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Um a um, os 16 times da CAN 2013

A Copa Africana de Nações começa com um favorito claro: a Costa do Marfim e sua “geração de ouro”, que conseguiu no máximo a prata nas últimas edições da competição. Os Elefantes, entretanto, não deverão ter a vida facilitada, como de costume. Gana continua com uma das seleções mais fortes do continente, enquanto Zâmbia manteve a base vencedora em 2012 para buscar o bicampeonato. Correndo por for a, República Democrática do Congo, Nigéria e Argélia são outras equipes que prometem dar trabalho. Confira, seleção a seleção, a apresentação dos grupos da CAN 2013:

GRUPO A

ÁFRICA DO SUL

Lá se vão 19 anos desde a última vez que uma seleção anfitriã da CAN acabou eliminada na fase de grupos. Foi a Tunísia, em 1994. Neste período, países como Burkina Faso, Gabão e Guiné-Equatorial receberam a competição e fizeram grandes campanhas. Mais do que em qualquer outro lugar no mundo, o fator casa tem um peso enorme no futebol africano. No entanto, nem isso parece suficiente para acreditar numa boa campanha da África do Sul.

Receber a Copa em 2010 poderia trazer um legado positivo para os Bafana Bafana, mas desde então, a equipe vive uma derrocada. O comando da seleção sofreu três trocas em dois anos e meio, e o atual treinador, Gordon Igesund, não consegue rejuvenescer o time. Prova disso é que onze dos 23 convocados para a CAN disputaram o último Mundial. Pra completar, o ambiente da seleção foi minado após a denúncia de que alguns amistosos da África do Sul pré-Copa 2010 foram manipulados. Sem Pienaar, que se afastou da seleção, os sul-africanos estão órfãos de um destaque individual – Serero, que volta de uma grave lesão na virilha, é a grande esperança. A torcida, uma das mais animadas do continente (quem não estava sentindo falta da vuvuzela?), pode fazer a diferença neste momento delicado.

Treinador: Gordon Igesund
Fique de olho: Thulani Serero (M)
Melhor participação: campeã em 1996
Time-base: Khune; Ngcongca, Khumalo, Sangweni, Masilela; Furman (Letsholonyane), Dikgacoi; Tshabalala, Phala, Serero; Mphela.

ANGOLA

Aos trancos e barrancos, Angola emplaca sua quinta aparição consecutiva no torneio. Impactante, de fato, mas não reflete o momento vivido pelos Palancas Negras. A classificação contra Zimbábue nas eliminatórias se deu de forma dramática. Na última CAN, a eliminação para o Sudão na fase de grupos custou o emprego do técnico Lito Vidigal. O uruguaio Gustavo Ferrín assumiu o comando e se tornou o sexto treinador da equipe em apenas quatro anos. Aliás, Angola é a única seleção que chega para a disputa com um sul-americano no comando.

Os angolanos também são os únicos a contarem com um jogador que atua no futebol sul-americano no elenco. E ele é bastante conhecido pela torcida brasileira: Geraldo, vice-campeão da Copa do Brasil em 2011 pelo Coritiba e que atualmente veste a camisa do Paraná. O meia de 21 anos é titular no 4-2-3-1 de Ferrín, atuando centralizado na trinca de meias que ainda conta com Djalma, o dono das bolas paradas, e Mateus. No entanto, a grande figura do time continua sendo o artilheiro Manucho. Qualquer chance de Angola fazer uma boa campanha na África do Sul passa pela sua inspiração.

Treinador: Gustavo Ferrín
Fique de olho: Manucho (A)
Melhor participação: quartas de final em 2008 e 2010
Time-base: Lamá; Lunguinha, Massunguna, Bastos, Miguel; Dede, Pirolito; Djalma, Geraldo, Mateus; Manucho.

