No dia 31 de maio de 2002, a primeira Copa do Mundo na Ásia foi marcada por uma zebra logo na primeira rodada. A grande favorita daquele Mundial, a França, então campeã do mundo, foi derrotada por uma estreante, Senegal, por 1 a 0. O autor daquele gol foi Papa Bouba Diop, meio-campista que morreu neste domingo, 29, depois de sofrer com a doença de Charcot-Marie-Tooth. A morte do ex-jogador, 42 anos, foi confirmada pela Federação de Futebol Senegalesa.

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“A doença de Charcot-Marie-Tooth (CMT) é um grupo de doenças hereditárias do sistema nervoso periférico, a rede de nervos que fornece movimento e sensação aos braços e pernas. Descrita pela primeira vez em 1886 por três médicos – -Martin Charcot, Pierre Marie e Howard Henry Tooth – a CMT é uma das neuropatias hereditárias mais comuns (doenças que afetam a função nervosa). Também é conhecido como neuropatia motora e sensorial hereditária (HMSN)”, diz um site especializado na doença. A doença não tem cura e afeta cerca de 2,8 milhões de pessoas ao redor do mundo, segundo a Pebmed.

Com 1,94 de altura, foi apelidado como “O armário”, evidentemente por seu porte físico avantajado. Jogou como volante em toda carreira. Foi um dos jogadores que conseguiu um grande destaque naquela Copa do Mundo. As seleções africanas mais bem-sucedidas em Copas do Mundo chegaram às quartas de final. Camarões, em 1990, , em 2002, e , em 2010.

Depois de se classificar em segundo lugar no Grupo A, atrás da Dinamarca, e deixando para trás Uruguai e França. Nas oitavas de final, os senegaleses venceram a Suécia na prorrogação. Nas quartas de final, o time africano acabou derrotado pela Turquia, outra surpresa daquela Copa. Se tivesse conseguido vencer, enfrentaria o Brasil na semifinal – os turcos caíram para os futuros pentacampeões por 1 a 0.

A Fifa confirmou a morte do herói da Copa 2002 nas suas redes sociais. “A Fifa está triste de saber da morte da lenda de Senegal Bouba Diop. Uma vez um herói de Copa, sempre um herói de Copa”, escreveu a entidade que dirige o futebol mundial.

Nascido em Dakar, começou a sua carreira no Diaraf Dakar, mas rapidamente passou ao Vevey United, da Suíça, onde ele se tornou mais conhecido. Sua carreira decolou quando foi para um dos grandes daquele país, , em 2001. Em 2002, depois daquela famosa Copa do Mundo, foi para o Lens, da França.

Passaria ainda pelo Fulham e Portsmouth, da Inglaterra, AEK Athenas, West Ham e encerrou a carreira pelo Birmingham, em 2013. Jogou pela seleção senegalesa de 2001 até 2008. Além da Copa 2002, jogou também a Copa Africana de Nações (CAN), em 2002, 2004, 2006 e 2008. Terminou a sua carreira com 62 jogos pela seleção senegalesa, com 11 gols marcados.