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Colônia dois, metrópole zero: Cabo Verde destrona Portugal pela primeira vez no futebol

Cabo Verde conquistou a independência de Portugal em 1975. Raízes coloniais que seguiram intensas mesmo nos últimos 40 anos, e se desdobraram no futebol. Vários jogadores nasceram na ilha, mas optaram por defender a seleção portuguesa, como Nani e Oceano. Dissidentes que não impediram os Tubarões Azuis de conquistar uma vitória histórica nesta terça. Pela primeira vez, os cabo-verdianos derrotaram os portugueses: triunfo por 2 a 0 dentro do território lusitano, em Cascais. Um dos maiores feitos da seleção local, presente também nas duas últimas edições da Copa Africana de Nações.

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É preciso salientar que Portugal não pôde contar com seu time principal. Como o amistoso aconteceu menos de 48 horas depois da vitória contra a Sérvia, pelas Eliminatórias da Euro 2016, o técnico Fernando Santos não pôde escalar os mesmos jogadores de domingo. Sem Cristiano Ronaldo e outros nomes tarimbados, a equipe totalmente modificada tinha como destaques Hugo Almeida, Vieirinha e Anthony Lopes. Nada que assustasse a equipe de Cabo Verde, treinada por Rui Águas – atacante da seleção lusa na Copa de 1986. Além do futebol em si, o jogo valia para arrecadar fundos às vítimas da erupção na Ilha do Fogo, que destruiu duas povoações no arquipélago africano.

A façanha cabo-verdiana começou aos 38 minutos do primeiro tempo, com um golaço. Odair Fortes avançou pela ponta e surpreendeu o goleiro Anthony Lopes, com um cruzamento que acabou nas redes. Cinco minutos depois, o zagueiro Gegé aumentou a diferença. E, para piorar a situação dos portugueses, André Pinto foi expulso logo após a volta do intervalo, impedindo qualquer reação da seleção da casa. Curiosamente, apesar da ligação histórica, apenas quatro atletas do elenco dos Tubarões Azuis jogam atualmente no Campeonato Português. Enquanto isso, há jogadores espalhados por outros dez países.

Anteriormente, Portugal e Cabo Verde haviam se enfrentado duas vezes. Em 2006, os lusitanos golearam por 4 a 1, com direito a três gols de Pauleta. Quatro anos depois, os antigos colonos seguraram um honroso empate por 0 a 0, bastante comemorado no país. Nada como a vitória em Cascais, digna de feriado nacional e desfile em carro aberto pelas ruas de Praia. Quarenta anos depois da independência, um bom jeito para os cabo-verdianos demonstrarem que conseguem muito bem andar com as próprias pernas – e jogar muita bola com elas.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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