MARROCOS

O dilema do Marrocos é basicamente o mesmo da edição passada: sobra talento, falta organização. O atual treinador da seleção, Rachid Taoussi, ocupa o cargo há apenas quatro meses. Mesmo com pouco tempo de trabalho, o comandante já consegue implantar alguns de seus conceitos. A valorização do futebol local é um deles: nove dos 23 jogadores convocados atuam no próprio futebol marroquino. Jogadores como Taarabt, Chamakh, Boussoufa e até o capitão Kharja, que possuem ótima reputação internacionalmente, foram ignorados na convocação final.

Taoussi rompe com a filosofia fracassada do antigo treinador, Eric Gerets, mas sabe que seu grupo pode pagar caro pela inexperiência. Problemas crônicos, como a inconsistência defensiva, ainda se fazem presentes. No entanto, o que se vê atualmente é um time minimamente organizado, sem nenhuma sombra das táticas “suicidas” de Gerets, que chegou a perder um jogo para Moçambique nas eliminatórias atuando com quatro meias ofensivos e um atacante. A incógnita fica por conta das condições físicas de Belhanda, grande destaque do time, que sofreu uma lesão muscular nos últimos dias. Quebrar o jejum de 37 anos sem um título continental parece uma missão improvável.

Treinador: Rachid Taoussi
Fique de olho: Younès Belhanda (M)
Melhor participação: campeão em 1976
Time-base: Lamyaghiri; Noussir, Benatia, El Adoua, Bergdich; El Ahmadi, Hermach; Barrada, Belhanda, Amrabat (Assaidi); El-Arabi.

CABO VERDE

O arquipélago com pouco mais de 500 mil habitantes é o único estreante desta edição da CAN. Apesar da pouca tradição, Cabo Verde está muito mais presente no futebol internacional do que você imagina. Nani, Rolando, Silvestre Varela, Eliseu e os aposentados Henrik Larsson e Patrick Vieira são alguns dos jogadores que, seja por naturalidade ou ascendência, poderiam ter escolhido atuar pelos “Tubarões Azuis”. Mesmo diante desse cenário, os cabo-verdianos fizeram história ao derrotar Camarões nas eliminatórias e se garantirem na fase final da Copa Africana de Nações pela primeira vez.

A falta de recursos para o custeamento de sua participação no torneio é uma questão ainda mais preocupante para o país. A Federação Cabo-verdiana de Futebol recentemente lançou uma campanha para a arrecadação de subsídios, mas até o momento, colheu apenas 20% da verba estabelecida. Dentro de campo, o grande desfalque será o zagueiro e capitão Ricardo, que já havia se aposentado da seleção e voltou atrás apenas para a disputa das eliminatórias. Ryan Mendes, atacante do Lille com muitos recursos técnicos, é o jogador a se ter em mente. O técnico é Lúcio Antunes, que comanda um ótimo trabalho de reestruturação do futebol local e trabalhava como controlador de tráfego aéreo até pouco tempo. Com ele, definitivamente a seleção cabo-verdiana pode almejar voos ainda mais altos.

Treinador: Lúcio Antunes
Fique de olho: Ryan Mendes (A)
Melhor participação: estreante
Time-base: Vozinha; Carlitos, Fernando Varela, Nando, Nivaldo; Ronny, Marco Soares; Toni Varela, Babanco, Heldon; Ryan Mendes.

GRUPO B

GANA

Em relação ao time semifinalista da CAN 2012, Gana parece enfraquecida. O que é preocupante, visto que a seleção comandada por Kwesi Appiah tem a obrigação de lutar pelo título. Apenas sete dos 23 convocados disputaram as duas últimas edições do torneio, em 2010 e 2012. Appiah, de fato, promove uma reformulação da equipe. Só dois jogadores do elenco ultrapassam a casa dos 28 anos (Boateng, 29, e Paintsil, 31). E mais da metade dos convocados (12 de 23) disputaram menos de dez partidas com a camisa dos Estrelas Negras.

