Urawa: os diamantes são eternos

Desde que começou a ser disputado neste formato atual, o Mundial de Clubes da FIFA finalmente teve um representante japonês na competição, o Urawa Red Diamonds. Justamente quando a FIFA concede ao país-sede uma vaga para a disputa da principal competição interclubes do mundo.
O Urawa, porém, não precisou desta “artimanha” da FIFA para estar no Mundial. Os Reds conquistaram sua vaga de forma “legítima”, com o título da Liga dos Campeões da Ásia deste ano, em cima do Sepahan-IRÃ. E com uma substancial ajuda brasileira.
Futebol industrial
Como muitos clubes do país no passado, a origem do Urawa Reds vem da intenção de uma empresa de criar um time para os seus funcionários. No caso, a Mitsubishi Heavy Industries, braço da Mitsubishi, aqui famosa por suas televisões e automóveis. O clube nasceu em Kobe (com o nome de Shin-Mitsubishi Heavy Industries), e oito anos depois de sua fundação, mudou-se para Tóquio, adotando o nome da empresa em 1964.
O clube foi um dos fundadores da Japan Soccer League, a liga amadora pré-J-League, em 1965. Quatro anos depois, conquistou sua primeira taça de campeão nacional, fato que se repetiria mais três vezes. Na lista da fase amadora, se incluem mais quatro títulos da Copa do Imperador e dois da Copa da Liga.
Agora, tudo profissional
A equipe mudaria de nome mais uma vez no começo da década de 90 para Mitsubishi Motors, quando a equipe passou a representar o setor de veículos da multinacional, terminando a última temporada de amadorismo na penúltima posição. Em 1993, o nome atual passou a ser usado (os tais “Red Diamonds” representam o logo da empresa).
A primeira temporada como membro fundador da J-League foi um fracasso, terminando na última posição. Em 1994, mesmo com a chegada dos alemães Uwe Bein e Guido Buchwald, a coisa não melhorou. A chegada de outro alemão, Holger Osieck, para o cargo de treinador, deu um jeito no time, que terminou 1995 na quarta posição no geral.
O time passou a ser um dos medianos do cenário nipônico, com campanhas oscilantes e com estrangeiros de fama, como Berguiristain e Petrovic. Mesmo o surgimento de Shinji Ono, principal estrela nacional, não foi o suficiente para a chegada de título. Para piorar, os Reds foram rebaixados em 1999, prontamente voltando no ano seguinte.
Quando os títulos chegam
O ano de 2003 foi a glória para o Urawa, com a conquista da primeira taça da era profissional do clube: A Copa Nabisco, com participação do brasileiro Emerson, com dois gols na vitória de 4 a 0 sobre o Kashima Antlers. No ano seguinte, o time venceu o segundo turno da J-League e terminou com vice no geral. Já em 2005, veio mais uma taça, a Copa do Imperador, frente ao Shimizu.
A glória maior do time da Mitsubishi veio em 2006, com a conquista da J-League. Comandados por Guido Buchwald, o time, com a participação dos brasileiros Róbson Ponte e Washington, levou o troféu e a Copa do Imperador. No ano seguinte, já sob a batuta de Holger Osieck, foi campeão asiático de clubes, garantindo vaga no Mundial. Para completar, quase foi campeão da J-League de 2007, mas um tropeço no final deu o título ao Kashima e a vaga do país-sede para o vice da AFC Champions League, o Sepahan.
Um time, dois estádios
Enquanto o torcedor do Corinthians é alvo de piadas por não ter um estádio “próprio”, o do Urawa pode ficar tranqüilo: tem dois. São o Urawa Komaba, estádio “oficial” do clube e o Saitama Stadium 2002, palco da semifinal da Copa de 2002, entre Brasil e Turquia. Em ambos, o time manda seus jogos dos campeonatos que disputa. Porém, teve que dividi-lo por algum tempo com o rival Ardija.
Os brasileiros do Urawa
Assim como praticamente todos os clubes japoneses, o Urawa também tem sua cota de brasileiros em sua história. Se hoje figuram Washington (que irá para o Fluminense ano que vem) e Róbson Ponte, no passado tiveram sua presença jogadores como Emerson, Edmundo e Tuto, além de Tita e Pita, ambos como treinadores.



