Universitario de Sucre: sonhos bem altos

O maior ano da história do futebol da Bolívia. É nisso que o Universitario de Sucre quer transformar 2009, ganhando a Copa Libertadores e indo a Dubai, em dezembro, tentar ser o melhor do mundo.

O sonho é irreal. Impossível, dizem alguns cronistas. Os jogadores admitem publicamente que passar da primeira fase já seria uma façanha e tanto. Cruzeiro, Deportivo Quito, do Equador, e Estudiantes, da Argentina, são os companheiros de grupo. Os adversários assustam. No site oficial do Universitario, é mais fácil encontrar informações a respeito deles do que do próprio time.

Mas não custa tentar, argumenta a direção. Ou melhor, custa. E bastante. Seis reforços foram contratados. Todos experientes. A negociação mais demorada envolveu o zagueiro Ronald Rivero, que jogava em Israel. Os investimentos estouraram os cofres. E a aposta para voltar a operar no azul é o retorno financeiro da Libertadores.

A estratégia foi montada ainda no ano passado. E não é nada criativa. Aproveitar-se dos 2,8 mil metros da altitude de Sucre, onde o Cruzeiro joga em 18 de março, e fazer os resultados em casa, no Estádio Olímpico Pátria. De acordo com as contas da comissão técnica, dez pontos classificam às oitavas-de-final. Ou seja, será necessário um empate longe da Bolívia.

Administrado por uma universidade pública, o La “U”, como é chamado, começou a se destacar no futebol em 2005, apesar de ter sido criado na década de 60. Em quatro anos, foram dois títulos nacionais e uma participação na Copa Sul-Americana. Ainda arrumou um rival: O Real Potosí, eliminado pelo Palmeiras na pré-Libertadores.

Os estudantes e o ídolo brasileiro

Em abril de 1961, o professor do Instituto de Educação Física da Universidade São Francisco Xavier Alfredo Sândi Navarro, com o aval da instituição, reuniu alguns alunos e fundou o Club Universitario. Para oficializar a criação, foi montada – e não eleita – uma diretoria, com o reitor acumulando o cargo de presidente.

Os atletas, treinados pelo professor Navarro, eram estudantes dos cursos de Medicina, Ciências Econômicas, Agronomia e Artes Plásticas. O começo foi desastroso. A equipe patinava nos torneios amistosos e nas divisões inferiores. Muitos jogadores saíram. Uns porque não suportavam tantas derrotas. Outros porque iam concluindo a faculdade. Faltavam recursos, o que impedia o anúncio de contratações.

Em 1986, os estudantes, apelido dado ao Universitario, finalmente, chegaram à primeira divisão. E no ano seguinte já estavam jogando a Série B outra vez, de onde só voltaram a sair em 2005, quando a universidade resolveu dar mais atenção ao futebol.

Na prática, significa que o clube recebeu mais dinheiro. Algumas contratações na comissão técnica e no grupo de jogadores resolveram o problema. O Universitario foi campeão da segundona. E em 2006, terminou o Torneio Apertura em terceiro, levando uma vaga na Sul-Americana do mesmo ano. A alegria, de novo, foi curta. Inexperiente, caiu na primeira fase, eliminado pelo El Nacional, do Equador.

Até que em 2008, com os cofres ainda mais cheios, o Universitario surpreendeu e encantou. Muito superior aos outros 11 times da primeira divisão, venceu com sobras o Apertura, com nove pontos de vantagem sobre o segundo colocado. O título veio no início de julho, com três rodadas antes do fim do campeonato.

O meio-campo brasileiro Marcelo Gomes, 27 anos, ex-Bonsucesso, do Rio de Janeiro, foi o destaque e um dos melhores da competição. Inclusive, foi dele, o gol do título, num empate em casa, em 1 a 1, com o San José.

Crise depois do título

Ao contrário do que se previa, o restante de 2008 foi conturbado. Às vésperas do Clausura, cinco jogadores foram mandados embora. Três por insuficiência técnica e dois por indisciplina. Para completar, a campanha no torneio foi ruim e o técnico Eduardo Villegas pediu para sair.

As equipes são divididas em dois grupos de seis. Os dois melhores de cada chave avançam para as semifinais. O Universitario, com a faixa de campeão do Apertura, campeonato de pontos corridos em dois turnos, tropeçou e sequer se classificou.

Somente no início da pré-temporada, o presidente do clube e reitor da universidade, Jaime Barrón, bateu o martelo pela permanência do técnico. O atraso se estendeu à formação do time. Os reforços (dois zagueiros, dois volantes, um meia e um atacante) ainda não têm condições físicas ideais. E o goleiro Juan Marcelo rompeu os ligamentos do joelho direito e para, no mínimo, até julho.

O time começou 2009, da mesma forma que terminou 2008: jogando mal. Com o agravante de que no início da temporada só enfrentou adversários fracos. Nem o esquema foi definido. Villegas vem testando o 5-4-1 e o 4-4-2.

O clássico do Sul

A ascensão do time da universidade, culminando com o título boliviano, incomodou o Real Potosí, que até 2005 reinava absoluto no sul daquele país. O Universitario foi crescendo, tirando torcedores do adversário e dividindo com ele as atenções da mídia esportiva da região.

O jogo entre os dois ganhou o apelido de “Clasico del Sur”. No ano passado, foram quatro. Duas vitórias do Universitario e uma do Potosí. Na abertura da temporada 2009, os rivais participaram, em grupos diferentes, de um torneio amistoso, com mais cinco times, patrocinado por uma empresa aérea, que dá ao campeão passagens gratuitas durante todo o ano. O Potosí, envolvido com o Palmeiras na pré-Libertadores, ficou na primeira fase. Enquanto o Universitario, mesmo com um futebol fraco, foi vice-campeão.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo