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Façam suas apostas

Os grupos da Copa Africana de Nações 2013, que será realizada na África do Sul, foram sorteados em Durban na semana passada. Em comparação com a última edição, no início deste ano, foi possível observar que as “forças” foram mais bem distribuídas nas quatro chaves. Ainda que a fase de grupos da CAN 2012 tenha reservado muitas surpresas (sobretudo as eliminações de Marrocos e Senegal), praticamente todos os classificados haviam se definido já na segunda rodada. Certamente isso não deve se repetir no ano que vem. Costa do Marfim, por exemplo, não teve refresco: terá pela frente Argélia, Tunísia e Togo na fase inicial.

Mas vamos começar pelas coincidências que este sorteio reservou. A África do Sul conquistou a CAN uma única vez em sua história, justamente quando sediou o torneio, em 1996. Naquela ocasião, um dos adversários dos Bafana Bafana na fase de grupos foi Angola, na segunda rodada. Em 2013, as seleções dividem novamente a mesma chave. E se enfrentam novamente na segunda rodada. Como se não bastasse, em 96, a África do Sul disputou o jogo de abertura da competição contra Camarões. No ano que vem isso seria impossível, afinal, Camarões não garantiu classificação. Mas o adversário será justamente a seleção que eliminou os Leões Indomáveis: Cabo Verde.

Deixando de lado a superstição, sonhar com o título parece um pouco demais para esta limitada seleção sul-africana. Não bastasse os problemas extracampo envolvendo a organização do torneio (preocupação com a violência nas arquibancadas, públicos abaixo da média e estádios que se tornaram elefantes brancos), a equipe comandada por Gordon Igesund não inspira confiança e provavelmente estará sem sua principal referência: Steven Pienaar, que se retirou da seleção nacional.

Desta forma, o favoritismo no Grupo A recai sobre uma seleção que não é nem mesmo cabeça de chave: Marrocos, uma das equipes tecnicamente mais fortes do continente. Angola, apesar de enfraquecida, conhece o “caminho das pedras” da competição. Nem mesmo a ascendente seleção de Cabo Verde pode ser descartada.

O Grupo B é a típica chave que pode provocar conclusões errôneas: a princípio, Níger e República Democrática do Congo não parecem seleções à altura de Gana e Mali, que decidiram o terceiro lugar na última edição. No entanto, RD Congo é candidata fortíssima a surpresa da competição. Ainda que tenha ficado de fora nas últimas três edições, a seleção comandada por Claude Le Roy esbanja potencial: Kidiaba, Mulumbu, Mputu, Mbokani… Olho neles. E Níger, em que pese os problemas financeiros que deverá enfrentar mais uma vez, ao menos já tirou o peso de ser estreante em um torneio deste porte.

No Grupo C, Zâmbia encontrará muitas dificuldades para defender seu título. Simplesmente a seleção mais temida dentre as que não foram cabeças de chave será uma das adversárias: a Nigéria, cada vez mais coesa sob o comando de Stephen Keshi. O trio de ataque, formado por Musa, Emenike e Moses (e abastecido por Obi Mikel), apresenta uma sintonia interessantíssima. Burkina Faso conta com o ótimo trio Alain Traoré, Dagano e Pitroipa, e a Etiópia, que retorna após 30 anos, pode causar um alvoroço. Saladin Said, o novo heroi nacional, é a estrela da equipe – e o único que atua fora do futebol etíope.

Por fim temos o Grupo D, tido como o “grupo da morte”. Costa do Marfim, Argélia, Tunísia e Togo. Todas estas seleções disputaram pelo menos uma Copa do Mundo desde 2006. A rivalidade do Norte da África entre argelinos e tunisianos sem dúvida é um grande atrativo, mas a expectativa aqui fica por conta da capacidade da Costa do Marfim de superar tantas seleções de peso logo de cara para se reafirmar como candidata ao título. Essas e outras questões serão respondidas no ano que vem, em mais uma edição da CAN que promete muita emoção e, principalmente, equilíbrio.

Curtas

– O Ministério do Interior do Egito anunciou que o jogo de ida da final da Liga dos Campeões, entre Al Ahly e Espérance, terá a presença de torcedores. Aproximadamente 15 mil pessoas poderão acompanhar a partida no Borj El-Arab Stadium, em Alexandria.

– Desde fevereiro, quando a temporada egípcia foi suspensa, os jogos dos clubes egípcios como mandante em competições continentais vêm sendo realizados com portões fechados. O presidente do país, Mohammed Mursi, convidou as famílias daqueles que perderam parentes no massacre em Port Said para acompanhar o duelo. No entanto, os “Ultras” do Al Ahly prometem boicotar a partida.

