A Espanha precisa de uma nova identidade para não voltar a ser a amarelona de antes

Não havia Van Persie ou Robben em campo. No entanto, a Espanha renovou o seu trauma contra a Holanda, na visita a Amsterdã. A Oranje precisou de 15 minutos para anotar 2 a 0 no placar e até indicou que, se apertasse, poderia sonhar com uma nova goleada. Parou por aí. Diante da campanha medíocre nas Eliminatórias, os holandeses ganham uma injeção de ânimo. Já os espanhóis, ao renovarem a freguesia, ganham mais algumas interrogações. Afinal, a renovação da seleção está longe de ser um processo simples.
Desde a Copa do Mundo, a Espanha venceu quatro amistosos e perdeu outros quatro. Não teve forças para competir diante de seleções mais preparadas neste momento, como a Alemanha e a França, assim como caiu diante da Eslováquia e aparece na segunda posição em seu grupo nas Eliminatórias da Eurocopa. Em um processo tão urgente de renovação, o desempenho irregular é bastante compreensível. Mas assim como acontece com o Brasil, mais do que escolher as novas peças, o que a Fúria realmente precisa é encontrar um caminho de como mudará a cara de seu time.
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Diante da saída de nomes como Xavi, David Villa, Xabi Alonso e Fernando Torres, a Espanha possui talentos o suficiente para continuar entre as melhores seleções do mundo. Sergio Ramos, Fàbregas, David Silva, Cazorla e Busquets são as lideranças a partir de agora, enquanto a injeção de juventude vem com De Gea, Isco, Koke, Bernat, Morata e outros promissores que já atuam em bom nível. Nomes Del Bosque já tem, mas ainda precisa de uma identidade.
A Espanha não quer voltar a ser a velha “Fúria”, que até contava com um bom time, mas amarelava nos momentos decisivos e se encolhia diante de grandes seleções. Um pouco do que aconteceu nesta terça, por exemplo. Contudo, também não pode mirar o sucesso vivido entre 2008 e 2012 como parâmetro. Xavi e Xabi Alonso, principalmente, permitiam um estilo único de jogo, difícil de ser replicado. Por mais que Iniesta seja o herdeiro natural e tenha lenha para queimar na seleção, está longe de sua melhor forma. Além disso, os antídotos para o tiki-taka são mais do que manjados.
Entre não flertar com o derrotismo antigo e nem se prender ao estilo vencedor, ineficaz, é que a Espanha precisa se reinventar. Há quem defenda uma aproximação ao estilo do Atlético de Madrid de Diego Simeone. Contudo, não dá para ficar preso a modelos pré-determinados – e o declínio do tiki-taka mais do que reforça isso. Por enquanto, Del Bosque precisa desenhar melhor o seu time. Depois do desleixo nos primeiros 15 minutos, a Espanha teve a chance de diminuir a diferença especialmente no segundo tempo. Entretanto, a pressão exercida pelo ataque foi em vão.
Por mais que as derrotas sejam normais neste momento, com a participação de tantos novos nomes, é vital que a equipe seja mais bem organizada. Tenha o seu plano de jogo, sobretudo. Os espanhóis não podem ficar órfãos de suas conquistas e, assim, retroceder a um passado que já parecia distante.