Além da falta de experiência, a equipe certamente deve sentir a ausência de seu principal jogador, André Ayew. O meio-campista do Marseille se recuperava de dores no tendão quando a comissão técnica de Gana solicitou a sua presença em Abu Dhabi, onde a equipe fazia um período de treinamentos, para se tratar com os médicos da seleção. Ayew decidiu continuar seu tratamento na França, o que motivou Appiah a cortá-lo da convocação. Sem ele, o promissor Christian Atsu ganhará um papel mais preponderante no time. Incisivo e driblador nato, o jovem do Porto tem tudo para despontar na África do Sul. A esperança de gols ainda é Asamoah Gyan, que está em grande forma no futebol dos Emirados Árabes: 21 gols em 13 jogos na liga local. De qualquer forma, depois da Costa do Marfim, Gana ainda é a equipe mais temida do torneio.

Treinador: Kwesi Appiah
Fique de olho: Christian Atsu (M)
Melhor participação: campeã em 1963, 1965, 1978 e 1982
Time-base: Kwarasey; Paintsil, Vorsah, Boye, Asamoah; Annan, Badu; Atsu, Derek Boateng, Wakaso; Gyan.

MALI

Não dá pra falar de Mali sem abordar a delicada situação política em seu território. Grupos radicais islamitas controlam o norte do país desde o ano passado e o governo malinês declarou estado de emergência nos últimos dias, após uma nova ofensiva dos insurgentes. Com o futebol em segundo plano, as expectativas para a CAN são razoáveis. Mali mantém a base que fez ótima campanha na última edição do torneio, ficando em 3º lugar (melhor resultado em 40 anos), mas não conseguiu segurar o ótimo técnico Alain Giresse no cargo por questões salariais. Patrice Carteron chegou para o seu lugar e classificou a equipe com autoridade nas eliminatórias (3 a 0 e 4 a 1 nos dois jogos contra Botsuana).

A grande novidade na equipe é o retorno do veterano Momo Sissoko, volante do PSG. Ele passou um bom tempo afastado da seleção por conta de divergências com a federação, mas está confirmado para o torneio que disputou pela última vez em 2010. A dupla de ataque, formada por Diabaté e Maïga, é um dos grandes trunfos da equipe. Ambos possuem um faro de gol apurado e podem fazer a diferença, ainda que Maïga esteja encostado em seu clube, o West Ham. Seydou Keita, volante ex-Barcelona que atualmente joga no futebol chinês, ainda é a grande referência da seleção. Ele completa 33 anos no próximo dia 16, mas segue bem preparado fisicamente.

Treinador: Patrice Carteron
Fique de olho: Cheick Diabate (A)
Melhor participação: vice-campeã em 1972
Time-base: Diakité; Idrissa Coulibaly, N’Diaye, Adama Coulibaly, Tamboura; Sissoko, Mahamane Traoré (Diarra), Kalilou Traoré, Keita; Diabaté, Maïga.

NÍGER

Repetindo 16 dos 23 convocados para a última CAN, Níger foi protagonista de uma das histórias mais fascinantes da última edição do torneio. Para arcar com os custos necessários para a disputa, o governo local cobrou uma taxa de 1,3% em cada ligação de telefone celular da população, além de contar com doações de empresários. Desta vez, no entanto, a federação nigerina se organizou melhor e realizou uma coleta de fundos em um evento televisivo.           Estudantes do ensino médio na capital Niamey também foram fundamentais na arrecadação, percorrendo várias partes do país em busca de doações. Para um dos países mais pobres da África, é um esforço notável.

A seleção nigerina agora é comandada pelo alemão Gernot Rohr, que fez um grande trabalho no Gabão, sendo quadrifinalista da CAN 2012. O atacante Moussa Maazou, que assinou com os tunisianos do Etoile du Sahel após quatro temporadas no futebol europeu (passando por CSKA, Monaco, Bordeaux e outros), é a única grande referência da equipe, mesmo sem atuações exuberantes pela seleção. No ano em que se completa 50 anos da primeira partida internacional da história de Níger, a expectativa é ao menos somar pontos no grupo, já que em sua campanha de estreia no torneio continental, os nigerinos perderam todos os seus três jogos e só anotaram um gol.

