África

A nova cara do continente

Eto’o ainda assistiu um pedacinho do jogo. Vindo do aeroporto, chegou a tempo de ver o TP Mazembe segurar a vantagem de 1 a 0 contra o Pachuca e avançar para as semis do Mundial de Clubes. Um feito notável, segundo ele. De um time que representa bem o futebol africano. É uma nova cara que o continente revela no torneio. Menos calculista, mais ousada, confiante.

Ela já esteve por lá, é verdade. No ano passado, os congoleses fizeram sua estreia na competição. Uma estreia para se esquecer. Dois jogos, duas derrotas – inclusive, para os neozelandeses do Auckland City.

Muito pouco mudou desde então. Vá lá, trocaram o técnico – saiu Diego Garzito, chegou Lamine N’Diaye, ex-Senegal –, aumentaram a verba do futebol de 5 para 10 milhões de dólares, mas a base do time, embora um reforço ou outro tenha sido trazido, segue a mesma. Oito dos onze titulares daquela equipe foram mantidos – ressaltando ainda que dois dos ausentes, caso do ídolo Tresor Mputu, foram afastados por conta de suspensões impostas pela Fifa.

Ou seja, a princípio, desconsiderando essas teorias de evolução, tinham tudo para mais uma vez protagonizar outro vexame. Mas sabe como é, nada como a experiência, maior cancha. Autor do gol contra o Pachuca, o meio-campista Mbenza Bedi pode falar a respeito. Em entrevistas, já disse se sentir em casa em Abu Dhabi. É, amigo, agora segura.

É algo mais ou menos parecido com aquilo que passou o Al Ahly, de outra escola, da mesma linhagem do Étoile du Sahel, outro da turma do Norte que já deu as caras no Mundial. Depois de decepcionar em 2005, voltou no ano seguinte com aqueles mesmos rostos, os Mohameds – Shawky e Aboutrika –, os angolanos – Gilberto e Flávio Amado –, e um Emad, o Moteab, e abocanhou a melhor posição de um africano no torneio: terceiro lugar, após bater o América de Ochoa, Cabañas e Cuevas no jogo final.

Não sem antes, vale dizer, causar algum susto. Os colorados podem confirmar. Em dez confrontos pelas semifinais, europeus e sul-americanos levam inteira vantagem. São dez vitórias e um saldo positivo de 18 gols – 26 contra oito. De acordo com o jornal “The National”, dos Emirados, nenhum azarão jamais liderou o placar num segundo tempo. Quem chegou mais perto foi esse histórico Al Ahly comandado pelo português Manuel José. Os colorados, como disse, podem falar a respeito. Naquela ocasião, viram o empate em 1 a 1 resistir até os 27 minutos da etapa complementar, quando Luiz Adriano restabeleceu a vantagem em favor dos gaúchos.

O Inter, portanto, já está calejado. Sabe que não deve menosprezar o TP Mazembe nesta terça-feira. Terá pela frente um time franco-atirador, que já conseguiu o seu objetivo no campeonato, superou a vergonhosa campanha da última edição. Mais que isso: uma equipe traiçoeira, de forte marcação e que sai rápido no contra-ataque, conforme descreveu o vice de futebol Fernando Carvalho na coluna que vem mantendo durante o Mundial no jornal “Correio do Povo”.

Por lá, o dirigente já indicou o caminho para a vitória colorada, o grande pecado do Pachuca: o combate mais frontal aos jogadores do TP Mazembe, a necessidade de sufocá-los em seu campo. É bem por aí. Quando pressionados, os Corvos deixaram evidentes algumas de suas fragilidades.

Passa por romper esse cerco o futuro dos congoleses no Mundial. Frustrando, quem sabe, a fé de Carvalho, que, ainda no “Correio do Povo”, revelou uma aposta com o gremista Fábio Koff, presidente do Clube dos 13, em torno da vinda de seu Inter para a disputa do Mundial em Abu Dhabi, em condições de repetir 2006. Presidente do Al-Jazeera, Mohamed Thani Al Romaithi presenciou a cena. Moïse Katumbi, homem forte do Mazembe, não. E dá de ombros para ela.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo