Adiado o sonho africano
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Ao conquistar a Castle Premiership (a Liga da África do Sul) na temporada 2005/06, o dono do Mamelodi Sundowns, o empresário Patrick Motsepe, pediu ao treinador Gordon Igesund para que ele realizasse seu sonho de acompanhar seu clube sendo campeão da Liga dos Campeões. O sonho, porém, durou até a segunda fase da competição, quando os Downs encontraram o pentacampeão Al Ahly.
A Copa CAF, então, passou a principal meta do Sundowns. Encarada como prêmio de consolação por Motsepe, ela, a exemplo da LC, também não comporá a lista de conquista da equipe. Ao menos nessa temporada. Na quinta e penúltima rodada da Copa CAF, os “Brasileiros” perderam para o TP Mazembe, do cobiçado artilheiro Tresor Mputu, e adiaram o sonho africano de seu dono.
Já desclassificados, os Downs enfrentam o CS Sfaxien nesse fim de semana. Apesar do clima de revanche – que, se concretizada, pode resultar na eliminação do CSS -, eles estão realmente focados na Premiership, onde ocupam a 11º colocação, com uma partida a menos do que a maioria dos adversários. Ainda assim, o desempenho apresentado nas quatro primeiras rodadas foi considerado decepcionante.
Absoluto no futebol sul-africano, como pôde comprovar com a conquista recente da SAA Supa 8, o Sundowns não precisa se preocupar com a atual campanha na Liga. Como nas duas temporadas anteriores, nenhum outro clube, a não ser o Kaiser Chiefs, de Muhsin Ertugral, ou o Ajax Cape Town, do zagueiro brasileiro Eduardo Ferreira, parece capaz de fazer frente ao seu poder financeiro e, sobretudo, a qualidade de sua equipe.
O elenco dos “Brasileiros” para essa temporada é praticamente o mesmo da anterior. Apenas Gift Leremi, morto, e José Torrealba, em atrito com o clube, não estão mais presentes. Em contrapartida, o treinador Gordon Igesund manteve a base responsável pelo sucesso nacional nos últimos anos. O arqueiro Calvin Marlin, os defensores Vuyo Mere e Michael Manzini e os meio-campistas Godfrey Sapula e Surprise Moriri acompanharam ainda à chegada do chileno Jorge Acuña. O brasileiro Marco Brito, por sua vez, foi reprovado nos testes.
Assim, com a manutenção da base e com reforços de qualidade, o Sundowns pode, talvez, partir para a realização de seu sonho africano em 2008.
Disputa em torno do Insurance
A primeira rodada da temporada 2007/08 da Premier League (a Liga Nigeriana) foi marcada por um fato inusitado. Assim como a Matonense em 2005, o Insurance of Benin entrou em campo com duas equipes para enfrentar o Hearland. Essa situação foi decorrente da disputa pelo controle do clube entre o seu atual presidente, Igbinowanhia Ekhosuehi, e o secretário de esportes do estado de Edo, Brown Ebewele. Convictos em suas posições, eles não cederam aos pedidos para que um acordo fosse realizado e não restou outra opção para o árbitro senão declarar o Hearland vencedor.
Além da conseqüente derrota por 3×0, essa disputa ainda resultou na briga (acredite!) entre as duas facções da torcida do Insurance. Durante o confronto, parte do estádio foi destruída. Atenta a esses acontecimentos, a NFA primeiramente suspendeu todas as partidas da equipe até que essa crise fosse resolvida. Após ser pressionada por clubes como o Prime FC, porém, ela voltou atrás e estabeleceu o prazo de uma semana – a ser encerrado na próxima terça-feira – para que o Insurance esclarecesse a sua situação. Caso contrário, ele será rebaixado para a National Division One League (Segunda divisão).
A disputa em torno do controle do clube foi conhecida a três dias do início da Premier League. O secretário Brow Ebewele, então, acusou o presidente Igbinowanhia Ekhosuehi de ter assumido o Insurance sem o devido consentimento do estado de Edo, administrador da equipe. Ekhosuehi, por sua vez, se defendeu afirmando que ele não o fez desse modo, mas, sim, corretamente, em 1994, quando o estado anunciou não possuir mais condições financeiras para manter o Insurance.
Entre outras acusações que recaem sobre Ekhosuehi, está a de ter nomeado seus filhos, ainda menores de idade, como diretores, ao tomar posse do clube – o que ele, por sinal, reconhece.
Ao que parece, o acordo entre os dois está próximo. Melhor para o Insurance e, também, para a NFA, que, depois de sucessivos desentendimentos com a NFL – que, aliás, provocaram o adiamento do início da Premier League em cerca de um mês -, resolve mais uma situação que não mais atrapalhará o andamento do campeonato.
Disputadas duas rodadas, o Heartland lidera com seis pontos conquistados, enquanto o Enyimba, atual campeão, soma quatro. O Dolphins FC, ainda com chances de classificação na Copa CAF, se encontra na disputa da National Division One League depois ter sido rebaixado na última temporada.
Ismaili demite mais um treinador
Entre as razões pelas quais o Al Ahly domina o futebol africano e, principalmente, o futebol egípcio, está a desorganização de seus adversários. Mais uma prova disso foi dada pelo Ismaili nessa semana. Atual quarto colocado da Liga Egípcia e sem chances de avançar para a decisão da Copa CAF, ele demitiu seu técnico, Taha Basri, na última terça-feira. No dia seguinte, no entanto, o presidente Yehia Al-Koumi o readmitiu para, mais tarde, depois do treinamento, anunciar a sua saída mais uma vez.
Basri comandou os “Samba Boys”, como são conhecidos, por apenas cinco rodadas na Liga. Ele assumiu o cargo deixado pelo francês Patrick Neveu durante a pré-temporada. Em sua estréia, o ex-treinador do ENNPI venceu o Zamalek em Cairo.
O clube do artilheiro Mohammed Fadl está atrás de dois nomes para assumir a equipe – o atual técnico do Iêmen, Mohsen Saleh, e o alemão Theo Bucker. O mais importante, porém, é que o escolhido tenha tranqüilidade para trabalhar. Assim, talvez, o domínio do Ahly pode ser encerrado.
Curtas
– Os confrontos de volta das semifinais da Liga dos Campeões acontecerão nesse fim de semana. Confira o especial preparado pela Trivela.