Treinador: Gernot Rohr
Fique de olho: Moussa Maazou (A)
Melhor participação: fase de grupos em 2012
Time-base: Daouda; Kader, Chikoto, Dan Kowa, Soumaïla; Abdoul Karim, Laouali; Moutari, N’Gounou, Garba; Maazou.

RD CONGO

O sorteio dos grupos não foi generoso, mas a República Democrática do Congo pode causar um grande impacto nesta edição da CAN. Os comandados de Claude Le Roy são os grandes candidatos a azarão do torneio. Aliás, foi justamente sobre o comando do francês que a seleção havia aparecido pela última vez na fase final da competição, em 2006. Le Roy, que já foi campeão da CAN como técnico (em 1988, com Camarões), reassumiu o comando em setembro de 2011 e tem feito um trabalho magnífico. Com ele no comando, jogadores com reputação internacional como Mulumbu e Mbokani desistiram da aposentadoria da seleção e hoje exercem papeis imprescindíveis na equipe.

Mbokani, que passou 14 meses afastado da seleção, está em grande forma no Anderlecht, com média de quase um gol por jogo. Ele é a referência ofensiva do 4-2-3-1 de Le Roy, que conta com três jogadores de muita capacidade técnica no meio: pelas pontas, Kaluyituka, carrasco do Inter no Mundial Interclubes de 2010, e Déo Kanda, jogador muito ágil e incisivo. A maestria fica por conta de Trésor Mputu, do Mazembe, um dos melhores jogadores que atuam no futebol africano. Ele é o “trequartista” do time, distribuindo o jogo com muita precisão com passes em profundidade. No gol, Kidiaba, o jogador mais carismático do torneio (menos para os colorados), dispensa comentários. Olho neles.

Treinador: Claude Le Roy
Fique de olho: Trésor Mputu (M)
Melhor participação: campeã em 1968 e 1974
Time-base: Kidiaba; Issama, Mongongu, Mabiala, Kasusula; Makiadi, Mulumbu; Déo Kanda, Mputu, Kaluyituka; Mbokani.

GRUPO C

ZÂMBIA

Logo após a conquista inédita da CAN em 2012, o técnico Hervé Renard deu uma declaração interessante: “Nós fomos os melhores para um torneio, mas tenho certeza que não somos o melhor time da África”. Apenas três seleções em toda a história da Copa Africana de Nações conseguiram um bicampeonato: o Egito (duas vezes, em 1957-59 e o tri em 2006-08-10), Gana (1963-65) e Camarões (2000-02). Zâmbia sabe que precisa se reinventar para tentar repetir o feito. Nos últimos quatro amistosos preparatórios para o torneio, nenhum gol marcado. Resultados que devem ser relativizados, claro, até porque muitas seleções “escondem o jogo” em amistosos.

Para desmentir a teoria do próprio Renard e se firmar como a melhor seleção do continente, Zâmbia aposta na mesma base campeã no ano passado. Só não se pode dizer que será exatamente igual porque Emmanuel Mbola, lateral-esquerdo de 19 anos, ganhou a posição de Joseph Musonda, de 35. Com uma equipe ainda mais madura, é difícil não criar grandes expectativas. Quatro dos titulares atuam no Mazembe, que cedeu seis jogadores para os Chipolopolo e outros cinco para RD Congo – é a equipe mais representada nesta CAN. O 4-4-1-1 será mantido, com o ótimo Kalaba organizando o jogo no meio-campo e Katongo jogando um pouco mais atrás de Mayuka.

Treinador: Hervé Renard
Fique de olho: Rainford Kalaba (M)
Melhor participação: campeã em 2012
Time-base: Mweene; Nkausu, Sunzu, Himoonde, Mbola; Lungu, Chansa, Sinkala, Kalaba; Katongo; Mayuka.

