África

Gatos na Nigéria

Cerca de duas semanas atrás, foi realizado em Abuja, na Nigéria, o sorteio dos grupos para o Mundial Sub-17, a ser disputado no país africano entre os meses de outubro e novembro. Os anfitriões não se deram nada bem. Como dificilmente acontece nessas cerimônias, caíram naquele que pode ser apontado como o grupo da morte – sim, toda competição tem que ter um, dizem. As mãos do ex-goleiro Peter Rufai, que, um dial, defenderam a meta nigeriana, brindaram seus compatriotas com a companhia de Alemanha, Argentina e Honduras na chave.

A Nigéria está, desde já, em maus lençóis. Mesmo com adversários difíceis logo de cara, tem a obrigação de fazer um bom papel, já que, na última edição do torneio, em 2007, ficou com o título. Repetir a façanha de Macauley Chrisantus e Rabiu Ibrahim será uma tarefa árdua para o novo time juvenil. Não bastasse isso, uma série de fatores vem atrapalhando a preparação da equipe para a competição.

Antes mesmo de o sorteio ser realizado na capital nigeriana, já se colocava em dúvida a realização do Mundial no país. Isso porque a Fifa se mostrava insatisfeita com o andamento das obras nos estádios e grupos terroristas que habitam a região vinham ameaçando o evento. Todos esses fatores geraram incerteza em torno da manutenção da competição na Nigéria e, claro, foram sentidos pela equipe, que, em meio a isso, não sabia para quê exatamente estava treinando. Por fim, felizmente, nenhuma mudança nos planos iniciais acabou acontecendo.

Terminavam aí os problemas das Super Águias? É claro que não. Na última semana, pipocou na imprensa nigeriana a notícia de que o campo de treinamentos da seleção sub-17 havia sido invadido por inúmeros gatos. E não estamos falando aqui do felino que costuma ser adorado por muita gente – não inclua neste rol este colunista. Mas, sim, de jogadores com idade adulterada, algo tão comum no continente africano e que, ainda assim, segue assustando. Não por acaso.

A suspeita é de que 22 dos 35 garotos que vinham participando dos treinos tenham sido registrados na federação com datas de nascimento falsas. Ou seja, mais da metade do elenco com que o treinador John Obu trabalhava até aqui. Some-se a isso o troca-troca no comando do time e temos um cenário que, acredite – dificilmente, falaríamos isso meses atrás -, se apresenta mais sombrio do que o dos sul-africanos em relação à Copa do Mundo que receberão.

A tarefa dos juvenis nigerianos já não era simples. Substituir a garotada campeã na Coreia do Sul seria muito difícil, mas, quem sabe, com muito trabalho e uma boa dose de sorte, não fosse possível, provavelmente pensavam os jogadores. No entanto, com essa bomba, fica seriamente ameaçada a participação das Super Águias no Mundial. A se confirmar o resultado dos exames, o técnico Obu terá menos de dois meses para remontar o seu elenco e prepará-lo para o torneio.

O tempo é muito curto e o desafio ainda apresenta um grande complicador: a maioria dos times nigerianos não possui qualquer trabalho na base. Diante dessa constatação, onde será que a comissão técnica encontrará atletas para compor o grupo a essa altura? Talvez nem ela saiba.

Independente disso, é elogiável a atitude dos dirigentes nigerianos de realizar exames de análise de idade óssea em todos os jogadores para impedir que se repita no Mundial o filme de 20 anos atrás, quando o país foi suspenso de competições de base por conta de três – “apenas” três – casos de gatos ocorridos naquela década. Entre eles, o do atual treinador do time de juniores, Samson Siasia. A decisão dos cartolas serve como exemplo para outras seleções do continente, e, se adotada, ajudaria a diminuir esse problema, que, por mais que ignorem, contribui para o atraso no futebol local.

McCarthy de volta?

Bastou uma derrota para que o nome de Benni McCarthy voltasse a ecoar na seleção sul-africana. Em seu último amistoso, os Bafana Bafana receberam a Sérvia e perderam por 3 a 1. Poderia ter sido pior, já que os sérvios ganhavam por 3 a 0 até os acréscimos do segundo tempo. O resultado serviu para ligar, mais uma vez, o alarme na África do Sul e mostrar que o time não deve se iludir com o desempenho da Copa das Confederações. A mensagem foi clara: ainda há muito a trabalhar, então, vamos com calma.

Na entrevista coletiva depois da partida, o treinador Joel Santana abriu as portas para o retorno de veteranos como McCarthy e Nasief Morris à seleção. O ex-flamenguista parece convencido de que, por mais que sua equipe tenha ido bem nos últimos meses, a entrada desses atletas representaria um acréscimo em seu grupo. E os jogadores, como pôde ser conferido na entrevista do zagueiro Matthew Booth à Trivela, estão de acordo com uma possível decisão nesse sentido.

Por conta disso, não será surpresa se, na próxima convocação, o técnico brasileiro chamar as peças mais experientes de volta. O mês de setembro promete ser cheio e a presença delas no grupo será interessante. Os sul-africanos terão pela frente Alemanha, Irlanda e Angola. Qualquer derrota que não seja contra os alemães pode abalar, de novo, a confiança na equipe. Será, portanto, uma sequencia decisiva para o time até o Mundial. Depois disso, os amistosos não serão tão difíceis.

Outros resultados pelo continente

A África do Sul não foi a única seleção do continente a aproveitar a Data Fifa para testar a sua equipe. Outros países entraram em campo para acertar os últimos detalhes antes do returno da fase final das Eliminatórias para a Copa do Mundo. Na primeira quinzena de setembro, teremos duas rodadas que serão decisivas para a definição dos representantes africanos na competição. Confira os resultados dos principais amistosos:

Egito 2 x 2 Guiné
Camarões 2 x 0 Áustria
Gana 4 x 1 Zâmbia
Tunísia 0 x 0 Costa do Marfim
RD Congo 2 x 1 Senegal
Angola 2 x 0 Togo
Mali 3 x 0 Burkina Faso
Argélia 1 x 0 Uruguai
Marrocos 1 x 1 Congo

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Equipe Trivela

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