Tradição x Preparação

É desnecessário explicar aqui o que representa o Futbol Club Barcelona para a Catalunha. Junto com o Athletic Club no País Basco, é o clube que mais simboliza uma região na Espanha. Ou, por outro ponto de vista, que mais expõe o separatismo de algumas regiões em território espanhol. Muito por conta disso, a decisão do Barça de mandar um time reserva para a Supercopa da Catalunha gerou grande revolta.

Nesta temporada, pela primeira vez a Federação Catalã de Futebol optou por criar uma Supercopa. Há décadas organiza a Copa da região com diversos times, mas mudou em parte seu formato e criou um segundo torneio para valorizar a participação dos dois grandes clubes, Barcelona e Espanyol. Marcou o jogo para 31 de julho e recebeu a confirmação das duas direções, mas foi surpreendida com o anúncio feito pelos culés na semana passada.

Por conta do calendário de pré-temporada, o Barça enviaria um time sem seus jogadores principais. Imediatamente, os dirigentes da federação criticaram o clube. Declarações colocando o Barça contra o futebol catalão foram as mais frequentes. Joan Collet, CEO do Espanyol, seguiu na mesma linha: “O Barcelona mostrou falta de respeito com o futebol catalão, com o Espanhol e com a Federação. É um dia triste para todos. A mensagem que o Espanyol quer passar a todos é que está 100% compromissado com o futebol catalão”.

Acuado pela opinião pública e pela imprensa, nesta segunda-feira o Barcelona voltou atrás e aceitou a sugestão da Federação em remarcar a partida decisiva para 26 de setembro, entre as rodadas 5 e 6 do Campeonato Espanhol. Não sem antes, em um comunicado oficial, reforçar o seu apoio ao futebol local e criticar veementemente os diretores da Federação por interferência em seus trabalhos. Tito Villanova, novo técnico do time, também apareceu para comentar o ocorrido. Garantiu que a decisão de escalar reservas foi sua. E no próprio comunicado o Barça diz apenas que “enviará seus melhores atletas que a comissão técnica escolher”.

A história é mais uma entre tantas que escancaram o uso político do esporte. No entanto, mostra também a dificuldade existente para um clube extremamente profissional como o Barcelona lidar com sentimentos regionais. A temporada é longa, desgastante, e o foco dos culés é a disputa da Liga dos Campeões e do campeonato nacional. Além disso, a pré-temporada está repleta de amistosos caça-níqueis pelo mundo. É um caso emblemático de tradição x preparação, ou se preferirem, tradição x modernidade.

O Barcelona está certo ao focar o lado esportivo, mas erra ao priorizar amistosos quaisquers em detrimento de um jogo importante para o seu simbolismo. E antes que eu me esqueça, o Futbol grafado no primeiro parágrafo está correto. Em catalão.

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