África

Al Ahly não esquece os mortos no primeiro jogo contra o Al Masry desde Port Said

Na última vez que Al Ahly e Al Masry jogaram futebol, 74 pessoas perderam a vida, na batalha campal de Port Said. Foi um marco no futebol egípcio, que paralisou o campeonato antes de deixá-lo quase sem alma, com a proibição de haver torcedores nas arquibancadas. Pouco a pouco, a vida volta ao normal no Egito. Os jogos voltarão a ter portões abertos em breve e, neste sábado, as duas equipes enfrentaram-se pela primeira vez desde aquele fevereiro de 2012 e empataram por 1 a 1.

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Ainda sem torcida presente, o Al Ahly aproveitou a ocasião para fazer a sua homenagem aos mortos. Entrou em campo com uma faixa preta com a frase “Nossos mártires são uma medalha de honra no nosso peito”, e os jogadores usaram uma camisa com o número 74 por baixo do uniforme.

A partida foi realizada no resort de El Gouna, no Mar Vermelho, a 20 quilômetros ao norte de Hurghada, terceira maior cidade do país. Deveria ter acontecido em 20 de dezembro, mas foi adiada a pedido do ministro do Interior para 3 de janeiro. Houve outro adiamento, provavelmente para permitir que os ânimos dos torcedores do Al Ahly se acalmem, às vésperas do veredito do segundo julgamento do caso de Port Said.

Em 2013, 21 pessoas foram condenadas à morte e cinco à prisão perpétua. Os torcedores do Al Ahly, os mais punidos, sentiram-se injustiçados, como se fossem bodes expiatórios políticos pela participação na Primavera Árabe que derrubou o ditador Hosni Mubarak, em 2011. O caso está sendo julgado novamente, e antes dessa partida, torcedores do Al Ahly pediram para que o clube não disputasse esse jogo contra o Al Masry até que saísse a decisão.

A temporada 2012/13 do Campeonato Egípcio foi cancelada por causa de Port Said e, nas seguintes, houve um formato com dois grupos, justamente para separar as duas equipes. Mas nada dura para sempre. Mahmoud Abdul Hakim abriu o placar para o Al Masry, aos 10 minutos do segundo tempo, e Ramadan Sobhi empatou, aos 34, enquanto o Egito tenta deixar a pior tragédia do seu futebol para trás.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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