Tacuary: O São Caetano paraguaio

Após sofrer o com fim dos anos dourados da década de 90 e amargar a segunda divisão do futebol brasileiro, o torcedor palmeirense está pronto para reviver seus dias de glória. Nesta semana, o time enfrenta o Tacuary, do Paraguai, na fase preliminar da Copa Libertadores. Para o palmeirense, é mais que um jogo: é a chance de voltar a dominar a América, como fez no final da década passada. Para o Tacuary, a partida é a grande chance de derrubar um time tradicional e aparecer pela primeira vez no cenário internacional.

Ajuda vinda da Itália

A história do Tacuary começou em 1923, mas o clube de um bairro central de Assunção viveu durante décadas no amadorismo. Até o início deste milênio, o clube mandava seus jogos no pequeno estádio Toribo Vargas, com capacidade para apenas 4 mil pessoas. Em 2002, um grupo de empresários, liderados por Francisco Ocampo, comprou e começou a administrar o clube. Os novos diretores contaram com uma ajuda no mínimo significativa: verba vinda da poderosa Juventus de Turim.

Os italianos financiaram o novo estádio do clube, com capacidade para 20 mil torcedores. Em troca, ganharam a prioridade na contratação de qualquer jogador que surgir no time nos próximos anos. Também pela ajudinha do gigante europeu, o Tacuary batizou seu novo estádio como Roberto Betega, ex-jogador da Juve e da seleção italiana e atual vice-presidente do clube de Turim. Betega, aliás, também foi o grande ídolo do empresário Ocampo, patrono no Tacuary.

O estádio fica em um bairro afastado da capital paraguaia. Talvez o maior desafio do novo clube será encher os 20 mil lugares das modestas arquibancadas. Dizem que a torcida do Tacuary não passa de mil apaixonados. É bem provável que seja verdade, já que cerca de 500 pessoas costumam acompanhar os jogos do clube. O antigo estádio não foi desativado. Serve como centro de treinamento para as categorias de base do clube, local em que os italianos esperam recuperar seu investimento.

Humildade e retranca

Não é difícil notar que o Tacuary busca inspiração nos clubes brasileiros. O escudo do time é quase idêntico ao distintivo do Santos. Para Jorge Cáceres, vice-presidente do clube, as semelhanças são maiores. ´´Somos o São Caetano do Paraguai. Nos tornamos profissionais há pouco tempo, por isso somos humildes e brigaremos para complicar a vida do times grandes´´, declarou o presidente em entrevista à rádio Jovem Pan.

Mas existe uma diferença que talvez o Cáceres não conheça. O São Caetano explodiu jogando um futebol de ataque, diferente o time paraguaio. A força do Tacuary está em sua defesa. A estratégia para esta Libertadores será a mesma utilizada pelo Once Caldas, campeão do torneio no ano passado: jogar na defesa e cozinhar a partida. Quando é atacado, o time se fecha em um 4-5-1 e procura sair em velocidade, puxado pelos pontas Raúl Román e Julio Ortellado. Aliás, Román com passagens por Olimpia, Cerro Porteño e pela seleção paraguaia e é o grande astro do time.

Goleadas recentes

Mesmo com a fama de retranqueiro e o esquema defensivo do técnico Oscar Paulin, o Tacuary vem goleando seus fracos adversários. O time está concentrado para o desafio contra o Palmeiras desde o dia 15 de dezembro do ano passado. Em janeiro, o elenco esteve no Brasil, onde disputou um amistoso contra a seleção da cidade de Torres. Os paraguaios venceram por 7 a 1. No último jogo antes do confronto contra os brasileiros, o Tacuary fez mais uma vítima: 5 a 0 no Eusébio Ayala, outra equipe amadora de Assunção.

Certamente, o Palmeiras nunca jogou uma partida tão importante contra um adversário tão pequeno. E o Tacuary nunca esteve tão perto de entrar para a história do futebol sul-americano. Por isso, o confronto que vai mais que uma simples vaga na Copa Libertadores.

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