Sfaxien: O Mundial esteve perto
O ano de 2006 não estava sendo bom para o futebol tunisiano. Nas quartas-de-final da Copa Africana de Nações, a seleção nacional foi eliminada pela Nigéria, nos pênaltis. Depois, veio a Copa do Mundo e a Tunísia não conseguiu passar da primeira fase. Mas ainda restava tempo para acontecer algo melhor. O time do Sfaxien chegou à decisão da Liga dos Campeões da África. Este feito jamais havia sido alcançado pela equipe tunisiana nas outras 41 edições.
Na final, o Sfaxien enfrentou o campeão da temporada anterior, o Al-Ahly, do Egito. O empate por 1 a 1 no jogo de ida, disputado na casa do adversário, deu esperanças ao torcedor do Sfaxien. Porém, a partida de volta se transformou em pesadelo. Aos 47 minutos da segunda etapa, Aboutrika marcou o gol que garantiu a vitória de 1 a 0 do Al-Ahly e, conseqüentemente, a vaga no Mundial de Clubes. Se o resultado fosse 0 a 0, o Sfaxien seria o campeão. Aboutrika virou o carrasco do Sfaxien, pois foi ele quem marcou o gol do Al-Ahly no primeiro jogo.
Para o torcedor do Sfaxien, existem dois consolos. Na primeira rodada da fase de grupos, o time alvinegro conseguiu ganhar do Al-Ahly por 1 a 0. E na classificação final do grupo A, que tinha quatro componentes, o Sfaxien ficou na primeira posição, uma acima do Al-Ahly.
O time é internacional, sim!
Dizer que o Sfaxien não tem tradição em competições continentais não é verdade. Em 1998, a equipe conquistou a já extinta Copa CAF, uma espécie de Copa UEFA africana. A campanha foi excelente: sete vitórias, dois empates, uma derrota, 20 gols a favor e três gols sofridos. Nas finais, não houve chance para o Jeanne d’Arc, do Senegal. O Sfaxien venceu por 1 a 0 e 3 a 0.
Do elenco campeão, podemos destacar alguns nomes. Hatem Trabelsi disputou três Copas do Mundo (1998, 2002 e 2006) e foi campeão da Copa Africana de Nações em 2004, atuando pela Tunísia. Depois de defender o Sfaxien, primeiro time de sua carreira profissional, Hatem Trabelsi se transferiu para o Ajax em 2001. Hoje, o atleta está no Manchester City. Sami Trabelsi e Skander Souayah também são importantes. Eles participaram da Copa do Mundo em 1998.
Salvo pelo saldo
Em sete ocasiões, o Sfaxien faturou o campeonato de seu país. A última vez foi na temporada 2004/5, quando terminou a hegemonia do Espérance Sportive – dono de sete títulos consecutivos. O Sfaxien teve 17 vitórias, sete empates, duas derrotas, 44 gols a favor e 12 gols sofridos. Sem dúvida, aquele campeonato entrou para a história como um dos mais disputados…e polêmicos.
Ao começar a última rodada, havia um empate na classificação: 55 pontos para o Sfaxien e para o Etoile du Sahel. Fora de casa, o Sfaxien deveria enfrentar o lanterna, que era o Olympique de Béjà. A vitória veio com bastante facilidade (4 x 0) e garantiu o troféu. Embora tenha vencido sua partida, o Etoile du Sahel tinha desvantagem no quesito ‘saldo de gols’.
Com a volta olímpica, acabou uma fila do Sfaxien. Seu título anterior no campeonato havia sido conquistado na temporada 1994/5. Um dos principais responsáveis pelo fim do jejum foi Haykel Guemamdia, artilheiro isolado da competição. O último gol dele foi anotado justamente no jogo diante do Olympique de Béjà. Sem este gol, a artilharia seria dividida com Tarek Ziadi, do Stade Tunisien. Na última Copa do Mundo, Guemamdia atuou durante 11 minutos com a camisa da Tunísia, mas já não era mais atleta do Sfaxien.
A confirmação do último título, entretanto, só foi anunciada uma semana depois da rodada de encerramento. Afinal, a Justiça teve que entrar em ação. O Etoile du Sahel reclamava que na sua derrota para o Club Africain, na penúltima rodada, um atleta adversário foi escalado de modo irregular. O choro não adiantou.
Fixação pelo vice
Os cinco primeiros títulos do Sfaxien no Campeonato Tunisiano formam uma enorme curiosidade. Nessas ocasiões, o vice-campeão foi sempre o Club Africain, segundo maior vencedor da competição.
Na temporada 1968/9, quando o Sfaxien se sagrou campeão pela primeira vez, houve dois placares com cinco gols de diferença. Um deles foi feito pelo próprio Sfaxien, contra o rebaixado Stade Sportif Sfaxien: 6 a 1. Em relação à campanha do segundo título, o Sfaxien sofreu apenas duas derrotas. O adversário, em ambas as oportunidades, foi o Olympique des Transports. A trajetória da terceira conquista foi praticamente idêntica à de 2004/5. Os números foram: 17 vitórias, sete empates, duas derrotas, 41 gols a favor e 12 gols sofridos.
Uma característica comum aos três primeiros títulos foi a diferença de pontos entre o Sfaxien e o Club Africain. Cinco pontos os separaram em cada vez. Isso mudou na campanha da quarta conquista, em 1980/1. O Sfaxien ficou com 65 pontos e seu concorrente, 63. Das 16 vitórias do Sfaxien, 12 registraram vantagem de um gol somente. Para completar nossa viagem pelos títulos desta competição, temos que lembrar algo interessante que aconteceu na temporada 1982/3. Em oito, dos 13 jogos fora de casa, o Sfaxien não marcou gol.
Espérance sofre há tempos
O Sfaxien tem um currículo razoável na história da Copa da Tunísia. Conquistou três títulos. Nas temporadas 1970/1 e 1994/5, o caminho até o troféu foi curto, pois a competição se iniciou nas quartas-de-final. Já na temporada 2003/4, havia oito fases. Todavia, a campanha do Sfaxien só começou nas oitavas-de-final. Nas três edições citadas, o Sfaxien enfrentou o Espérance Sportive (duas vezes na decisão e outra na semifinal).
A participação do Sfaxien na Copa da Tunísia 2005/6 foi decepcionante. Sua eliminação ocorreu na fase que antecedia as oitavas-de-final, perante o Bizertin, um time que se livrou por pouco do rebaixamento no campeonato nacional 2005/6. O único jogo entre ambos teve prorrogação e até disputa de pênaltis.