África

Fracasso sul-africano

Mesmo após a sua melhor apresentação nas Eliminatórias, a África do Sul não conseguiu evitar o que todos temiam: a derrota para a Nigéria e a eliminação precoce num grupo que está longe de assustar. O país jogou bem, dominou todas as ações da partida em Port Elizabeth, mas não conseguiu traduzir as inúmeras oportunidades criadas em gol e foi penalizado em uma jogada do meia-atacante Ikechukwu Uche. O resultado manteve o 100% de aproveitamento de nigerianos nessa fase e ajudou Serra Leoa, que bateu Guiné Equatorial e continua sonhando com a classificação.

Sem mais chance de chegar à próxima Copa Africana de Nações, os Bafana Bafana não se mostraram muito abatidos depois de mais esse fracasso. Para a surpresa da imprensa, que criticou bastante essa postura, comissão técnica e jogadores preferiram ressaltar a boa exibição diante de seus torcedores e creditaram à falta de sorte o fato de mais uma vitória ter escapado do time nessas Eliminatórias. Sob o comando de Joel Santana, vale lembrar, só um triunfo foi conquistado em sete partidas. Um desempenho pra lá de negativo.

Por trás desses números, está a falta de pontaria do ataque sul-africano. Contra as Super Águias, foram 16 arremates em gol e nenhum sucesso, enquanto os adversários testaram o jovem goleiro Itumeleng Khune apenas quatro vezes e conseguiram marcar. Até em virtude disso, é preciso defender o ex-treinador flamenguista, que vem sendo contestado em decorrência não só de sua falta de fluência no idioma inglês, mas também por causa de seu defensivismo. Porém, como escalar uma equipe com dois atacantes se até mesmo o principal deles, McCarthy, não se apresenta em boa forma física?

De fato, complicado. Entretanto, em meio a esse cenário nada favorável para os anfitriões da Copa do Mundo de 2010, há de se salutar o posicionamento de boa parte dos jornalistas e dos dirigentes, que, a despeito dos técnicos locais, têm defendido a permanência de Joel Santana no cargo. É praticamente um consenso no país que uma troca, agora, pouco ajudaria na tarefa de fazer um bom Mundial daqui a dois anos. Ponto positivo para os sul-africanos.

Além de acompanharem os já classificados nigerianos na fase final das Eliminatórias, os Bafana Bafana também ficarão de olho em Camarões e Benin, que carimbaram seus passaportes nessa última rodada do torneio. Sem Samuel Eto'o, suspenso, os Leões Indomáveis garantiram os três pontos frente Cabo Verde após as mudanças feitas no segundo tempo pelo treinador Otto Pfister, que mandou a campo Emana e Nkong e virou o jogo fora de casa. Os beninenses, por sua vez, conquistaram uma vitória suada sobre Angola graças ao atacante Razak Omotoyossi, que marcou duas vezes.

Em situação confortável para se juntarem a esse trio, estão Costa do Marfim, Egito e Burkina Faso. Ainda que distantes de seu melhor momento, os marfinenses superaram as ausências de Drogba, Dindane e Aruna Koné e sustentaram a vantagem de três pontos na liderança de sua chave. Os Faraós também vêm em recuperação, após perderem por 4 a 0 para a Líbia em amistoso recente. Sem Zidan, punido pelo técnico Hassan Shehata, e Shady Mohamed e Gamal, afastados depois da goleada, os atuais bicampeões africanos venceram a RD Congo longe de seus domínios. Sensação das Eliminatórias, os Cavalos seguem em posição tranqüila mesmo com o empate frente a Tunísia.

