Seleção Brasileira – 90 Anos

Germano; Russo, Itália, Espanhol e Japonês; China, Alemão, Gringo e Chinesinho; França e Castelhano. Técnico: Luxemburgo. Seria esse um time do resto do mundo, criado especialmente para derrotar o ´scratch´ canarinho? Não, não: trata-se apenas de uma esdrúxula combinação de nomes que já defenderam as cores da seleção brasileira. Alguns mais conhecidos ou mais recentes, outros obscuros ou remotos. Todos eles estão no livro de Roberto Assaf e Antonio Carlos Napoleão, que discorre sobre os primeiros 90 anos de história da camisa pentacampeã mundial.

A obra é dividida em duas partes principais: história e estatísticas. Comecemos pela última, que é valiosíssima fonte de estudo. Estão lá as fichas de todas as partidas da Seleção, incluindo nossa escalação e a dos adversários, os clubes aos quais os atletas do Brasil estavam vinculados quando os jogos foram realizados, o árbitro, o público e vários outros pormenores. Podem ser encontrados os embates da seleção principal, da olímpica e até da sub-20, nos mundiais da categoria. A divisão é organizada e dotada de eficiente programação visual.

Ao passarmos os olhos pelas formações brasileiras no transcurso da história, por vezes nos deparamos com dados muito interessantes, como os da comemoração dos 50 anos de Pelé, em 1990 (Brasil 1×2 Combinado Mundial). Inserido naquele arremedo de Seleção, que tinha Gil Baiano, Careca Bianchezzi e Rinaldo, o jovem Cafu iniciava sua longeva trajetória internacional. E justamente no San Siro, onde, anos depois, ele, já consagrado, viria a jogar com freqüência.

Após a listagem geral dos jogos, mostra-se o desempenho brasileiro contra cada equipe já enfrentada. Pequena vantagem em relação aos argentinos, igualdade total frente aos italianos (até no número de gols marcados!) e… surpresa! Nunca vencemos a Noruega! Foram apenas três duelos, mas não deixa de ser pífio nosso desempenho contra o ´esquadrão´ da terra de Tore Andre Flo – o grandalhão é o artilheiro do confronto, com três gols. Como se vê, é agradabilíssimo passear pelas estatísticas do livro, descobrindo um recorde aqui, uma curiosidade acolá.

A parte intitulada ´´História´´ consiste num resumão dos caminhos tomados pela Seleção entre 1914 e 2004. Um texto de Ricardo Teixeira (ou de um assessor dele) antecede esse segmento do livro e lhe dá certo caráter oficial, o que pode ser visto como uma faca de dois gumes, ou ´de dois legumes´, como diria Vicente Matheus. Se, por um lado, o aval do presidente da CBF garantiu a vagem, digo, vantagem do acesso mais livre aos relatórios anuais da entidade, por outro, acarretou um pepino para os autores: como ser uma espécie de voz institucional sem resvalar na parcialidade?

No relato que condensa a história da Seleção, muitos erros de arbitragem que nos favoreceram, por exemplo, são justificados ou relativizados. Isso ocorre principalmente nas passagens dedicadas às competições disputadas na gestão (ou nas gestões) de Ricardo Teixeira. Segundo os autores, a cabeçada certeira do belga Wilmots, na Copa de 2002, que poderia nos ter eliminado, teria sido acompanhada de falta clara sobre Roque Júnior. Até a absurda marcação de pênalti no primeiro jogo contra a Turquia foi amenizada: ´´Na realidade, o empate com a Turquia também teria deixado, no fim das contas, o Brasil em primeiro lugar no Grupo C´´. Também causa desconforto o fato de a conquista de 1962 ocupar apenas duas páginas, espaço exíguo se levarmos em conta que a de 2002 recebe cinco páginas de abordagem, sem contar as eliminatórias.

Apesar desses problemas, o trabalho de Assaf e Napoleão merece figurar em sua estante. As fotos, principalmente as bem antigas, são estupendas, e a quantidade de informações precisas faria qualquer historiador babar.

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