África

Ah, se a moda pega: No dia em que ganha reeleição, cartola é preso

Ter dirigentes, digamos, suspeitos não é exclusividade do futebol brasileiro. Um dos principais imperadores do futebol na África é Mohammed Iya, presidente da Federação Camaronesa de Futebol (Fecafoot) desde 1998. Reeleito em 2004 e 2009, tentava se perpetuar no cargo por mais alguns anos em eleições bastante contestadas, realizadas neste ano.

Depois de dois adiamentos por “motivos de segurança”, a votação finalmente teve seu resultado divulgado nesta semana. E, sem surpresa alguma, Iya saiu vitorioso ao receber 97 dos 98 votos válidos. Motivo suficiente para a festa do manda-chuva? Pelo contrário. O cartola saiu direto da cadeira presidencial para a cadeia.

Iya é acusado de desviar dinheiro público. Diretor da Corporação de Desenvolvimento de Algodão, o camaronês teria se apropriado indevidamente de € 19 milhões da empresa estatal. Quanto a sua gestão na Fecafoot, não há investigações sobre outros tipos de problemas financeiros, mas tamanha hegemonia no poder gera suspeitas evidentes.

Sobre a índole de Iya, vale lembrar que Samuel Eto’o acusou a federação de ameaçá-lo de morte, após ter denunciado a corrupção na entidade. Com o cartola preso, o craque pode dormir um pouco mais tranquilo. E o futebol camaronês fica bastante agradecido com a provável queda de seu déspota.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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