África

Argélia deixou boa impressão

Em meio às especulações em torno do retorno de Kaká e Ronaldinho Gaúcho a equipe titular do Brasil, pouco se falou a respeito do adversário no amistoso de ontem. Apesar desse espaço (?) concedido pela imprensa brasileira, a Argélia não se restringiu ao papel de figurante na “briga” entre os dois craques da seleção e o treinador Dunga. Ela foi além disso e conseguiu, em alguns momentos, empolgar a sua grande torcida presente no estádio em Montepellier, na França.

Sem o ala-direito Meniri e o atacante Bouazza, o treinador Jean-Michel Cavalli apostou nos contra-ataques para surpreender o Brasil. A princípio, a escolha pareceu acertada, pois, ao escalar cinco homens na defesa e quatro no meio-de-campo, ele fechou os espaços à frente de seus zagueiros. Enquanto o lateral-esquerdo Kléber surgia como a melhor alternativa de ataque para os brasileiros, os algerianos avançavam, ora pela direita com Matnour, ora pela esquerda com Belhadj.

Assim, com uma formação que aparenta ser extremamente defensiva, mas que, na verdade, se apresenta bastante equilibrada, a Argélia segurou o Brasil no primeiro tempo. Nos últimos quarenta e cinco minutos, no entanto, os Fennecs se renderam à qualidade de Kaká e Ronaldinho. Cavalli ainda mudou o esquema da equipe, mas a alteração não surtiu o efeito esperado. Ao contrário do que ele pretendia, o meio-de-campo perdeu força com o recuo de Belhadj para a lateral-esquerda e a entrada de mais um homem para fazer companhia ao habilidoso Saïfi no ataque.

Há cerca de dois meses, a Argélia perdeu para outra seleção sul-americana, a Argentina. Como nessa quarta-feira, ela mostrou um futebol competitivo contra a seleção albiceleste e atraiu a atenção da imprensa internacional, que, a despeito da derrota, elogiou muito a atuação argelina. A postura dos Fennecs depois desses comentários provocou a derrota para Guiné no compromisso seguinte.

Além da repercussão negativa, o resultado ainda tornou incerta a classificação da equipe para CAN. No próximo dia 9, ela enfrenta a Gâmbia fora de casa e, caso conquiste os três pontos, pode assegurar sua vaga em Gana. A depender, claro, de como se postar em campo.

Outros amistosos

Além da Argélia, outras seleções africanas entraram em campo na terça e na quarta. Confira abaixo os comentários sobre o desempenho de algumas delas:

Gana 1 x 1 Senegal

Ao que parece, Gana precisará encontrar um atacante para fazer companhia a Asamoah Gyan. Em mais uma experiência com Gyan sozinho no ataque, Gana decepcionou contra Senegal. Muntari, mais à frente, estava perdido, sem saber como se posicionar, enquanto Dramani, aberto pela esquerda, não explorava as laterais como, por exemplo, o próprio Muntari o fez na Copa do Mundo. Assim, restou a Essien, em mais uma bela exibição, segurar as pontas no meio-de-campo, evitando uma derrota – merecida – para os Leões de Teranga. Não foram poucas as vezes em que a dupla Diouf e Gueye apareceram na frente do arqueiro das Estrelas Negras, Kingson.

Camarões 0 x 2 Japão

Ainda sob o comando de Jules Nyongha, Camarões enfrentou o Japão na quarta-feira. Atuando com três atacantes, os Leões Indomáveis foram completamente dominados no primeiro tempo. Sob constante pressão, eles sentiram a ausência de Geremi na defesa, pois, Bikey, seu substituto na lateral-direita, não defendia a contento e, também, não apoiava o ataque. Sem o suporte dos laterais e dos meio-campistas, Eto'o e os seus dois companheiros, Douala e Job, não foram muito acionados. Após a entrada de Feutchiné e Idrissou no campo, os camaroneses melhoraram, mas, ainda assim, não o suficiente para empatar a partida.

Escócia 1 x 0 África do Sul

A África do Sul realizou uma de suas melhores apresentações sob o comando de Parreira. A seleção Bafana Bafana dominou a maior parte das ações, mas não foi capaz de converter a sua superioridade em gols. A ausência de Moriri, contundido, a saída de Zuma ainda no início da partida e as chances perdidas por Nomvete mostraram como a presença de McCarthy nessa equipe é necessária. Enquanto ele não retorna, Parreira continua preparando a equipe para o encontro decisivo contra a Gâmbia, pelas eliminatórias da CAN. Pienaar e Buckley são nomes que certamente deixam esse amistoso em alta.

Nigéria 0 x 0 Macedônia

Após sucessivos pedidos de dispensa, não restou outra escolha ao técnico Bert Vogts, senão chamar nomes menos conhecidos para o amistoso contra a Macedônia. Eles não decepcionaram. Sobretudo, os estreantes Richard Eromoigbe, do Levski Sofia, e Ike Uche, do Getafe, que, provavelmente, serão convocados para os próximos compromissos. O resultado da partida, em si, pode parecer frustrante para uma seleção como a Nigéria, mas as circunstâncias em que ela se deu o amenizam, de certo modo.

Al Hilal classificado

Encerrei a minha coluna passada afirmando que, em pouco mais de uma semana, os classificados do Grupo B para as semifinais da Liga dos campeões poderiam estar definidos. Para que isso se concretizasse, no entanto, era necessário que o ASEC Mimosas não vencesse o Espérance e o Al Hilal ganhasse do Al Ahly. Pode-se dizer que, em parte, esse cenário se realizou, pois o clube treinado pelo brasileiro Heron Ferreira cumpriu seu papel em casa e conquistou um resultado histórico contra os Vermelhos. O Mimosas, por sua vez, foi além de um empate ante o EST e reavivou sua chances na competição.

Além de eliminar os Sang et Or da LC, o resultado adiou a definição da segunda vaga do grupo para a última rodada. O Al Hilal, da dupla de ataque nigeriana Kelechi Osunwa e Ndubuisi Eze, garantiu a sua classificação ao derrotar o Ahly por 3×0 em Omdurman. Como o primeiro critério de desempate é o confronto direto, a equipe sudanesa leva vantagem sobre os egípcios. Apesar disso, ela ainda precisa vencer o Espérance em Tunis para assegurar a primeira colocação.

Como em 2006, o Ahly encontra dificuldades na fase de grupos. O Étoile du Sahel, por outro lado, se preocupa somente com as semifinais. Já classificado, o ESS confirmou a liderança da sua chave após o empate com o FAR Rabat. A exemplo da decisão da Copa CAF da temporada passada, a partida entre as duas equipes foi marcada pela anulação de um gol do clube militar nos últimos minutos. Felizmente, não se repetiram as cenas de pancadarias ao fim do encontro.

O Al Ittihad esteve perto, mas não resistiu à pressão do JS Kabylie e, assim, precisará passar pelo Étoile na próxima rodada para seguir adiante na competição. Depois de sair na frente no placar, ele permitiu a virada do JSK, que, aliás, estreava seu terceiro treinador nessa fase. Moussa Saib, ex-atleta do Valência, substitui Kamel Mouassa no comando dos Canários.
A decisão dos dois últimos classificados para as semifinais promete ser emocionante.

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Equipe Trivela

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