Vladimir Jugovic: o melhor jogador sérvio da história

Por Lucas Alencar
Há aproximadamente seis anos, um dos maiores jogadores sérvios da história se despedia do futebol no pequeno LR Ahlen (atual Rot Weiss Ahlen), da Alemanha. O final melancólico de Vladimir Jugovic, aos 35 anos, na segunda divisão alemã, no entanto, nada tem a ver com sua carreira vitoriosa. Meio-campista clássico, o ex-jogador tem no currículo vários títulos importantes, como o bicampeonato da Uefa Champions League, sendo uma por um clube de seu próprio país, o Estrela Vermelha, na edição de 1990/91, com apenas 22 anos.
Meses depois participou do Mundial de Clubes no Japão e foi peça fundamental. Marcou duas vezes na vitória por 3 a 0 sobre o Colo Colo. Pela seleção iugoslava, à qual escolheu por questões políticas, foi símbolo de uma era, mas não acumulou grande resultados, apesar de ter disputado uma Copa do Mundo e uma Eurocopa.
Os primeiros passos
Vladimir Jugovic nasceu em 30 de agosto de 1969 em Milutovac, vilarejo próximo à cidade de Trstenik, na Sérvia. Seus primeiros passos no futebol, efetivamente, foram dados aos 15 anos, já pelo Estrela Vermelha, mas acabou tendo oportunidades nos profissionais apenas seis anos depois. Antes, em 1990, o meia foi emprestado para o FK Rad, onde permaneceu por uma temporada.
No clube, que fica nas circunvizinhanças de Belgrado, Jugovic mostrou que poderia ser útil no Estrela Vermelha, mesmo com sua pouca idade. Lá ele participou de 16 partidas da liga iugoslava e terminou com uma excelente marca de sete gols. Foi o suficiente para que o Estrelha Vermelha atentasse para seu talento.
Reincorporado ao elenco do “The Star”, Jugovic fez parte, logo de cara, do melhor ano da história do time. Na liga iugoslava, já como titular, foi campeão participando de 32 jogos e assinalando sete gols. Mas foi em âmbito europeu que o ainda jovem meia conseguiu seu primeiro grande título. Na Copa Europeia (atual Uefa Champions League) que a equipe sérvia chegou a sua maior glória.
Contrariando os prognósticos, sua equipe surpreendeu o mundo ao ficar com o título da Copa Europeia (atual Uefa Champions League). Naquela época a competição era toda feita com cruzamentos eliminatórios. Na primeira fase, após empatar em casa em 1 a 1, os sérvios foram buscar a classificação na Suiça com uma vitória por 4 a 1 sobre o Grasshopper. Na fase seguinte foi a vez dos escoceses do Rangers serem despachados. Vitória por 3 a 0 em Belgrado e empate em 1 a 1 em Glascow.
Nas quartas de finais o Estrela Vermelha provou que tinha time para ser campeão ao vencer por 6 a 0, no placar agregado, a sensação alemã Dynamo Dresden. Novamente contra um time alemão, desta vez o Bayern Munique, os sérvios tiveram dois jogos duríssimos, mas mantiveram a invencibilidade ao vencerem por 2 a 1 na Alemanha e empatarem em casa em 2 a 2.
O grande desafio, porém, estava por vir na decisão. Depois de batalhar por 120 minutos – tempo normal mais a prorrogação – o Estrela Vermelha mediu forças com o Olympique Marseille, equipe mais badalada do torneio até então, nos pênaltis. Com 100% de aproveitamento nas cobranças, os sérvios levaram a melhor por 5 a 3 e faturaram a competição de forma invicta. Tudo isso sob a tutela de Jugovic, que impulsionou o ataque da equipe, apesar de ter passado em branco na competição.
Bicampeão do mundo e afirmação na Itália
A partir dali o meia passou a despertar a cobiça de várias equipes, sobretudo da Itália, que na época tinha a liga mais forte do planeta. Sua trajetória no Estrela, no entanto, ainda não estava finalizada. Na temporada 1991/92, o jogador ajudou a equipe no bicampeonato iugoslavo. Paralelamente, no final de 91, o Estrela Vermelha conquistou o mundo, desta vez com atuação primordial de Jugovic. Na vitória por 3 a 0 sobre o Colo Colo na Copa Intercontinental, o meia foi autor de dois gols.
Na Copa Europeia, o Estrela ficou no quase. Por causa de uma derrota em casa contra a Sampdoria, não teve a oportunidade de buscar o bi do continente. Mas as apresentações de Jugovic no torneio chamaram a atenção exatamente do seu algoz. O time italiano não mediu esforços e fechou a contratação do jovem meia ao término da temporada.
Na Samp, Jugovic permaneceu por três temporadas e tornou-se ídolo da torcida. Mas em termos de conquistas, elas foram escassas, até pelas ambições o time tinha ao começar os campeonatos. Mesmo assim, o meia ainda amealhou uma Copa e uma Supercopa da Itália. Seu maior prêmio, no entanto, foi abrir os olhos dos dirigentes da Juventus para o seu futebol.
No início da temporada 1995/96, Jugovic desembarcou em Turim. Começou como reserva, mas aos poucos foi mostrando sua importância e provando que tinha estrela. Na reta final da UEFA Champions League, ele foi decisivo por duas. Primeiro na partida de ida da semifinal contra o Nantes, quando marcou o gol da vitória por 2 a 0, que se tornou fundamental porque o jogo da volta terminou 3 a 2 para os franceses.
Na grande final, contra o Ajax de Litmanen e companhia, após empate no tempo normal e na prorrogação, Jugovic recebeu a incumbência de cobrar o quarto pênalti da série e não decepcionou, fechando-a em 4 a 2. Era o seu bicampeonato europeu. Meses depois veio o bi mundial, após vitória da Juve por 1 a 0 sobre o River Plate. O meia participou de toda a partida. Na Vecchia Signora, Jugovic ainda conquistou o Calcio em 1996/97, até que foi negociado com a Lazio.
No time da capital, o meia voltou a sofrer com a falta de condições de disputar o título italiano. Como consolo pôde novamente levantar a taça da Copa Italia, mas foi só. Foi novamente negociado, mas desta vez rumou para Espanha, para jogar no Atlético Madrid. Sua passagem lá foi mais uma vez rápida e sem sucesso. Mesmo assim, Jugovic ganhou mais uma chance em time grande e assinou com a Internazionale em meados de 1999.
Já em fase descendente da carreira, aliado ao mau momento dos nerazzurri, não foi mais que um coadjuvante durante dois anos. Ainda com vínculo na Inter, acabou emprestado aos Monaco, mas não conseguiu reeditar o futebol que ficara conhecido. Sem mercado em times grandes ou médios da Europa, aos 34 anos Jugovic foi parar no FC Admira da Áustria e no ano seguinte encerrou a carreira no modesto LR Ahlen, na segunda divisão alemã. Mesmo assim, é considerado por muitos o melhor jogador sérvio da história.
Contribuição para a seleção
Jugovic foi peça constante na seleção iugoslava e posteriormente na de Sérvia e Montenegro. Disputou 41 partidas e marcou três gols entre os anos de 1991 e 2002. Como destaque para a participação honrosa na Copa de 1998.
Os iugoslavos terminaram a primeira fase de forma invicta com sete pontos em um grupo que tinha a Alemanha, e perderam para a Holanda nas oitavas de final por 2 a 1, sofrendo o gol da derrota apenas aos 47 minutos do segundo tempo. Jugovic foi titular em todos os gols, mas não marcou gols.



