Schweinsteiger: Algo de novo no front?

Bordon foi considerado um dos melhores zagueiros do campeonato alemão na temporada passada e Aílton, ex-Guarani, acabou como artilheiro e principal nome da liga. O futebol alemão sempre foi o mais reticente, dentre os grandes europeus, para contratar estrangeiros renomados. Seja por falta de dinheiro ou por opção, os estrangeiros contratados são, na maioria das vezes, jovens baratos e não nomes consagrados. Aí juntam-se a eles grandes astros alemães e algumas promessas que despontam no próprio país e está criada uma das mais fortes ligas do futebol mundial.

Ultimamente, porém, essa ´fórmula´ tem encontrado um grande problema: a falta de talentos nativos. A geração de Matthaus, Klinsmann, Brehme, Völler e Effenberg foi a última vencedora produzida pelo país. A que veio depois, com nomes como Deisler, Ballack, Bobic, Jancker, Ziege e Nowotny não vingou, fazendo com que estrangeiros de nível técnico duvidoso conseguissem grande destaque na Bundesliga.

A esperança era que a geração seguinte desse continuidade à boa linha de produção alemã e trouxesse novamente jogadores de nível para que assumissem postos de destaque na liga e na seleção nacional. E eis que na Eurocopa 2004 começam a aparecer no selecionado alguns nomes dessa nova leva, como Philipp Lahm, Arne Friedrich, Kevin Kuranyi, Lukas Podolski e Bastian Schweinsteiger. Este último, juntamente com Kuranyi, é o principal nome da nova geração.

Sempre queimando etapas

Basti, como é conhecido pela torcida do Bayern de Munique, completa 20 anos em agosto. Ou seja, com 19 anos o atleta já foi convocado para a seleção alemã e disputa sua primeira Eurocopa, sendo uma das principais opções de banco do treinador Rudi Völler. Em sua carreira profissional, tudo vem acontecendo de forma bastante precoce.

Aos 16 anos, o jogador era titular da seleção sub-19 e visto como um dos destaques do time. Aos 17, disputou sua primeira partida oficial com a camisa do Bayern de Munique e, aos 18, participou do mundial sub-21 e estreou na Liga dos Campeões. Ainda aos 18, assumiu definitivamente a condição de titular no Bayern de Munique e, na temporada passada, já foi considerado por alguns como um dos pilares da equipe.

São números impressionantes, principalmente em um país metódico como a Alemanha. Isso porque na terra do chucrute não é comum ver jogadores pulando etapas assim. Os alemães transmitem para o campo toda a rigidez que permeia seu modo de ser e não costumam fazer com que seus atletas queimem fases da carreira.

A pergunta que deve ser feita é por que será que Schweinsteiger tem atingido seus objetivos profissionais tão rápido. Será porque ele é realmente um jogador excepcional ou será que o principal motivo é a falta de grandes talentos na geração acima da dele?

Assumindo a segunda afirmação como a verdadeira, surgem ainda mais dúvidas. Será que um jovem nessa idade está preparado para assumir toda essa responsabilidade? Não estariam os alemães se precipitando e estragando a carreira de um atleta de futuro?

Barulho demais por nada?

Bastian Schweinsteiger é um típico meia alemão: muito disciplinado taticamente, com grande preparo físico e todos os fundamentos muito bem trabalhados. Costuma ocupar a faixa esquerda do campo, mas também pode jogar do outro lado por ter igual facilidade em bater na bola com os dois pés.

Ele ajuda na marcação, não erra passes, acerta os cruzamentos e tem uma forte finalização. Além disso, não se esconde em campo, sendo sempre uma opção de passe para os companheiros. Tudo isso aos 19 anos de idade.

O jogador lembra um pouco o estilo de Andreäs Möller. Joga com velocidade, pelas laterais do campo e prefere servir aos companheiros do que marcar gols. O que falta a ele, entretanto, é exatamente o que os últimos jogadores da Alemanha também não têm: capacidade de improvisação. Ao contrário de Andreäs Möller, Basti não dribla muito e seus passes são quase todos previsíveis.

Pode-se esperar que ele corra o jogo inteiro, acerte todos os passes e faça gols se tiver espaço de fora da área. Schweinsteiger, certamente, irá cumprir todas as ordens do treinador e irá colaborar na marcação, fechando espaços e acompanhando o lateral adversário. Ele também irá fazer bons cruzamentos, que podem ser aproveitados por um centroavante que goste do jogo aéreo.

Não será ele, porém, o jogador que dará aquele passe genial que desmontará a retranca adversária. Não será dele o lançamento de 30 metros que irá deixar o centroavante velocista cara a cara com o goleiro. Resumindo, pode-se apostar em Basti para ser um excelente coadjuvante, mas nunca o astro principal do time. Enquanto a principal aposta alemã for ele, o espaço para o brilho de ´Aíltons´ e ´Bordons´ estará aberto.

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