NIGÉRIA

Uma das ausências mais notáveis da última edição da CAN, a Nigéria busca reafirmar sua tradição no futebol africano. Do meio pra frente, Stephen Keshi dispõe de uma equipe de alto nível. O trio de ataque, formado por Emenike, Moses e Musa, tem média de idade de apenas 22,7 anos. Todos estão em grande forma no futebol europeu, sobretudo Moses, titular no Chelsea. As opções no banco de reservas também não ficam pra trás: o veterano Uche, maior goleador pela seleção do atual elenco com 18 gols, e Ideye Brown, atual vice-artilheiro do Campeonato Ucraniano pelo Dinamo Kiev com 13 gols.

Tanta qualidade no setor ofensivo fez desnecessária a presença de Odemwingie, que disparou contra Keshi e a federação por ter sido excluído da convocação e criou um mal estar com vários jogadores. Obi Mikel, que passou um bom tempo afastado da seleção, desempenha um papel fundamental na equipe, ainda que seja sobrecarregado. Além de sair para o jogo, ele também se vê obrigado a cobrir os espaços deixados pelos “aventureiros” Oboabona e Echiéjilé, laterais que comprometem demais na marcação. A dupla de zaga, formada por Ambrose e Yobo, também ainda não acertou. E Enyeama não é nem sombra do bom goleiro que despontou na Copa de 2010, tendo inclusive a titularidade ameaçada. Falta consistência para a equipe brigar de igual pra igual com as potências da competição.

Treinador: Stephen Keshi
Fique de olho: Ahmed Musa (A)
Melhor participação: campeã em 1980 e 1994
Time-base: Enyeama; Oboabona, Ambrose, Yobo, Echiéjilé; Mikel, Igiebor, Onazi (Obiorah); Moses, Emenike, Musa.

BURKINA FASO

Com três derrotas em três jogos, Burkina Faso terminou a CAN 2012 com a terceira pior campanha entre todas as equipes. O vexame custou o emprego do técnico português Paulo Duarte, substituído pelo belga Paul Put. Com o ex-treinador de Gâmbia no comando, a seleção já evoluiu em diversos aspectos (sobretudo na parte defensiva), mas não parece ter cancha para passar de fase. A classificação para a CAN só veio com um gol aos 51 minutos do segundo tempo contra a modesta seleção da República Centro-Africana, marcado por Alain Traoré.

Curiosamente, Burkina Faso é a única seleção que não convocou nenhum jogador que atua em seu país. Aliás, trata-se de um elenco bastante heterogêneo: os 23 jogadores chamados estão distribuídos em clubes de 11 países diferentes. Na verdade só entram 22 atletas na estatística, já que o meia Abdou Razack Traoré, que inclusive é titular da equipe, continua sem clube. O trio ofensivo formado por Alain Traoré, Pitroipa e Dagano continua sendo o grande trunfo dos burquinenses. Traoré, aliás, soma seis gols e cinco assistências pelo Lorient na Ligue 1. É pouco para ameaçar a supremacia de Nigéria e Zâmbia na chave.

Treinador: Paul Put
Fique de olho: Alain Traoré (M)
Melhor participação: 4º lugar em 1998
Time-base: Soulama; Panandétiguiri, Bakary Koné, Koffi, Koulibaly; Rouamba (Djakaridja Koné), Kaboré; Abdou Traoré, Alain Traoré, Pitroipa; Dagano.

ETIÓPIA

Se você busca por entretenimento, tenha esta seleção em mente. A Etiópia é a promessa do futebol mais divertido da CAN. Uma equipe pra lá de desorganizada taticamente, que deixa enormes espaços na defesa, mas que contra-ataca de forma fulminante e utiliza da capacidade física de seus jogadores para se manter intensa durante os 90 minutos. É o retrato daquela antiga mentalidade sobre o futebol africano, com a diferença que este time não tem nada de inocente. A verdade é que os etíopes, independente dos resultados, já fizeram história: quebraram um tabu de 31 anos sem disputar a principal competição de seleções da África.

