Szczesny: o novo 1 do Arsenal?
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Por Rodolfo Zavati
Fogueira. Para os dicionários, apenas um “monte de lenha ou de outro combustível em labareda”. Na linguagem do futebol, os sinônimos mais adequados seriam “pressão total”, “fria”, “roubada”. Foi numa dessas situações de extrema tensão que o jovem goleiro polonês Wojciech Szczesny teve sua primeira grande chance como titular do Arsenal: um jogo contra o Manchester United, na casa dos rivais, em dezembro de 2010.
O gol do Arsenal vem sendo o ponto fraco do time já faz algum tempo. Durante treze temporadas, David Seaman foi o dono absoluto da camisa número 1 no antigo Highbury. Ao deixar Londres para encerrar a carreira no Manchester City, em 2003, Seaman abriu uma lacuna que jamais foi totalmente preenchida. O alemão Lehmann, contratado já em fim de carreira, fez algumas temporadas regulares até perder a posição para Manu Almunía; o espanhol, entretanto, jamais mostrou o nível suficiente para a titularidade de um clube de tal porte.
Além da dupla, promissores arqueiros como Lukasz Fabianski e Vito Mannone também fracassaram na tarefa. Em 2011, é a vez de Szczesny ter sua oportunidade de convencer Arsène Wenger e a torcida dos Gunners de que finalmente há segurança na meta do Emirates Stadium.
Carreira
Wojciech Tomasz Szczesny nasceu em Varsóvia, capital polonesa, em 1990. Na infância, eu primeiro, digamos, esporte foi a dança de salão. Após trocar o palco pelo gramado, chegou aos times menores do Arsenal em 2006, aos 16 anos. Estreou na equipe principal em 2009, num jogo da Copa da Liga diante do West Brom, partida em que não sofreu gols. Em 2009-2010, conseguiu atuar com regularidade ao ser emprestado para o Brentford, da terceira divisão inglesa. De volta ao norte londrino, ganhou elogios de Wenger, que disse ver no polonês todas as qualidades necessarias para o camisa 1 ideal.
Na temporada atual, aproveitou as lesões dos concorrentes para justificar a confiança do treinador francês através de uma sequência de ótimas atuações. O clássico contra os Red Devils foi só a primeira pedreira na tragetória do polaco de 1,95. Em fevereiro, Szczesny foi bem na grande vitória sobre o Barça, pela Champions League.
O sucesso na Inglaterra o colocou na órbita de sua seleção natal e a estréia veio ainda em 2009, num amistoso contra o Canadá. Szczesny, aliás, faz parte de uma nova safra da interessante geração de goleiros poloneses que chegou aos grandes clubes europeus. Herdeiros de Jan Tomaszewski (das Copas de 74 e 78), Józef Mlynarczyk (titular em 82 e 86) e, mais recentemente, Jerzy Dudek, Boruc (Fiorentina), Kuszczak (Manchester United) e o já citado Fabianski (também do Arsenal) ganharam mais um concorrente de peso na briga pela camisa 1 polonesa.
Histórico familiar
A vocação para o gol vem de família: seu pai é Maciej Szczesny, goleiro que brilhou no Legia Warsaw e foi campeão nacional por quatro times diferentes, além de ter acumulado algumas convocações para a seleção entre 1991 e 1996. Uma das passagens marcantes da carreira de Szczesny pai foi agredir Roberto Mancini, então craque da Sampdoria, num jogo entre a equipe genovesa e o Legia, pela extinta Recopa, em 1991. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o filho declarou: “Meu pai deu um soco na cara de Mancini e foi expulso. Mal posso esperar para enfrentá-lo, talvez ele se lembre.”
Fora do campo, Szczesny destaca-se pela personalidade forte e excêntrica. Seu perfil no Twitter (@53szczesny53) tem quase 100 mil seguidores e chama atenção pelas postagens extrovertidas, revelando um comportamento pouco comum num meio onde os jogadores, treinados por seus assessores de imprensa, emitem opiniões cada vez mais politicamente corretas e robotizadas. Recentemente, o goleirão se disse “embaraçado” por causa de um uniforme róseo e ainda justificou: “Vocês não veriam Seaman ou Lehmann usando uma camisa rosa, não é? Eu acho que Lehmann teria a queimado.” Quando perguntado sobre sua não-convocação para um jogo diante do Tottenham, respondeu: “Parece que Arsene se esqueceu que tem um goleiro chamado Wojciech Szczesny.”
Na final da Copa da Liga, disputada no último domingo contra o Birmingham City, veio a primeira grande falha: um choque com o zagueiro Koscielny custou o gol de Obafemi Martins e a perda do título ao Arsenal, num resultado considerado como grande zebra. Entretanto, nada disso deve abalar a moral do confiante Szczesny. Parar novamente o Barcelona e conquistar a Premier League serão os testes definitivos para o goleiro mostrar que já está pronto para trocar a camisa 53 pela 1.