Tradição em baixa

do Olheiros.net
Dona de quatro Copas do Mundo, a Itália se orgulha na mesma intensidade dos seus títulos mundiais e da tradição que possui de produzir goleiros de alto nível. O titular de sua seleção, Gianluigi Buffon, honra bem essa herança. Aos 30 anos, o juventino é um dos melhores arqueiros de planeta e deve guardar a meta italiana ainda por alguns anos… para sorte do país.
Nos últimos anos, Marco Amelia vinha sendo considerado o sucessor natural de Buffon. Com boas atuações no Livorno, ele despertou o interesse do Milan, que, no entanto, não chegou a contratá-lo. Atualmente, Amelia já não é o que parecia ser, mas continua como a segunda opção de Roberto Donadoni para a Azzurra, já que não há uma expressiva concorrência no setor.
Se a geração de Pagliuca, Toldo e Peruzzi esteve sempre em alta no cenário internacional, o quadro atual é bem menos animador. Os clubes italianos não depositam confiança em seus jovens arqueiros, que não conseguem ganhar a experiência para evoluírem e triunfarem no futebol de alto nível.
Na atual temporada, apenas quatro goleiros italianos com idade inferior a 25 anos jogaram na primeira divisão do país. A maioria deles atuou em poucas partidas, sempre substituindo o titular da posição. A exceção é Davide Bassi, 22, do Empoli, que entrou em campo em 12 oportunidades.
A situação é ainda mais preocupante porque nessa lista está incluído o atual terceiro goleiro da seleção principal. Com os mesmos 22 anos de Bassi, Gianluca Curci é reserva de Doni na Roma e maior aposta italiana para a posição para os próximos anos. Mesmo tendo participado de apenas dois jogos do Nacional na atual temporada, é o titular do time que irá aos Jogos Olímpicos de Pequim, em agosto.
A presença de Doni à frente da meta romanista é sinal da recente política dos clubes do país de contratar estrangeiros para o gol. Das cinco principais equipes do país na atualidade, apenas a Juventus, de Buffon, tem um italiano como arqueiro titular. Essa obsessão é tamanha, que o goleiro mais jovem a atuar temporada não nasceu na Bota, mas no Uruguai – Fernando Muslera, 21 anos, da Lazio.
Além dos estrangeiros, os veteranos da Itália estão em alta na Série A. Nada menos do que sete goleiros locais com pelo menos 35 anos entraram em campo em 2007/08 –o número seria ainda maior com o australiano Kalac, por exemplo. Alguns deles, são jurássicos, com Daniele Balli (Empoli), 40, Alberto Fontana (Palermo), 41, e o recordista Marco Ballotta, titular da Lazio, prestes a chegar aos 44 anos.
Sem espaço na Série A, os jovens goleiros das seleções italianas de base precisam ir à segunda divisão para terem ritmo de jogo. Emiliano Viviano, reserva de Curci no último Europeu sub-21, é titular do Brescia, enquanto Andrea Consigli, atual dono da meta azzurina, está emprestado pela Atalanta ao Rimini.
Enquanto isso, outros países com cenário importante no futebol têm seus arqueiros da sub-21 em times de ponta ou, pelo menos, perto isso. O alemão Manuel Neuer é titular do Schalke 04 e foi o destaque do time no confronto de oitavas-de-final da Champions League contra o Porto. Já Joe Hart, da Inglaterra, mostra uma certa conscistência frente ao gol do Manchester City.
Ainda melhor é a situação vivida por Rui Patrício, de 20 anos. O português iniciou a temporada como a terceira opção do Sporting para a posição, mas acabou superando as concorrências de Vladimir Stojkovic e Tiago, firmou-se entre os 11 e chegou à seleção principal. Hoje, é nome certo na Eurocopa, ao contrário dos seus contemporâneos da Itália, que não conseguem nem atuar com freqüência na Série A.



