Sheriff Tiraspol: novo e poderoso

Oito títulos nacionais seguidos traduzem uma superioridade indiscutível. Oito eliminações seguidas nas fases preliminares da Liga dos Campeões demonstram que uma potência regional pode ser apenas “mais um” no cenário internacional. Essa é a realidade do Sheriff Tiraspol, da Moldávia.
Atual octacampeão moldavo, a equipe foi, mais uma vez, precocemente eliminada na LC. Desta vez, para o Sparta Praga, na segunda rodada preliminar. Mesmo assim, seu domínio no cenário regional segue intacto e a conquista do novo Campeonato Moldavo, em seqüência, é apenas uma questão de datas.
A fragilidade fora das fronteiras da ex-república soviética explica-se também pelo baixo nível do futebol local. Afinal de contas, a Moldávia (50ª colocada no ranking da Fifa), nunca foi uma potência do esporte bretão – pelo contrário. Tanto que a única conquista internacional do futebol moldavo foi conquistada pelo próprio Sheriff. Em 2003, o clube levou a, já desprestigiada, Copa da Comunidade dos Estados Independentes.
Fundado em 1997, o Fotbal Club Sheriff se aproveitou do seu poderio financeiro para subir ascender rapidamente no cenário futebolístico nacional. O clube pertence ao conglomerado Sheriff, segundo maior de Pridnestrovie (ou Transnistria), uma região entre a Moldávia, Ucrânia e Romênia, que almeja a independência e possui status de república.
A companhia Sheriff é dona de um canal de televisão, uma rede de supermercados, uma empreiteira, uma fábrica de celulares, entre tantos outros investimentos, além de uma enorme rede de postos de combustíveis. Seus mandatários possuem forte ligação com os políticos moldavos, principalmente do movimento separatista de Pridnestrovie. Isso resulta em muitos benefícios para a empresa e, conseqüentemente, seus negócios.
Viktor Gushan, presidente da companhia Sheriff e do clube, mantém laços estreitos com o presidente de Pridnestrovie Igor Smirnov, cujo filho, Oleg, é um dos diretores da empresa. Este último, por sinal, foi um dos principais negociadores da redução de impostos que a Sheriff conseguiu há poucos anos.
Assim, vivendo uma realidade financeira bem diferente dos rivais, o Sheriff não enfrentou muitas dificuldades para se impor ao restante do país. Apenas um ano após sua fundação, já estava na primeira divisão. O primeiro título veio em 1999, com a Copa da Moldávia. O início do octacampeonato foi em 2001.
O relacionamento escuso com o poder, algo até certo ponto comum em clubes de futebol, também rendeu bons dividendos ao futebol do país. Inaugurado em 2002, o complexo Sheriff possui um moderno estádio para pouco mais de 14 mil pessoas, com amplo estacionamento, um shopping center, além de um Centro de Treinamentos completo. O custo total do projeto passou de US$ 200 milhões.
Em campo, o clube também busca meios de se reforçar e conseguir ter competência fora da Moldávia. Nos últimos anos, cada vez mais atletas nascidos em outros países chegam ao Sheriff. No atual elenco constam três brasileiros, um argentino e alguns africanos, além de atletas romenos.
Por sinal, um dos melhores jogadores que já vestiu o uniforme amarelo e dourado do Sheriff nasceu na vizinha Romênia. O meia Razvan Cocis, atualmente no Lokomotiv Moscou, entre 2004 e 2006, tendo marcado 22 gols em 43 partidas pelo clube.
A tentativa de uma campanha vitoriosa na Europa fica para a próxima temporada. Enquanto isso, o Sheriff cumprirá a tabela para acumular seu novo título moldavo seguido.


