Stjarnan: O time das comemorações criativas

Por Rodrigo Gasparini

Graças às inusitadas comemorações de gols, que se espalharam pelo Youtube e viraram febre em todo o mundo, o modesto Stjarnan conseguiu uma façanha: colocar a Islândia no mapa do futebol mundial em 2010. Afinal, não fossem as esquetes batizadas como “pescaria”, “Rambo”, “bicicleta humana” e “vaso sanitário”, entre outras, certamente o futebol do país que tem apenas 320 mil habitantes (menor do que muitas cidades médias do Brasil) não seria tão falado na imprensa esportiva mundial.

O Stjarnan acaba de finalizar sua segunda participação na divisão principal da liga nacional islandesa, a Úrvalsdeild – também conhecida como Pepsi-Deildin, por questões de patrocínio. Foram 25 pontos ganhos em 22 jogos, com seis vitórias, sete empates, nove derrotas, 39 gols marcados e 42 sofridos. Se os resultados não foram dos melhores, pelo menos garantiram a equipe em 8º lugar entre as 12 participantes do campeonato e a consequente permanência na elite do futebol semi-profissional do país.

Curiosamente, o Stjarnan encerrou sua campanha no jogo que decidiu o título: 0 a 0 em casa contra o Breidablik. O empate deu ao adversário o troféu de campeão islandês de 2010. Por causa do rigoroso inverno do país, a temporada vai de janeiro a setembro.

Fundado em 1960, o clube tem sede em Gardabaer, município com pouco mais de 10 mil habitantes e ainda assim o sexto maior da Islândia. Apesar da longa história, foi somente em 2009 que iniciou suas participações na divisão principal do futebol, ficando em 7º lugar. No ano anterior, havia garantido o acesso ao ser vice-campeão da Deild Karla, a segunda divisão islandesa.

Apesar de não fazer tanto sucesso no futebol – pelo menos em termos de resultados – o Stjarnan é um grande clube para os padrões islandeses. Possui equipes masculinas e femininas das mais diversas modalidades e categorias e incentiva a participação desportiva como uma espécie de filosofia de vida. O site oficial tem fotos de crianças e jovens praticando handebol, natação, basquete e vôlei, por exemplo. Todos ostentando o uniforme azul que traz consigo a estrela branca com a letra “S” no meio, o distintivo do clube.

O Stjarnan manda seus jogos no Stjörnuvöllur, estádio com grama artificial e capacidade para mil espectadores. Utiliza como uniforme principal camisas azuis, shorts brancos e meias azuis. O segundo uniforme é totalmente branco.

Principais jogadores

Mesmo com pouca tradição, o time das comemorações inusitadas já teve jogadores atuando pela seleção islandesa. Um deles foi o atacante Arnór Gudjohnsen. Ele é pai do também Eidur Gudjohnsen, ex-Chelsea e Barcelona e atualmente no Stoke City. Os dois, inclusive, chegaram a dividir a concentração da seleção da Islândia – um com 34 anos e o outro com 17 –, mas não atuaram juntos.

Outros “famosos” que passaram pela equipe e vestiram a camisa da seleção são o atacante Veigar Páll Gunnarsson e o goleiro Árni Gautur Arason, ambos atualmente na Noruega.

Na temporada recém-terminada, o artilheiro do Stjarnan foi Halldór Orri Björnsson. Ele marcou 13 vezes (um terço de todos os gols da equipe) e ficou apenas um atrás dos dois jogadores que dividiram a artilharia do campeonato: Alfred Finnbogason, do Breidablik e Atli Vidar Björnsson, do FH.

Comemorações inusitadas

Quatro dos 13 gols de Halldór foram marcados em cobrança de pênalti. Uma delas de cavadinha, ao melhor estilo Loco Abreu. E foi justamente na comemoração desse gol, a imitação de uma pescaria, que a fama do Stjarnan começou a correr o mundo via internet.

O curioso é que o jogador “pescado” foi o zagueiro Johann Laxdal, cujo apelido “Lax” significa “salmão” em islandês. Depois desta, vieram várias outras comemorações criativas e irreverentes. E nenhuma delas com dancinhas ou provocações ao adversário. Os temas, aliás, pouco têm a ver com futebol.

Com o sucesso das comemorações divertidas, Lax – espécie de mentor intelectual delas – virou famoso. Sua página no Facebook já tem mais de 1.200 amigos. E foi por ela que recebeu de brasileiros a ideia da “bicicleta humana”, outra inusitada e famosa maneira de comemorar um gol.

Com o fim do campeonato islandês, Lax e seus companheiros voltam a se dedicar exclusivamente ao trabalho, já que o futebol na Islândia ainda não é totalmente profissional. Ele, por exemplo, é jardineiro. Mas os fãs que o Stjarnan conquistou ao redor do mundo já aguardam o início da temporada 2011 e imaginam até onde irá tamanha criatividade.

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Equipe Trivela

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