Temporada do United termina em decepção na Liga Europa, mas com sinais promissores e algumas preocupações

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A temporada do Manchester United terminou. Foi longa, não foi fácil, e o último jogo foi uma derrota decepcionante para o Sevilla, não porque o time espanhol é fraco, muito pelo contrário, mas porque as circunstâncias teriam permitido a classificação à final não fossem erros nos dois lados do gramado. Algumas das preocupações que Ole Gunnar Solskjaer tem que ter na cabeça quando se sentar à mesa para planejar os próximos desafios, tentando construir em cima de uma reta final que acabou sendo positiva.

Recapitulando rapidamente, Solskjaer substituiu Mourinho, teve uma ótima sequência inicial de resultados, eliminou o Paris Saint-Germain com uma virada improvável, foi efetivado e logo em seguida entrou em um declínio que custou vaga na Champions League. Também levantou a dúvida: será que a diretoria se precipitou a efetivá-lo? Mas não tinha o que fazer. Demitir um ídolo da torcida meses depois de dizer que confia plenamente nele pegaria muito mal.

Solskjaer, portanto, ficou. Ganhou reforços importantes para a defesa e colocou em prática a sua ideia de usar categorias de base, armar um time mais veloz e ofensivo, resgatar um pouco da alma do United de Alex Ferguson. Não estava dando muito certo e, quando perdeu por 2 a 0 para o Liverpool, houve um otimismo exagerado para uma partida em que o maior campeão da Inglaterra demorou 40 minutos para dar um chute a gol contra seu grande rival no âmbito nacional.

Foi um jogo em que o Liverpool esteve confortável quase o tempo inteiro, com exceção de um período inicial e final em que o United pressionou um pouco no abafa. No jogo seguinte, perdeu para o Burnley e tinha apenas nove vitórias em 24 rodadas da Premier League e não estava a mais do que seis pontos de vaga na Champions League porque o Chelsea também começava a derrapar.

Após o clássico contra o Liverpool, esta coluna questionou por que o Manchester United seguia perdendo tempo com Solskjaer, sem um plano claro. Não tinha muito a ver com as qualidades do norueguês como treinador porque ele nunca se mostrou um técnico nem péssimo e nem excepcional, mas, com um nome como Mauricio Pochettino livre no mercado, parecia um desperdício não lhe dar uma chance diante do que Solskjaer oferecia.

Ainda parece, para ser sincero, mas se a diretoria do Manchester United não demitiu Solskjaer quando havia motivos, não o fará agora que não há. Melhor olhar para a frente. Porque às vezes tudo que falta é uma peça que faça com que todas as outras encaixem. Bruno Fernandes chegou em janeiro e revolucionou o jogo do Manchester United. Entre os motivos, porque tem algumas características – criatividade, bom passe, dinamismo e movimentação, chute de fora da área – que, sozinhas, contribuem para quebrar defesas fechadas, fazer o primeiro gol e abrir os espaços para os rápidos atacantes vermelhos aproveitarem. Esse era o principal problema ao qual Solskjaer não parecia capaz de encontrar resposta.

A equipe vinha em evolução antes da pausa, invicta a partir de fevereiro, mas o tempo parado serviu para recuperar Paul Pogba, presença meramente teórica na temporada até então, e Marcus Rashford. Solskjaer teve o mérito de colocar todo mundo para jogar e a possibilidade de poder combinar com gente tão talentosa também elevou o nível de Anthony Martial, que vale uma menção especial porque chegou às últimas partidas como talvez o melhor atacante do United. Em forma, rápido, acertando os dribles, tabelando com todo mundo, invadindo a área, fez seis gols nas nove rodadas pós-paralisação da Premier League.

E o United foi o time com melhor desempenho dessa sequência, entre os que ainda brigavam por alguma coisa, ganhando com tranquilidade. Não perdeu nenhum jogo, empatou apenas três e fechou a vaga na próxima Champions League no confronto direto contra o Leicester na última rodada. Planejava fechar a temporada com chave de ouro ganhando a Liga Europa, o que seria seu primeiro título em três anos, mas o Sevilla tinha outros planos. Passou três anos sem levantar troféu pela primeira vez desde o fim da década de oitenta (1985-1989).

A arrancada no fim, porém, foi um sinal promissor para o trabalho de Solskjaer, mas agora vamos falar dos problemas. O treinador praticamente não rodou os seus titulares e viu o time chegar esgotado às últimas partidas, claramente sem fôlego especialmente contra o West Ham, na 37ª rodada, e na semifinal da Copa da Inglaterra diante do Chelsea. Conseguirá manter o nível de intensidade durante uma temporada inteira sem quebrar os jogadores? Conseguirá manter o nível de desempenho se precisar poupar as principais peças?

Fernandes foi tão importante que ficou fora de apenas um jogo do United desde que foi contratado – o amistoso contra o LASK Lins no jogo de volta das oitavas da Liga Europa, após 5 a 0 na ida – e não foi titular apenas uma vez nas outras partidas. Diz muito sobre sua capacidade física que tenha conseguido chegar inteiro ao fim da temporada, mas também foi visível que não conseguiu atuar no mesmo ritmo de antes.

Há duas maneiras de minimizar o problema. Uma delas é encontrar uma resposta coletiva para conseguir administrar o ritmo dos jogos e encontrar maneiras de vencer as partidas que não dependam tanto da qualidade dos jogadores de frente, o que desafia Solskjaer no campo de treinamento, ou contratar atacantes e meias de alto nível para conseguir fazer um rodízio que não custe tanta qualidade, o que desafia os cofres combalidos pela pandemia.

Esse cansaço talvez possa explicar as falhas defensivas contra o Sevilla, mas vale a pena prestar um pouco de atenção ao mercado para buscar reforços, especialmente um parceiro de zaga mais confiável para Harry Maguire. Também parece haver espaço para melhora na lateral esquerda, por mais que Luke Shaw tenha recuperado um pouco do seu bom futebol desde a saída de Mourinho e Brandon Williams pareça promissor – embora, quando teve uma sequência como titular nas últimas partidas, com a lesão de Shaw, tenha se mostrado ainda um pouco cru.

A nota mais positiva é que esse final de temporada passou a impressão, contra todas as (minhas) expectativas, de que o Manchester United, finalmente, encontrou um caminho para seguir, mas ainda há muito trabalho pela frente para que Solskjaer cumpra a promessa de retornar o clube ao patamar em que ele merece estar. Não é comemorar quarto lugar ou tentar ganhar a Liga Europa: é brigar pela Premier League e chegar longe na Champions League.

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