San Lorenzo de Almagro: cem anos
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“No dia seguinte à nossa conquista do título invicto [1972], um monte de meninos na escola apareceu com a camisa do San Lorenzo. Eu disse a eles: não é como torcer para o River ou para o Boca. É preciso ter coração de verdade para torcer para este clube”.
O ator dinamarquês Viggo Mortensen – o Aragorn de “Senhor dos Anéis” – iniciou assim um breve discurso em Buenos Aires, diante de 15 mil fanáticos. Mortensen não estava na capital argentina rodando um filme. Na verdade, ele fugiu do set do fime “The Road” para participar do centenário de sua maior paixão: o Club Atlético San Lorenzo de Almagro.
Mortensen, que viveu na Argentina até os 11 anos, é um fanático torcedor de um clube grande do país, mas que não tem a mesma fama de Boca Juniors ou River Plate. Mas é um “grande”. Tanto que é o único clube argentino a ter retrospecto favorável diante do poderoso Boca.
Padre fundador
Um grupo de meninos de rua está na gênese da formação do San Lorenzo, originário da vizinhança de Boedo, bairro ao sul do centro de Buenos Aires. Em 1908, um padre salesiano, Lorenzo Massa, estimulou um time que já desafiava formações de bairros vizinhos desde o início daquela década, a organizarem um clube de verdade. Assim, poderiam deixar de jogar nas ruas de Buenos Aires, que começavam a ficar movimentadas.
O nome da agremiação é de seu fundador, é verdade, mas foi em homenagem ao santo padroeiro São Lourenço, que foi um dos sete diáconos da antiga Roma cristã que pereceram na perseguição imposta pelo imperador Valério, no ano 258. A escolha também teve um cunho patriótico, já que a primeira vitória militar do General San Martín, patrono da independência argentina, é chamada de Batalha de San Lorenzo. As cores – azul e vermelho – significam o “ideal e a luta”.
Mesmo sem nunca ter ganhado a Libertadores – a única lacuna da lista de títulos do clube em relação aos outros “grandes” do país – a relação de feitos do clube de Boedo é grande. Além dos 10 campeonatos (quarto clube com maior número de sucessos), os ‘ciclones’ foram os primeiros campeões invictos (1968), os primeiros bicampeões em uma mesma temporada (1972), detém os recorde de pontos em um campeonato (2001) e de vitórias consecutivas (13, também em 2001).
Nos seus cem anos, o clube formou jogadores que fizeram história, mas uma geração foi certamente a mais forte: a dos “matadores”, que venceu quatro títulos entre 1968 (ano do primeiro título invicto) e 1974. Em 1972, outro recorde: campeão de dois campeonatos no mesmo ano. A formação contava com Irusta, Galría, Cocco, Rezza, Olguín, H.Scotta, Fischer, García Ameijenda, Sanfilippo e Chazarreta. A decadência do clube veio no começo da década de 80 graças a uma série de administrações ruinosas, com o time caindo para a Série B.
Hoje o ‘Ciclón’ está de volta à ponta do futebol argentino (embora esteja numa colocação intermediária no atual Apertura). Os jogos de Libertadores voltaram ao Novo Gasometro (estádio do clube, que substituiu o antigo Gasometro em 1995). O rival mais tradicional do San Lorenzo é o Huracán.