Gana e Tunísia ameaçadas

Assim como a África do Sul, outras seleções tradicionais correm risco de ficarem pelo caminho na competição. Dentre elas, cabe destacar Gana e Tunísia. Atualmente na terceira colocação de seu grupo, empatadas com Gabão, as Estrelas Negras sofreram sua segunda derrota nesta fase diante da líder Líbia e, agora, precisarão fazer valer seu favoritismo contra o fraco time de Lesoto. Nenhum problema, ao que tudo indica. O substituto de Claude Le Roy no comando da equipe, Milovan Rajevac, é que já vem penando com a pressão da imprensa, advinda de suas opções táticas e sua falta de habilidade na comunicação em inglês.

Também novo no cargo, o treinador Humberto Coelho, que assumiu o lugar de Roger Lemerre na Tunísia em junho passado, tem trabalhado para mudar um pouco a concepção ofensiva, pautada no toque de bola, que marcou o futebol do país nos últimos anos. Na partida contra Burkina Faso, fora de casa, já deu certo, roubando dois pontos do primeiro colocado da chave e, até então, com 100% de aproveitamento nas Eliminatórias. Para esse jogo, em que não pôde contar com Chermiti e Francileudo dos Santos, a alternativa foi um meio-de-campo fechado e com Jwahar Mnari em sua condução.

Em seu próximo compromisso, as Águias de Cartago terão pela frente as frágeis Ilhas Seychelles e poderão garantir, na pior das hipóteses, a classificação como uma das oito melhores segundo colocadas. Marrocos, Senegal e, talvez com um pouco mais de dificuldade, Angola são outras equipes que podem trilhar caminho semelhante. Togo e Namíbia já são cartas fora do baralho.

Al Ahly nas semifinais da LC

Ao contrário do que esta coluna havia previsto, as coisas estão se saindo mais equilibradas do que esperávamos na Liga dos Campeões. A exceção do Al Ahly, que já assegurou sua presença nas semifinais e parte com tudo para reconquistar a hegemonia do continente, todos os outros clubes ainda têm chance de garantir lugar entre os quatro melhores do torneio. A decisão de quem acompanhará os Vermelhos na próxima fase sairá neste fim de semana.

No Grupo A, o Ahly cumpre tabela diante do ASEC Mimosas e deverá poupar seus titulares, segundo apontou o técnico Manuel José. Isso não quer dizer, no entanto, que os marfinenses terão vida fácil. Beneficiados pelos vacilos dos concorrentes, eles voltaram à disputa e, agora, tentarão tirar proveito de sua tradição mesmo com uma equipe muito mais fraca que a das últimas temporadas. De olho nesse confronto, estarão Dynamos e Zamalek, que se enfrentam, e, em caso de vitória dos líderes da chave, podem seguir adiante na competição.

O panorama está mais indefinido no Grupo B. Apostando no artilheiro Stephen Worgu, o Enyimba voltou a jogar bem, goleou o Al Hilal e assumiu a ponta na chave. Para fugir de um embate com o Al Ahly e não depender de ninguém, precisará bater o Cotonsport fora de casa. O resultado eliminaria os camaroneses, atualmente empatados na segunda colocação com o TP Mazembe, e deixaria para os alvinegros e o Al Hilal a decisão da vaga restante do grupo.

Desastre na RD Congo

Uma tragédia ocorreu no futebol congolês no último domingo. Em partida válida pelas divisões inferiores do país, entre Nyuki e Socozaki, 13 pessoas, em sua maioria, jovens, morreram pisoteadas após tentarem deixar o estádio ao mesmo tempo, em virtude do início de uma briga generalizada dentro de campo. O confronto se estendeu para as arquibancadas depois que um policial foi atingido na cabeça por um objeto atirado pelos torcedores.

A origem do embate, segundo a imprensa local, foi a tentativa do goleiro do Nyuki de lançar feitiçaria sobre o gol adversário. A partir daí, desencadeou-se a troca de agressão entre os jogadores que resultou nesse desastre. O jogo, um clássico da cidade de Butembo, não pôde mais ser retomado em sua volta do intervalo, quando tudo aconteceu. As autoridades estão, agora, investigando os responsáveis por mais esse fato lamentável que acomete o futebol africano.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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