África

Pra variar, Al Ahly campeão

A Supercopa Africana geralmente não costuma suscitar muito interesse por parte dos torcedores. Assim como acontece na América do Sul, com a Recopa Sul-Americana, é apenas mais um torneio para preencher calendário, atrapalhar a vida dos clubes e dar alguma moral para o seu campeão. Ainda assim, o jogo da última sexta-feira, válido pela edição de 2009, entre Al Ahly e CS Sfaxien, foi cercado por um clima tenso entre os clubes. Os tunisianos sonhavam em se vingar dos egípcios pela derrota sofrida na final da Liga dos Campeões de 2006.

O modo como viu escapar o título continental naquela oportunidade, nos últimos minutos, quando a vitória já parecia certa, pelo jeito traumatizou o CSS, que, antes da decisão no Cairo, não falava em outra coisa senão em revanche. Porém, eles terão que adiar esse plano por algum tempo. Por mais uma vez, o Ahly saiu como vencedor do confronto e, de quebra, ainda adicionou mais uma conquista a sua concorrida sala de troféus. E essa foi expressiva, diga-se: tornou o time o maior campeão da história do campeonato.

Depois da LC em 2008, é mais uma competição em que os Diabos Vermelhos registram a sua marca e inscrevem o seu nome no livro de recordes. Foi o quarto título da equipe no torneio. Um feito ainda mais saboreado pelo fato de o arqui-rival Zamalek, com três, ter ficado para trás. Mesmo após a decepcionante participação no Mundial de Clubes, o clube, como se vê, segue em alta.

E a base que papou tudo que encontrou pela frente nos últimos anos continua atuando junta. Na partida contra o Sfaxien, o maior desfalque foi o armador Mohamed Aboutrika, que deu lugar ao experiente Ahmed Hassan, jogando mais adiantado do que de costume. Entretanto, não foi o ex-jogador do Anderlecht, da Bélgica, que resolveu a parada no Cairo. Coube a uma dupla talentosa de angolanos a tarefa. E eles não vacilaram.

Sem conseguir criar praticamente nenhuma jogada pelo meio, a única saída que restou ao Al Ahly para passar pelos tunisianos foi jogar pelas pontas. E pela esquerda, lá estava Gilberto, que, com duas assistências precisas, acionou o baixinho Flávio, que só teve o trabalho de testar para o fundo das redes e correr para o abraço dos companheiros. Os gols marcados pelo atacante foram providenciais, pois, antes deles saírem, o habilidoso Abdelkarim Nafti, remanescente da final de 2006, vinha se aproveitando das falhas do trio de zaga egípcio para ameaçar a meta de Amir Abdul-Hamid.

Agora, as duas equipes voltam as suas atenções para as suas ligas nacionais e os torneios continentais. O Al Ahly segue firme e forte em sua busca pelo pentacampeonato nacional, enquanto aguarda pela definição de seu adversário na primeira fase da Liga dos Campeões. Já o CS Sfaxien não atravessa um bom momento em seu futebol local, ocupando só a quarta colocação na Ligue 1, bem atrás do trio formado por Espérance, Étoile du Sahel e Club Africain. A defesa do título da Copa Caf, por sua vez, começa logo mais.

O drama de Appiah

Pense bem: há quanto tempo você não vê Stephen Appiah em campo? Se você segue a seleção de Gana de perto, até pode tê-lo visto em ação em uma ou outra partida, mas e atuando por clubes? Faz tempo, não? Pois é, faz mesmo. A última vez em que o jogador esteve na plenitude de sua forma nos gramados foi ainda em 2007, pelo Fenerbahce. Na ocasião, sem que imprensa e torcida soubessem, ele já vinha jogando com infiltrações no joelho que o ajudaram a se manter até o fim daquela temporada.

Depois disso, foi, então, tratar da lesão e ficou de fora da equipe até novembro, quando voltou a ser utilizado. Porém, um tratamento equivocado por parte dos médicos do clube turco acabou comprometendo a sua recuperação integral e, em poucas semanas, lá estava Appiah mais uma vez na enfermaria. A situação obviamente não agradava o meio-campista. E para surpresa geral, muito menos ao Fenerbahce, que, culpado pela contusão do ganense, mostrou seu total descaso para com o atleta ao tentar congelar seu contrato junto à federação local para contratar um outro estrangeiro.

A manobra revoltou Appiah, que, é claro, não cedeu à pressão turca e passou a sofrer, então, com atrasos recorrentes em seus vencimentos. Como já era de se esperar, decidiu, a partir daí, abandonar a equipe para brigar por seus direitos – o que conseguiu em agosto na Fifa. Estava, ali, livre para negociar com qualquer time. Propostas surgiram aos montes, porém, o jogador mostrou uma certa imaturidade para quem estava afastado há tanto tempo ao pedir salários exorbitantes, que só afastaram possíveis interessados.

Por conta de uma lesão mal curada e de uma dose de audácia na negociação de seus acordos, a estrela de Gana permaneceu, então, fora de combate por praticamente uma temporada e meia. Hoje, com 28 anos, ele tenta desesperadamente achar um clube. Muito se falou do Tottenham na última janela de transferências, mas, após um mês inteiro de testes em White Hart Lane, não fechou contrato. Agora, a esperança atende por Rubin Kazan, clube que surpreendeu ao conquistar o título russo em 2008. Pode ser uma boa para Appiah, já que ele jogará a próxima Liga dos Campeões. É esperar pra ver o resultado de mais essa novela.

Mais confusão

A coisa não anda mesmo boa em Serra Leoa. Político querendo interferir na seleção? Tem por lá. Time nacional só fracassando? Não é mais novidade. Fifa de olho numa punição para a federação local? Também. Junte tudo isso aos problemas que a liga nacional enfrenta e temos um cenário nem um pouco esperançoso para o país. O tão esperado boom que os serra-leoneses poderiam ter dado com a explosão de Mohamed Kallon na Europa já virou história. Ainda hoje, os dirigentes seguem tentando impulsionar o esporte por aquelas terras.

Mas não é fácil. Parece que tudo dá errado para Serra Leoa. A confusão da vez envolve o ponta-pé inicial da Premier League local. Prevista para ter começado no último dia 16 de janeiro, ela até agora não pôde ser tocada por conta de dois imbróglios. O primeiro diz respeito à desorganização de seus clubes. Ao todo, o campeonato conta com 14 participantes, que, por lei, precisam se registrar com antecedência para jogar o torneio. A questão é que, até o momento, somente seis fizeram isso. Ou seja, assim não dá pra bola rolar pelos campos serra-leoneses.

O que também impede o início da competição é uma briga entre patrocinadores. Isso mesmo. A empresa que atualmente possui o direito de expor a sua marca no certame é a Africell, do ramo de telefonia móvel. Até aí, nada demais, não fosse pelo fato de a sua maior concorrente, a Comium, estar instalada no principal palco do país, o Estádio Nacional, em Freetown. A presença da adversária por lá se deve a um acordo entre ela e o governo, responsável pela administração do local.

No ano passado, a Comium o ajudou financeiramente nas reformas exigidas pela Fifa para que o lugar pudesse receber os jogos das Eliminatórias para a Copa do Mundo. Em contrapartida, o estádio foi então pintado com as suas cores, fato que, agora, causa toda essa polêmica e contribui para o atraso no começo da Premier League. Como isso será resolvido, não se sabe. Mas fato é que os dirigentes possuem um baita problemão nas mãos.

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Equipe Trivela

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