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Polícia usa gás lacrimogêneo em manifestantes no Cairo

Os egípcios saíram às ruas da cidade do Cairo para protestar contra a tragédia no estádio de Port Said na quarta-feira. O centro dos protestos foi a praça Tahrir, mesmo local onde foram feitos os principais atos da Primaveira Árabe, que derrubou o regime de Hosni Mubarak. Houve confrontos com a polícia, que atirou balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.

Os manifestantes levaram bandeiras do Zamalek e do Al Ahly, além de faixas com os dizeres “luto”. Diversos torcedores do Al Ahly acusam a polícia de intencionalmente não agir no estádio de Port Said para permitir o ataque dos torcedores do Al Masry, porque os torcedores do primeiro tiveram papel importante na derrubada de Mubarak. Há relatos que jogadores do Al Ahly se juntaram aos protestos.

Os protestos se concentraram em frente ao ministério do interior. Segundo a rede de TV estatal Channel 1, cerca de 388 pessoas foram feridas nos confrontos, a maioria pela inalação de gás lacrimogêneo, além de feridas e ossos quebrados pelas pedras atiradas.

Testemunhas que sobreviveram à tragédia contam cenas de horror no estádio Port Said, com pessoas caindo das arquibancadas e os torcedores do Al Masry perseguindo os do Al Ahly, que era o time visitante, com garrafas e pedras. Centenas de pessoas correram para os corredores de saída e muitos foram sufocados e pisoteados no portão. Encurralados, muitos torcedores foram atacados por trás.

“As luzes foram apagadas. Os portões foram fechados e trancados com cadeados”, disse Sayyed Hassan, estudante de 22 anos e torcedor do Al Ahly, que quebrou as duas pernas durante o incidente no estádio. Segundo relato do jornal inglês Guardian, o estudante estava sentado do lado de fora do necrotério, no Cairo, onde muitos dos mortos da tragédia foram levados.

Torcedores organizados do Al Ahly e do Zamalek, rivais históricos no futebol egípcio, se uniram em protestos contra o regime de Hosni Mubarak. Os torcedores cantaram músicas contra a polícia, apimentado com zingamentos, que iam parar na internet e se espalhavam muito rapidamente durante a Primavera Árabe, expressando o sentimento de diversas pessoas sobre o sistema de segurança, que tentou reprimir os protestos na época.

“Eles quiseram nos punir e nos executar pela nossa participação na revolução”, diz um comunicado dos Ultras do Al Ahly, uma torcida organizada do clube. A polícia foi continuamente acusada de usar táticas pesadas contra os manifestantes e de serem incapazes de gerir multidões.

A tragédia no estádio Port Said veio um ano depois de um dos momentos mais importantes da Primavera Árabe no Egito, o episódio que ficou conhecido como batalha do camelo. Partidário de Mubarak, montados em camelos e cavalos, atacaram os manifestantes na praça Tahrir, o que levou a quase dois dias de confrontos com pedras, fogos de artifício e pedaços de concreto. Os Ultras foram fundamentais para defender a praça dos ataques.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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