Para muita gente, Marc-André ter Stegen deveria ter sido o titular da seleção alemã na Copa do Mundo de 2018. Enquanto Manuel Neuer retornava de lesão e carecia de ritmo de jogo, o titular do Barcelona voava baixo em seu clube. Joachim Löw optou pelo veterano e o tetracampeão não se saiu bem na Rússia, por mais que não tenha comprometido diretamente o fraco desempenho do Nationalelf. E, ainda que Neuer tenha recuperado sua forma, o questionamento continua. A fase de Stegen com os blaugranas é mais consistente, algo reconhecido com a nomeação aos finalistas no prêmio The Best da Fifa, na categoria que elegerá o melhor arqueiro do mundo.

Neuer até evitou um saldo pior na derrota da Alemanha contra a Holanda, na última sexta-feira. De qualquer maneira, Stegen permanece como uma sombra grande ao capitão da seleção alemã. O camisa 1 do Barça não nega o seu desejo de assumir a posição em breve e diz que é meio estranho atravessar o ápice da forma sem atuar também no Nationalelf. Permanecerá focado em seu objetivo.

“Logicamente, ser reserva na seleção me deixa um pouco maluco. Você dá o seu melhor e não está onde quer. No entanto, creio que com o tempo encontrei uma resposta para mim. Eu estabeleci minhas prioridades. Quero ter êxito e o grande objetivo que coloquei é ser o titular da seleção”, afirmou, em entrevista ao T-Online.

O arqueiro de 27 anos possui 22 partidas com a seleção principal. A maior sequência de Stegen aconteceu justamente durante a lesão de Neuer. Inclusive, esteve entre os protagonistas do time na Copa das Confederações de 2017 e foi eleito o melhor em campo na decisão contra o Chile. Desde o Mundial da Rússia, porém, disputou somente dois amistosos com a Alemanha – e um deles atuando por apenas 45 minutos.

Stegen, entretanto, enfatiza que não deseja criar caso na imprensa sobre a posição e prefere manter a boa relação com Neuer. Para ele, os méritos em campo são indispensáveis: “Não quero a titularidade a qualquer preço. O futebol é uma coisa, mas o lado humano é mais importante. Quero poder me olhar no espelho e dizer: ‘Você trabalhou honestamente, abordou bem suas ambições. Foi justo e não jogou por fora'”.

A disputa pela meta da Alemanha não é assunto novo. Ao longo das últimas décadas, a seleção contou com goleiros de altíssimo nível ao mesmo tempo e viu concorrências similares. Talvez o melhor exemplo tenha ocorrido nos anos 1990, quando Andreas Köpke demorou a assumir o posto por causa de Bodo Illgner. Algo parecido aconteceu com Oliver Kahn na sequência, e logo depois com Jens Lehmann. Neuer permaneceu razoavelmente intocável desde que assumiu o posto em 2010, mas Stegen se firmou como um candidato à altura do titular desde que deslanchou na Catalunha.

Perguntado se o fato de não atuar na Alemanha o prejudica, Stegen refutou a hipótese. Pelo contrário, a boa fase no Barcelona seria um motivo a mais para ganhar confiança de Löw: “Sinceramente, não encontro melhor razão que a de jogar em um dos maiores clubes do mundo. Além do mais, a experiência de jogar fora do país me fez melhor. Não me arrependo”. O desempenho do arqueiro pelos blaugranas fala por si. Durante o seu ápice nas duas últimas temporadas, só não foi decisivo que Lionel Messi ao clube.

Por fim, Stegen falou sobre a chance de conquistar o The Best. Manteve a humildade, ao comentar a corrida com Alisson e Ederson: “É um reconhecimento aos meus próprios feitos e também pelos esforços de todos os dias nos treinamentos. É preciso dizer que nós três somos os finalistas, mas há muitos outros goleiros no mundo que jogam em nível incrivelmente alto e fazem um trabalho fantástico. Mas, no geral, se fala mais de outras posições, quando não podemos nos esquecer que existe uma geração excepcional de goleiros”. Sem dúvidas, Stegen aparece entre os primeiros desta geração.