“Sem piscina”, Hanser Garcia tenta ameaçar Cesar Cielo

O cubano Hanser Garcia é o novo rival de Cesar Cielo, recordista mundial dos 50 e 100m nado livre e candidato fortíssimo a vencer as duas provas na Olimpíada de Londres, em julho. Em 2008, em Pequim, o brasileiro ganhou ouro nos 50m e bronze nos 100m.
Atualmente, nos 100m, o grande inimigo é o australiano James Magnussem, campeão do mundo em Shangai, em julho, com 47s49, o melhor tempo do ano. Cielo nadou em 48s e foi quarto. No Pan de Guadalajara, fez 47s84, segundo melhor tempo do ano e ganhou o ouro.
E foi no Pan de Guadalajara que um novo adversário se apresentou a Cielo. O cubano Hanser Garcia, de 23 anos, marcou 48s34 e ficou com a prata. É apenas o 12º tempo do ano, mas a evolução de Garcia é assustadora.
Ele nadou competitivamente pela primeira vez em 2009, na Copa Marcelo Salado, o campeonato nacional cubano. Foi apenas uma brincadeira. Garcia era titular da seleção cubana de pólo e resolveu nadar apenas por curiosidade.
Ganhou os 50m e os 100m e juntamente com três companheiros do time de pólo, ficou com o ouro também no revezamento. Prova de sua potencialidade, mas também do abandono em que estava a natação cubana, sem renovação e com campeonatos massivos cancelados.
Hanser marcou 22s35 nos 50m e 52s62 nos 100m. Tempos magníficos para Cuba,mas ridículos a nível mundial. Para comparar, basta lembrar que Cielo, em 2009, conseguiu os recordes mundiais nos 50 e 100m, que ainda estão em vigência. Nadou os 50m em 20s91 e os 100m em 46s91.
O cubano começava quando Cielo atingia o auge. A distância entre eles era incomensurável. Nos 100m, o tempo que os separava era de 4s31, uma eternidade. Nos 50m, 1s46, muita coisa.
Hoje, Cielo ainda está muito na frente, mas Garcia é o cara a ser estudado. Em dois anos, baixou de 52s62 para 48s34. E tem muito a melhorar. Os técnicos dizem que ele tem muitos defeitos. É o último a cair na água, perde tempo na virada e o trabalho debaixo dágua é muito falho.
Garcia corre contra o tempo para corrigir tantos defeitos. Seus resultados não podem ser considerados uma conquista do esporte cubano. Muito pelo contrário. A carreira é uma série de erros. Quando garoto foi recrutado por treinadores de natação. Não viram sua potencialidade e o despediram. Foi para o pólo aquático. E, graças à brincadeira de 2009, voltou à natação.
Em janeiro e fevereiro, estará fazendo uma série de treinamentos no Peru. Depois, apenas incertezas, como diz Rodolfo Falcón, medalha de prata na Olimpíada de 1996, e chefe da natação “Quando voltar do Peru, estará frio em Cuba e será necessário buscar uma solução porque ele precisa de uma piscina em condições com suas marcas. A preparação de um candidato a lutar por medalhas não pode depender das inclemências do tempo.”
Em Cuba, não há piscinas climatizadas e a principal do país, em Havana, não estava em condições ideais de treinamento. São dados que tornam mais bonita a carreira de Garcia, mas que também a deixam cheia de incertezas. Hoje, o seu tempo é melhor que o recorde mundial de Matt Biondi (48s42 em 1988) mas ainda pior que o de Alexandr Popov, recordista mundial em 1994, com 48s21.
“Vamos polir suas deficiência e levá-lo à final olímpica”, diz Maria Luisa Mojarrieta, sua treinadora. Se chegar, terá Cesar Cielo como favorito. Mas o brasileiro estará de olho na tardia revelação cubana.



