Sem projeto sério, Brasil continuará perdendo da Alemanha

Respondendo, rebatendo ou concordando com o comentário abaixo do Caio sobre o futebol feminino:

Sim, o Brasil perdeu por inferioridade tática. A Alemanha esteve muito mais organizada em campo e sabia como tirar proveito dos pontos fracos do Brasil.

Um exemplo disso é como as alemãs interpretaram bem o que ocorrera no primeiro tempo. O Brasil foi melhor, mas tinha problemas de saída de bola a partir da defesa e usava muitos lançamentos. Isso fazia que as jogadoras ficassem muito espalhadas pelo campo.

Desse modo, a Alemanha se compactou, isolou Marta no meio de suas defensoras e tratou de marcar a saída de bola do Brasil. Foi uma pressão impressionante nos minutos iniciais do segundo tempo e daí saiu o gol do título (o segundo da Alemanha foi mais no desânimo brasileiro típico de um final de partida).

Uma das razões para a inferioridade tática do Brasil é simples: falta campeonato aqui. A seleção brasileira não existe como time (é formada quando há torneio importante, mas não disputa torneios menores ou amistoso constantemente) e muitas das jogadoras não têm experiência de jogo competitivo. Assim, dificuldade em se adaptar à partida e lapsos de concentração são mais comuns.

Não sou especialista em futebol feminino, mas até acompanho um pouco por obrigação profissional (fiz uma reportagem sobre a Marta na revista Rolling Stone de agosto). Acho que a solução (ou parte dela) seria a criação de um Campeonato Brasileiro de futebol feminino. Não importa o modelo (a CBF fala em Copa do Brasil com campeões estaduais, Renê Simões propõe campeonato de seleções estaduais, pode ser em estádios pequenos ou como preliminar de jogos masculinos). Só não pode ser o modelo atual, com um torneio completamente amador mantido por um grupo de abnegados.

Só precisa ficar claro uma coisa: para ser viável, o Brasileirão feminino tem de saber qual é seu tamanho. Não seria um grande torneio, com times de todo o país com estádios lotados. A competição teria a projeção de um torneio de vôlei ou basquete no país. É um esporte ainda amador e precisa se organizar com esse parâmetro, economizando onde for possível, colocando uma quantidade de participantes compatível e precisando de algum patrocinador para bancar boa parte das despesas.

Enquanto isso não ocorrer, o Brasil dependerá de sorte para superar a Alemanha. Formar um time forte como o que conquistou o vice mundial foi um pouco disso. Conseguir um pênalti injusto no segundo tempo, também. Mas precisa de mais. Seria mais fácil fazer um projeto sério e não ter de contar com o acaso ou o talento de quem não tem apoio.

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Equipe Trivela

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