Villarreal: O Submarino Amarelo sai das profundezas

É bem verdade que já foi mais difícil brilhar no futebol espanhol. Basta lembrar que de 1985 a 1995, só Barcelona e Real Madrid se alternaram com o caneco. Ao menos em território nacional, a dupla de gigantes passou a ter a companhia do Atlético de Madrid, campeão em 1996 e, mais recentemente, Deportivo La Coruña (2000) e Valencia, campeão em 2002 e 2004. Em meio a este cenário, onde manda quem é rico, despontam no campeonato as cores azul e amarela da equipe do Villarreal. Time com pouca tradição, chegou à reta final do campeonato espanhol com ótimas chances de conseguir uma vaga na prestigiosa Liga dos Campeões.

Além do sucesso conquistado no Espanhol, graças a um futebol extremamente ofensivo, o Villarreal vai muito bem na Copa UEFA. Se no ano passado (quando debutou na competição) a equipe caiu nas semifinais, perdendo para o Valencia (que acabou campeão), nesta temporada o treinador chileno Manuel Pellegrino almeja vôos ainda maiores. O time está invicto na competição. Melhor ainda é o fato da equipe não ter perdido pontos em casa e sequer ter levado gols atuando em seu estádio.

O equilíbrio como arma

O atual treinador do Villarreal, o chileno Manuel Pellegrino, carrega fama de sempre armar equipes bastante ofensivas. Foi assim que conquistou seu primeiro título importante: o Clausura argentino de 2001, com o San Lorenzo, e logo depois a Copa Mercosul. Na competição o time teve o segundo melhor ataque e a melhor defesa. Já no ano seguinte, comandando o River Plate, Pellegrino sagrou-se campeão do Clausura de 2002. O River foi o melhor ataque da competição e também teve a melhor defesa. Portanto, nota-se que Pellegrino não joga apenas no ataque. É um técnico que consegue encontrar um equilíbrio na equipe, algo raro nos dias de hoje.

É dessa forma ele vem trabalhando no Villarreal. No ataque, o uruguaio Forlan, recém-contratado junto ao Manchester United, já foi responsável por marcar 14 gols. O motor do meio-campo é Riquelme. Joga com o número 8, mas é um autêntico camisa 10. Bola parada é com ele. O argentino também tem forte presença no ataque, tanto que já marcou 10 gols neste Espanhol. Aliás, no atual campeonato, Los Amarillos têm o terceiro melhor ataque e a terceira melhor defesa. É ou não é uma equipe equilibrada?

Brasileiros ou argentinos?

Se equipes como Barcelona e Sevilha apostam alto em atletas brasileiros, o Villarreal vem fazendo sucesso com uma verdadeira legião Argentina. São seis jogadores do país no elenco: Rodolfo Arruabarrena, Gonzalo Rodríguez, Sebastian Battaglia, Sorín, Riquelme e Figueroa. O único brasileiro no time é o volante Marcos Sena. Quem foi que disse que só os brazucas sabem jogar no ataque?

Arruabarrena foi o primeiro argentino a chegar no clube, vindo do Boca em 2000. Hoje, é um dos jogadores mais respeitados da equipe. O zagueiro Gonzalo Rodriguez foi contratado recentemente e hoje disputa vaga na seleção argentina com Samuel e Ayala. Ele trabalhou com Pellegrino no San Lorenzo e é uma aposta pessoal do treinador que vem dando certo.

Sebastian Battaglia é um volante jovem que ganhou tudo com o Boca Juniors. Foi negociado após ser campeão mundial diante o Milan em 2003. Sorín é conhecido dos brasileiros e foi parar no Villarreal após passagens sem brilho por várias equipes européias – mas agora começa a desenvolver um bom futebol pelos Amarillos.

Riquelme, assim como o uruguaio Forlán, achou a redenção no Villarreal. Depois de fazer sucesso no Boca, foi para o Barcelona, onde jamais rendeu o esperado. A trajetória de Forlán é semelhante: depois de fazer sucesso no campeonato argentino, foi para o Manchester United, onde quase virou motivo de piada por seu baixo aproveitamento em frente ao gol. Na Espanha, não cansa de botar a bola nas redes. Completando a legião argentina, Luciano Figueroa por enquanto é só um reserva de luxo, mas logo deve explodir.

Ponto de partida

A história do Villarreal começa na década de 20, quando o farmacêutico José Calduch Almela, juntamente com o bancário José Martínez Aguilar e o administrador de correios Carlos Calatayud Jordá decidiram criar um clube para ´´´´fomentar todos os esportes e em especial o futebol´´´´. E assim, no dia 10 de março de 1923, nasceu o Villarreal.

Mas a equipe teve um início de vida complicado. Tanto que só disputou a primeira partida importante na temporada 1934/5. Daí em diante, o clube viveu altos e baixos. A história do clube só começou a se transformar em meados da década de 80. Na temporada 1986/7, o time subiu para Segunda B (terceira divisão), porém não resistiu e logo no ano seguinte voltou à Segunda Regional. Mas, a partir desse ponto, a história foi uma sucessão de vitórias.

Logo na primeira temporada dos anos 90, o Villarreal conseguiu voltar à Segunda B. Uma temporada depois, Los Amarillos (apelido que faz alusão à cor do uniforme) alcançaram a ´Divisão de Prata´. Desde então, o clube não parou de crescer. Na temporada 1997/8, quando terminou o campeonato em quarto lugar, adquiriu o direito de lutar por uma vaga na Primeira Divisão.

Toda dramaticidade vivida em 74 anos de história parecia se resumir nessa partida. Em um jogo de 180 minutos, Compostela e Villarreal empataram duas vezes: no El Magridal, 0 a 0, já em San Lázaro, 1 a 1. Coube ao jogador Alberto marcar o importante gol fora de casa que garantiu o acesso à primeira divisão do futebol espanhol.

Como nem tudo que reluz é ouro, Los Amarillos não suportaram o alto nível da primeira divisão e regressaram à Divisão de Prata. Porém, logo na temporada seguinte o Villarreal estava de volta, permanecendo na elite até os dias de hoje.

O passado recente da equipe não deixa mentir. Los Amarillos chegaram para ficar. Em apenas quatro temporadas entre os grandes, já conseguiu um honroso sétimo lugar, em 1999/2000. Para completar, o time ainda foi um dos campeões da Copa Intertoto, vencendo na última partida o holandês Heerenven.

Em vista desse progresso, não será surpresa se o Villarreal conquistar de vez seu espaço nesta temporada. Com a boa campanha que vem fazendo, a equipe comandada pelo treinador Manuel Pellegrino tem tudo para ganhar o direito de enfrentar os maiores times da Europa na Liga dos Campeões. Acostumado às profundezas, o Submarino Amarelo estará no lugar mais alto do futebol mundial.

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