no evento que receberá daqui a pouco mais de seis meses. Sede da próxima Copa Africana de Nações, Angola atravessa um momento muito semelhante ao dos Bafana Bafana – e, para piorar, sem ninguém no comando de sua seleção.

Após estrear em Copas do Mundo na Alemanha e chegar às quartas-de-final da CAN pela primeira vez em 2008, os Palancas Negras tinham tudo para se consolidar, ao menos, no segundo escalão do continente. Porém, não foi isso que ocorreu e, agora, o cenário está mais para nebuloso do que esperançoso. A eliminação precoce nas Eliminatórias acabou deixando cicatrizes que, a julgar pelo estado psicológico que o time vive, demorarão a serem cicatrizadas. Nem mesmo uma possível chegada de Felipão, como tem se especulado, talvez seja suficiente para reverter esse baixo astral.

Os problemas angolanos não se restringem apenas a questões emocionais. Fosse assim, a formação de uma nova “família” pelo ex-treinador do Chelsea significaria a solução para a má fase que a equipe enfrenta nos gramados. Mas as coisas não são tão simples. Por mais que essa crise venha a ser superada na base do divã, ainda seguirá faltando o principal em campo: bons jogadores. Não seria exagero algum afirmar que o atual grupo é mais fraco do que aquele que disputou o Mundial em 2006.

O crescimento de nomes como Kali e Manucho não serviu para amenizar os efeitos causados pela despedida de veteranos como João Ricardo, Figueiredo e Akwá. É algo que ficou claro durante a campanha nas Eliminatórias, em que os Palancas Negras, mesmo impulsionados pelas façanhas recentes, não foram capazes de se impor numa chave que contava ainda com Benin, Uganda e Níger. Quem acabou pagando o pato por isso foi o técnico Luís Oliveira Gonçalves, que pediu demissão por não suportar as críticas que vinham de todos os lados.

Sem o maior responsável pelo desenvolvimento do futebol do país nesta década, Angola cometeu a sua primeira falha grave na preparação para a CAN. Como substituto de Gonçalves, recorreu a seu auxiliar, Mabi de Almeida, que, até então, não possuía qualquer experiência na função. Outros sete meses foram, portanto, desperdiçados com uma escolha equivocada. Nesse período, o time acumulou mais alguns vexames, sendo goleado por Mali e derrotado pelo inexpressível Cabo Verde. Mais: não venceu nenhum jogo.

Para o lugar de Almeida, o preferido dos dirigentes é mesmo Felipão. Ele seria contratado com a ajuda do empresário Antônio Mosquito, do ramo petrolífero e imobiliário. Já circulam, inclusive, informações de que o treinador brasileiro estaria prestes a desembarcar em Luanda, capital angolana, para verificar as condições de trabalho que teria pela frente. Por enquanto, porém, não há nenhuma confirmação nesse sentido. E ainda que Scolari venha a ser anunciado, não se pode esperar por um milagre de sua parte. Por mais vitorioso que seja, o panorama em Angola parece avesso até mesmo a esse tipo de coisa.

O melhor da festa está chegando

Nesse fim de semana, serão disputados os jogos de volta da segunda fase da Liga dos Campeões africana. Nas partidas de ida, o equilíbrio se mostrou preponderante, com os favoritos Al Ahly e Étoile du Sahel empatando fora de casa. ASEC Mimosa e TP Mazembe venceram por apenas 1 a 0 diante de seus torcedores e podem enfrentar dificuldades longe de seus domínios. Como candidatos a surpresa, despontam Primeiro de Agosto e Heartland. É esperar pra ver se essas zebras serão consumadas. Confira abaixo a situação de cada confronto e fique atento na análise que faremos dos grupos assim que eles forem definidos.

Al Hilal-SUD (1) x Primeiro Agosto-ANG (3)
Al Ahly-EGI (1) x Kano Pillars-NIG (1)
Zesco Utd-ZAM (0) x Djoliba-MAL (0)
Al Merreikh-SUD (1) x KCC-UGA (0)
Coton Sport-CAM (1) x Heartland-NIG (2)
Al Ittihad Khemisset-MAR (0) x TP Mazembe-RDC (1)
Monomotapa-ZIM (0) x ASEC Mimosas-CMA (1)
Étoile du Sahel-TUN (0) x Al Ahly-LIB (0)

Ismaili na jogada

O domínio do Al Ahly está com os dias contados? Não, não é pra tanto, mas há cada vez mais sinais de que o time não possui a mesma força de antes. Após ter a sua supremacia no continente ameaçada pelo Étoile du Sahel e conseguir retomá-la na última temporada, protagonizou um papelão no Mundial de Clubes. Não faz mal. O que importava era que, no plano local, o seu poder continuava inabalável. Mas isso, acredite ou não, também é algo que pode estar prestes a mudar. Graças ao Ismaili, que, na ausência do Zamalek, tem feito frente aos Vermelhos.

A cena seria impensável até cerca de um mês atrás. Tentando digerir ainda a eliminação da Liga dos Campeões árabes, os Dershives já davam por perdida a briga pelo título egípcio. Para completar, atravessavam um momento difícil fora de campo, com atrasos de salários que chegaram a colocar a continuidade do treinador Heron Ferreira no clube em dúvida. Porém, a situação foi se resolvendo e, para a surpresa da equipe, o Ahly, na mesma medida, começou a se complicar, sofrendo reveses impensáveis e abrindo caminho para uma aproximação na tabela que, por ironia do destino, se consumou justamente após o empate no clássico com o Zamalek.

Definitivamente, temos um campeonato agora. A expectativa é que a briga pelo título se prolongue até a última rodada. Mais experientes, os comandados de Manuel José já estão acostumados com esse tipo de situação e certamente saberão como lidar com a pressão que virá com essa disputa. Resta ver qual será a postura do Ismaili, que, nesses momentos finais, tem sido vítima da má pontaria de seus atacantes. Algo que, se não for corrigido, pode colocar a perder toda a reação que o time teve na competição.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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