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Sevilla martelou e pressionou, mas Leicester conseguiu manter-se vivo

Por Bruno Bonsanti

Foi um puro jogo de ataque contra defesa. Era o esperado. O Sevilla está muito bem na temporada, brigando pelo título do Campeonato Espanhol. Em casa, é muito forte. O adversário, o campeão inglês, vinha de sete partidas em que não conseguiu vencer no tempo normal – derrotou o Derby na prorrogação pela Copa da Inglaterra. Os espanhóis fizeram valer a superioridade técnica e o mando de campo e pressionaram o visitante. Mas, de alguma maneira, o Leicester conseguiu sair vivo. E bem vivo. Perdeu por 2 a 1 e precisa apenas de uma vitória pelo placar mínimo para chegar às quartas de final.

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Resultado decepcionante para o Sevilla. Na verdade, mais frustrante que decepcionante porque a sensação geral é que o placar poderia ter sido mais largo do que foi. Era para matar a eliminatória nesta partida. Agora, precisa tomar cuidado. O Leicester definha, mas precisa de apenas 1 a 0 para se classificar. O mesmo placar que lhe deu quatro vitórias na reta final da última Premier League, essenciais para a conquista do título. Basta uma noite como aquelas para eliminar o Sevilla.

O goleiro Kasper Schmeichel tem que receber os parabéns pelo que fez no primeiro tempo. Foi graças a ele que o Leicester não foi para o intervalo praticamente eliminado. Foi o auge do volume de jogo do Sevilla, com 75% de posse de bola e muitas finalizações, enquanto o dinamarquês fazia o possível. Defendeu um pênalti cobrado por Joaquín Correa, salvou um gol contra de Fuchs e impediu tentativas de Escudero e Correa. Basta dizer que o tento marcado por Sarabia, que completou cruzamento de Escudero na segunda trave, foi a primeira vez que Schmeichel foi vazado na Champions League – Zieler e Hamer defenderam as metas inglesas contra Clube Brugge e Porto, respectivamente.

O Sevilla continuou em cima no segundo tempo e criou duas boas chances rapidamente. Vitolo, aos 5, aparece pela esquerda e, sem ângulo, tentou bater reto. A bola raspou a trave. Sarabia recolheu, no bico direito da grande área, e tentou o canto mais próximo de Schmeichel, mas bateu para fora. Aos 17, Jovetic resolveu. Um lançamento do campo de defesa encontrou o Montenegrino entre Huth e Morgan. Jovetic matou no peito, arrumou com a cabeça e deu as costas para os marcadores. Fez um belo trabalho de pivô e rolou para Correa fazer o segundo.

Este foi o momento em que o Leicester parecia morto nas oitavas de final da Champions League, e tudo indicava que o Sevilla administraria o resultado, ampliando com naturalidade. Mas, como disse Ranieri, os ingleses mostraram que têm coração e se recusaram a desistir, a principal qualidade da equipe na campanha do título inglês. Em jogada bem trabalhada pela esquerda, Drinkwater cruzou rasteiro para Vardy descontar. Foi seu primeiro gol na Champions League, encerrando um jejum de nove jogos sem marcar. O último tento dele havia sido contra o Manchester City, em 10 de dezembro, quando anotou três de uma vez.

E aí, deu o clique. O Leicester que parecia se esforçar muito para acertar o passe mais simples ganhou confiança. O Sevilla ficou um pouco perdido. A entrada de Demarai Gray no lugar de Musa ajudou bastante. Havia perigo no contra-ataque e, com um pouco de capricho nos passes, o empate poderia ter saído. Com um pouco de sorte, o terceiro dos donos da casa também. Um chute de Jovetic de fora da área bateu nas pernas de Huth e saiu desviado, para fora, mas Schmeichel já estava batido. Na cobrança de escanteio, Rami acertou o travessão.

O apito final veio como um alívio para o Leicester. Havia todas as condições para que o segundo jogo fosse meramente um amistoso, mas o resultado acabou sendo bastante aceitável. Ainda há muito trabalho a se fazer, caso Ranieri e companhia queiram continuar fazendo história. O Sevilla é perigosíssimo e tem todas as condições de marcar no King Power, empatar ou vencer. Mas o Leicester também tem condições de fazer um jogo perfeito. Precisa apenas lembrar como se faz.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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