África

A Champions League Africana viverá uma final inigualável: Al Ahly e Zamalek farão o Dérbi do Cairo na decisão

A Liga dos Campeões da África terá uma decisão sem precedentes em 2020. As semifinais já carregavam um enorme peso, com os embates entre os maiores clubes de Egito e Marrocos. Mas, no fim das contas, Al Ahly e Zamalek prevaleceram contra Wydad e Raja, para viverem aquele que pode ser considerado o maior momento da história do Dérbi do Cairo. Os rivais ferrenhos se encararão em partida única, marcada para 27 de novembro, em Alexandria. A falta de público por conta da pandemia é um lamento, tirando a vibração das arquibancadas. Ainda assim, não é isso que reduz o peso do que se promete uma final fervilhante ao maior troféu do continente.

Nas semifinais, os gigantes egípcios venceram o duelo particular contra os marroquinos. O Al Ahly foi o primeiro a se classificar, com duas vitórias sobre o Wydad Casablanca. Anotou 2 a 0 no Estádio Mohamed V e ampliou a margem com os 3 a 1 no Estádio Internacional do Cairo. Já a definição entre Zamalek e Raja Casablanca demorou um pouco mais, depois que o jogo de volta acabou adiado por casos de COVID-19 no elenco alviverde. Nada que tirasse a supremacia dos egípcios, que já tinham feito 1 a 0 em Casablanca e confirmaram a classificação após os 3 a 1 no Cairo, nesta quarta-feira.

A decisão da Liga dos Campeões da África reunirá 13 títulos do torneio, sendo oito do Al Ahly e cinco do Zamalek. Além disso, os gigantes contabilizam juntos 20 decisões, mas nunca tinham se encarado antes. Curiosamente, o Zamalek era o maior campeão continental na virada do século, mas não ergue a taça desde 2002. O Al Ahly, por sua vez, foi campeão seis vezes desde 2001 e disparou como principal potência africana, embora venha de dois vices em 2017 e 2018. Será a primeira vez que dois representantes do mesmo país definem a Champions Africana.

Pelas dimensões de ambos os clubes e pelo fanatismo ao redor, é de se imaginar que a final entre Al Ahly e Zamalek se assemelhe ao que aconteceu com Boca Juniors e River Plate em 2018. Apesar do estádio vazio em Alexandria, é de se imaginar que a emoção tome as ruas do Cairo e de outras cidades egípcias, com uma rivalidade que também possui seu histórico de violência. Embora as duas torcidas tenham se aproximado nos últimos anos, até para lutar por questões em conjunto na política local ou por justiça no Desastre de Port Said, as rusgas seguem dentro de campo. Recentemente, o Zamalek ameaçou até mesmo boicotar o Campeonato Egípcio por disputas nos bastidores.

O Al Ahly é treinado atualmente por Pitso Mosimane. O sul-africano era o técnico do Mamelodi Sundowns que desbancou o Zamalek na final da Champions Africana em 2016. O elenco inclui alguns jogadores experientes, como o goleiro Mohamed El Shenawy, o atacante Marwan Mohsen e o ponta Mahmoud Kahraba, todos presentes na Copa de 2018 com a seleção do Egito. Entre os estrangeiros, se destacam o tunisiano Ali Maâloul e o nigeriano Junior Ajayi, além do angolano Geraldo, de longa trajetória no futebol brasileiro.

Já o Zamalek é treinado por Jaime Pacheco, ex-jogador da seleção portuguesa que foi o responsável por levar o Boavista ao histórico título da liga nacional em 2000/01. O elenco também possui nomes relevantes da seleção egípcia, como o volante Tarek Hamed e o meia Shikabala, ambos parte do time no Mundial da Rússia. Já entre os estrangeiros, se destacam o tunisiano Ferjani Sassi e o marroquino Achraf Bencharki, com histórico por suas seleções.

Neste momento, o favoritismo pende mais ao Al Ahly. A equipe é a atual pentacampeã da liga nacional, faturando a última temporada (concluída em outubro) com uma vantagem de 18 pontos na liderança. O Zamalek, em compensação, leva a melhor nos confrontos recentes. Ganhou o clássico pelo segundo turno do Campeonato Egípcio (após não comparecer no duelo do primeiro turno) e também o confronto válido pela Supercopa do Egito no início da temporada. A equipe ainda venceu as duas decisões da Copa do Egito disputadas contra os rivais durante a última década. Numa final de Champions Africana, de qualquer maneira, é de se imaginar como os rivais farão de tudo para faturar um clássico inigualável.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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