– Joseph Koto foi demitido do comando de Senegal. Ele e o seu assistente, Karim Sega Diouf, foram dispensados dez dias após não conseguirem a classificação para a CAN 2013. Koto se manteve no cargo por apenas quatro meses, após substituir Amara Traoré.

– Os dirigentes sul-africanos ainda não desistiram de convencer Steven Pienaar a disputar a CAN 2013. O ex-capitão dos Bafana Bafana se retirou da seleção no dia 2 de outubro, mas segundo o diretor-executivo da federação local, Robin Petersen, existe a possibilidade de uma reunião com o meia do Everton para discutir o assunto.

– Jean-Paul Akono mais uma vez “avacalhou” a convocação da seleção de Camarões. Para o amistoso contra a Albânia, no dia 14 de novembro, o treinador deixou nomes importantes como M’Bia, Chedjou e N’Guemo de fora da lista. Por outro lado, convocou um jogador sem clube (Matthew Mbuta), outro da liga norte-americana (Franck Songo’o) e um goleiro, pasmem, que atua na QUINTA divisão inglesa (Joslain Mayebi, do Wrexham).

– A lista ainda conta com outras “brincadeiras de mau gosto”, como os atacantes como Yontcha, do Olhanense, e Pierre Boya, do FC Randers, que sequer são destaques em seus respectivos clubes. N’Gog, ex-Liverpool e francês com ascendência camaronesa, foi cotado para estar na convocação, o que acabou não se confirmando. Os critérios de Akono para a elaboração dessa lista beiram o absurdo.

– O técnico Jean-Guy Wallemme optou por deixar a seleção do Congo (não confundir com a República Democrática do Congo). O francês declarou que não estava conseguindo conciliar o seu trabalho na seleção com suas obrigações no comando do Auxerre, clube da segunda divisão francesa. Ele assumiu o cargo em agosto de 2011 e não classificou o Congo para a CAN 2013, mas liderava seu grupo nas eliminatórias para a Copa de 2014. Outro francês, Kamel Djabour, assume o cargo.

– Gbenga Ogunbote, treinador que levou o Sunshine Stars a uma histórica semifinal de Liga dos Campeões, deixou o clube em busca de um novo desafio em sua carreira. Ele já recebeu convites de outros clubes da Nigéria e deve revelar sua decisão em breve.

– O dérbi de Lubumbashi entre Saint-Eloi Lupopo e Mazembe, pela 15ª rodada da liga nacional da República Democrática do Congo, foi cancelado por conta da violência dos torcedores das duas equipes nas arquibancadas. Segundo a agência France Presse, dois policiais e três torcedores ficaram gravemente feridos. A polícia usou gás lacrimogêneo para tentar restaurar a ordem.

– Pela penúltima rodada do Campeonato Angolano (Girabola), o Kabuscorp, de Rivaldo, deu adeus às chances de se classificar para uma competição continental em 2013. A equipe foi derrotada em casa pelo Interclube por 2 a 0 e caiu para o 5º lugar. O Recreativo do Libolo, por antecipação, é o campeão nacional.

– O Berekum Chelsea derrotou o Hearts of Oak por 2 a 0 e reassumiu a liderança do Campeonato Ganês. A equipe se igualou ao Medeama, com 10 pontos, e leva vantagem no saldo de gols. O Medeama foi derrotado pelo Real Tamale por 2 a 0. O atual campeão, Asante Kotoko, venceu a primeira em cinco jogos (2 a 0 sobre o Berekum Arsenal) e, curiosamente, segue invicto.

– No confronto direto pela liderança do Campeonato Queniano, o Gor Mahia derrotou o Tusker por 1 a 0 e assumiu o primeiro lugar, com 55 pontos. Além do Tusker, com 54 pontos, o AFC Leopards, com a mesma pontuação, também está na briga. A equipe bateu o Oserian por 3 a 1. Faltam duas rodadas para o fim do campeonato.

– O Kaizer Chiefs, líder do Campeonato Sul-Africano, visitou o Maritzburg United e empatou em 1 a 1, chegando aos 18 pontos. O Pretoria University, vice-líder, bateu o Bloemfontein Celtic fora de casa por 2 a 1 e chegou aos 15. O atual campeão, Orlando Pirates, só empatou sem gols com o AmaZulu e soma 14.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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