A seleção comandada por Sewnet Bishaw é a mais caseira do torneio: 20 dos 23 convocados atuam no próprio futebol etíope, sendo que dois dos “estrangeiros” são bastante curiosos: o atacante Fuad Ibrahim atua em uma liga menor norte-americana (Minnesota Stars), e o meia Yussuf Saleh disputa a segunda divisão sueca (Syrianska). No entanto, o outro jogador que atua fora do país, Saladin Said, merece atenção especial. Ele defende o Wadi Degla (Egito) e possui um potencial interessantíssimo. Além da velocidade e da agilidade característica dos etíopes, Said também é dotado de um bom poder de finalização. A Etiópia é o país do atletismo, mas quer provar que pode progredir ainda mais no futebol.

Treinador: Sewnet Bishaw
Fique de olho: Saladin Said (A)
Melhor participação: campeã em 1962
Time-base: Sisay; Tesfaye, Debebe, Elias, Butako; Hintsa, Asrat Megersa; Kebede, Bekele, Girma; Said.

GRUPO D

COSTA DO MARFIM

“Agora vai?”. Essa é a pergunta que insiste em perseguir o ambiente dos marfinenses. Mesmo consolidada como a melhor seleção da África, a Costa do Marfim não consegue quebrar o jejum de 20 anos sem conquistar a CAN. O título bateu na trave em 2012, com a derrota nos pênaltis na final contra Zâmbia. Mas também bateu na trave em 2006, 2008 e 2010, todas com eliminações dramáticas. A “geração de ouro” do país parece fadada a não conquistar nenhum troféu, mas na África do Sul, terá mais uma chance de quebrar este tabu.

Após o fracasso no ano passado, o técnico François Zahoui foi demitido e Sabri Lamouchi assumiu em seu lugar. A nomeação do franco-tunisiano causou surpresa, afinal, esta é sua primeira experiência como treinador. De qualquer forma, a base da equipe continua a mesma. Kalou, todavia, perdeu espaço no time titular para Gradel, que tem feito ótimas partidas com a seleção. As laterais continuam sendo um problema, principalmente pela esquerda, onde Tiéné está sem ritmo de jogo no PSG. O elenco ainda apresenta algumas novidades em relação a 2012, como Lacina Traoré, atacante grandalhão e curiosamente ágil do Anzhi, e Abdul Razak, jovem volante do Manchester City. Drogba, claro, continua sendo o homem-gol da equipe, mas o reserva Wilfried Bony, do Vitesse, está em grande forma e pode ser decisivo em determinados jogos. É mais do que suficiente para, desta vez, levantar a taça.

Treinador: Sabri Lamouchi
Fique de olho: Max Gradel (M)
Melhor participação: campeã em 1992
Time-base: Barry; Eboué, Bamba, Kolo Touré, Tiéné; Zokora, Tiote, Yaya Touré; Gervinho, Drogba, Gradel (Kalou).

TUNÍSIA

Desde 1994, a Tunísia emplaca participações em todas as edições da CAN, recorde absoluto no continente. Na última vez que as Águias de Cartago visitaram a África do Sul, em 1996, ficaram com o vice-campeonato do torneio, perdendo para os anfitriões na decisão. Repetir o feito 17 anos depois parece fora de cogitação. Aliás, passar da primeira fase já seria uma demonstração de força, já que os tunisianos compõem o chamado “grupo da morte”, no qual Costa do Marfim e Argélia parecem mais consistentes em relação a seus adversários.

Sami Trabelsi, idolatrado no país, aposta novamente em um elenco ‘local’: 13 dos 23 convocados atuam no futebol tunisiano. No entanto, neste novo ‘ciclo’ sob o seu comando, a equipe ainda não conseguiu emplacar uma grande atuação, ao ponto de sofrer para se classificar contra Serra Leoa nas eliminatórias. O grande destaque individual do time é o habilidoso Youssef Msakni. Agora como titular, ele terá ao seu lado um velho conhecido de seus tempos no Espérance: Oussama Darragi, um camisa 10 à moda antiga. Abdennour, que atua no Toulouse, é um dos melhores zagueiros africanos na atualidade. Sozinho, no entanto, não consegue trazer estabilidade a um confuso sistema defensivo.

