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Mundial pode motivar renascimento do futebol de Marrocos

Se você é jovem ainda, pode não lembrar, mas houve uma época na qual o Marrocos era uma das equipes mais relevantes da África. O país que foi palco daquela novela cheia de dança do ventre disputou a Copa do Mundo três vezes entre 1986 e 1998 e chegou até às oitavas de final, no México. Nos últimos dez anos, porém, o futebol local está em decadência, e sediar o Mundial de Clubes pode ser o primeiro passo na direção de uma reestruturação.

Desde a Copa da França, Marrocos não consegue se classificar para o principal torneio de seleções. Se em 2002 e 2006 passou perto – empatou em pontos com Senegal e ficou a um da Tunísia -, foi lanterna nas Eliminatórias para a Copa de 2010 e, apesar de segundo colocado, ficou longe da líder Costa do Marfim no qualificatório para 2014.

Campeão em 1976, terceiro lugar quatro anos depois e vice de 2004, o Marrocos também não consegue mais sucesso na Copa Africana de Nações. Caiu na primeira fase nas últimas quatro vezes em que participou e nem conseguiu vaga para 2010.

O fracasso da seleção também é reflexo de uma perda de protagonismo dos clubes marroquinos no continente. A Liga dos Campeões da Ásia, cuja primeira edição foi realizada em 1964, teve seis clubes do país na decisão entre 1985 e 2002 e quatro campeões. Desde então, apenas o Wydad Casablanca conseguiu chegar à final e foi derrotado pelo ES Tunis, da Tunísia.

O Marrocos vai sediar a Copa Africana de Nações de 2015, e esses eventos o colocam em evidência, mas ainda têm pouco poder para ajudar. Por outro lado, embora saibamos de todo o jogo político que envolve essa escolha e não façamos a menor ideia de quando a África vai receber outra Copa do Mundo, os torneios podem servir como um teste para o objetivo – quase uma obsessão – de sediar um Mundial. O país tentou recebê-lo em 1994, 1998, 2006 e 2010 e chegou perto duas vezes. Perdeu por 10 a sete para os Estados Unidos e por 14 a 10 para a África do Sul.

“O Marrocos quase conseguiu sediar a Copa de 2010. Foi uma votação acirrada”, disse o presidente da Fifa, Joseph Blatter. “Mesmo naquela época, Sua Majestade (Mohammed VI) e o então presidente da federação prometeram que continuariam a investir no desenvolvimento do futebol e na construção de novos estádios. E foi o que eles fizeram. Isso conta a favor em termos de organizar outras competições da Fifa como a Copa do Mundo, quando a África ganhar o direito de recebê-la novamente. Será um teste muito útil”.

Se o Mundial de Clubes também influenciar em uma futura escolha para sediar a Copa do Mundo, ótimo, porque colocaria Marrocos no que chamam de “mapa do futebol”, atrairia investimentos e melhoraria a infraestrutura. O principal benefício, porém, pode ser motivação para o governo continuar investindo no futebol.

Por exemplo, Fouzi Lekjaa foi eleito presidente da Federação Marroquina com uma campanha baseada em um plano de investimento de U$ 72 mil de dinheiro público para a profissionalização desse esporte, que se faz necessária, afinal, ele ainda não foi reconhecido pela Fifa porque a eleição não foi realizada de acordo com as diretrizes da entidade. Um novo pleito está marcado para o ano novo.  Um pouco mais de organização também não faria mal.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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