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Os 35 anos de Diouf, craque por uma Copa do Mundo (e um pouquinho mais)

O cabelo oxigenado e camisa 11 se tornaram ícones da Copa do Mundo de 2002. Em um Mundial de surpresas, El-Hadji Diouf se tornou a maior personificação delas. O atacante sequer marcou gols no Japão e na Coreia do Sul, mas comandou o ataque de Senegal na competição. Com o garoto de 21 anos voando baixo, os Leões de Teranga venceram a França e a Suécia, só parando nas quartas de final para a Turquia. Um desempenho que valeu a carreira de Diouf: o jovem ganhou o prêmio de melhor jogador africano do ano e foi eleito para a seleção da Copa. Além disso, dois anos depois, ainda acabou mencionado pela Fifa na lista dos 125 maiores jogadores de seu centenário – em tremendo exagero.

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Depois disso, Diouf não precisou mais jogar bem. Chegou a peso de ouro no Liverpool, mas anotou míseros seis gols em 79 jogos. Duas temporadas nos Reds antes de começar a vida de andarilho. Até viveu bons momentos no Bolton, mas pouco para um astro de Copa do Mundo. Passou por Sunderland, Blackburn, Doncaster, Leeds e Rangers. Quando a paciência se esgotou no Reino Unido, ainda descolou um espaço no Sabah, da Malásia. Mas as polêmicas, muito mais frequentes do que as bolas nas redes, nunca o permitiram ir para a frente. Rescindiu com o clube da segundona malaia depois de poucos jogos para, então, pendurar as chuteiras. Aos 35 anos, completados nesta sexta, ainda tenta viver da fama. Por isso, pretende apostar na carreira política em Senegal.

Ainda assim, não dá para resumir a carreira de Diouf apenas à Copa do Mundo de 2002. O senegalês surgiu cedo no futebol francês e, desde o final da adolescência, arrumou confusão. Durou pouco no Sochaux e no Rennes, antes de ser negociado com o Lens em 2000. Por lá, fez duas grandes temporadas, conquistando até mesmo o vice-campeonato em 2001/02. Além disso, começou a sua história no Mundial, através das Eliminatórias. Jogou tanto que o prêmio de jogador africano do ano em 2002, na verdade, foi o seu bicampeonato.

Dos 17 gols de Senegal na fase qualificatória, Diouf anotou oito. E brilhou em jogos difíceis. Foram três tentos no duelo contra a Argélia, em Dacar. Já na partida mais importante, definiu a vitória sobre Marrocos por 1 a 0, na penúltima rodada. A partir daquele resultado, os Leões de Teranga puderam igualar a pontuação dos marroquinos, que folgavam na rodada final. Acabaram com a vaga na Copa graças à goleada por 5 a 0 sobre a Namíbia, superando os árabes no saldo de gols. No prêmio de jogador africano daquele ano, Diouf bateu Samuel Kuffour, peça importante no Bayern de Munique campeão europeu, e Samuel Eto’o, que começava a estourar no Mallorca.

E, meses antes de viajar à Coreia e ao Japão, o jovem talentoso deu mais uma prova de sua grande fase na Copa Africana de Nações, disputada em janeiro de 2002. Chegou a perder um pênalti na final contra Camarões, mas acabou com o vice-campeonato e um lugar na seleção do torneio. Pegou embalo para se tornar conhecido em todo o mundo e gravar seu nome na história através da Copa. Um feito que permitiu a Diouf encerrar a sua carreira ali mesmo, por mais que continuasse aparecendo em campo.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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