Treinador: Sami Trabelsi
Fique de olho: Youssef Msakni (M)
Melhor participação: campeã em 2004
Time-base: Ben Cherifia; Boussaidi (Ifa), Abdennour, Hichri, Chammam; Mouelhi, Hammami, Ben Yahia; Darragi, Msakni; Khelifa.

ARGÉLIA

Em 2010, Valid Halilhodzic foi demitido do comando da Costa do Marfim após uma eliminação traumática na CAN. O algoz naquela ocasião foi a Argélia, que venceu na prorrogação após conseguir um empate nos últimos minutos do tempo normal. Quis o destino que, três anos depois, o bósnio estivesse novamente na disputa do torneio. E, curiosamente, do lado da seleção responsável por uma das grandes frustrações de sua carreira. Conhecido pelo estilo “linha dura”, Halilhodzic faz da Argélia uma seleção altamente competitiva. Com uma equipe rejuvenescida, aplicada taticamente e com talento em abundância, os argelinos correm por fora pelo título na África do Sul.

Desde que assumiu o cargo, na metade de 2011, o treinador basicamente rompeu com a “velha guarda” que fracassou na Copa do Mundo do ano anterior. Jogadores como Bougherra, Belhadj, Yebda, Yahia e Ziani deixaram o radar da seleção para darem espaço aos mais jovens. Feghouli, que estreou no início do ano passado após regularizar sua naturalização, passou a ser a grande figura individual da equipe. Halilhodzic também foi o responsável pela afirmação de jogadores como Medjani, Mesbah, Soudani e Slimani, todos indispensáveis no atual time. Montada no 4-2-3-1 e dotada de conceitos interessantes como a marcação pressão e a valorização da posse de bola, esta equipe pode surpreender. Não à toa, trata-se da segunda melhor seleção africana no ranking da Fifa.

Treinador: Valid Halilhodzic
Fique de olho: Sofiane Feghouli (M)
Melhor participação: campeã em 1990
Time-base: M’Bolhi; Cadamuro, Belkalem, Medjani, Mesbah; Guedioura, Lacen; Feghouli, Kadir, Boudebouz (Slimani); Soudani.

TOGO

Com um ambiente completamente minado, a seleção togolesa precisará controlar os egos para fazer uma campanha digna na CAN. A preparação da equipe para o torneio basicamente se resumiu à incerteza da participação de Emmanuel Adebayor. Primeiramente, o atacante adotou uma postura contrária aos conceitos da federação, repudiando diversas falcatruas dos dirigentes e refutando qualquer possibilidade de estar na África do Sul. No entanto, às vésperas do torneio, o craque reviu sua decisão e viajou com a equipe. Mas será que vale a pena?

Como já foi amplamente discutido pela imprensa local nas últimas semanas, o grupo está “rachado”. Adebayor não é bem quisto por alguns de seus companheiros, principalmente o zagueiro Serge Akakpo. Outros, como o goleiro Agassa e o volante Romao, ameaçaram não disputar o torneio caso Adebayor ficasse de fora. No entanto, de uma forma ou de outra, Togo está num nível técnico muito abaixo de seus três adversários na chave. Um ou outro jogador cria boas expectativas, como o meia Floyd Ayité, mas é muito pouco. Um vexame na CAN pode selar de vez o rompimento de Adebayor com a seleção. Afinal, nada é tão ruim que não possa piorar.

Treinador: Didier Six
Fique de olho: Emmanuel Adebayor (A)
Melhor participação: fase de grupos em 1972, 1984, 1998, 2000, 2002 e 2006
Time-base: Agassa; Dakonam, Akakpo, Mango, Mamah; Ouro-Akoriko, Romao; Boukari, Salifou, Floyd Ayité; Adebayor.

 

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Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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